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7 civilizações (1 contra 6)

7 civilizações (1 contra 6)

Foi na XV reunião dos BRICS, realizada de 22 a 24 de agosto de 2023 em Joanesburgo, que se deu a formação final do clube multipolar.

A entrada de três potências islâmicas – o Irã xiita, a Arábia Saudita sunita e os Emirados Árabes Unidos – foi fundamental.

Assim, ficou assegurada a participação direta no mundo multipolar de toda a civilização islâmica, representada por ambos os ramos – sunita e xiita.

Para além disso, juntamente com o Brasil lusófono, a Argentina hispânica, outra potência forte e independente, juntou-se aos BRICS.

Já em meados do século XX, os teóricos da unificação da América do Sul num “Grande Espaço” consolidado – principalmente o general argentino Juan Perón e o presidente brasileiro Getúlio Vargas – consideravam uma aproximação decisiva entre o Brasil e a Argentina como o primeiro princípio deste processo.

Se tal for conseguido, o processo de integração ecumênica latino-americana (termo de A. Buela) será irreversível. É exatamente isso que está acontecendo agora, no contexto da adesão das duas maiores potências da América do Sul, o Brasil e a Argentina, ao clube multipolar.

A admissão da Etiópia é também altamente simbólica. É o único país africano que se manteve independente durante toda a época colonial, preservando a sua soberania, a sua independência e a sua cultura única (os etíopes são o povo cristão mais antigo).

Juntamente com a África do Sul, a Etiópia reforça, com a sua presença no clube multipolar, o continente africano no seu conjunto.

De fato, a nova composição dos BRICS dá-nos um modelo completo de união de todos os pólos – civilizações, “Grandes Espaços”, com exceção do Ocidente, que procura desesperadamente preservar a sua hegemonia e estrutura unipolar.

No entanto agora não enfrenta países díspares e fragmentados, cheios de contradições internas e externas, mas uma força unida da maioria da humanidade, determinada a construir um mundo multipolar.

Continua a seguir:

Este mundo multipolar é constituído pelas seguintes civilizações:

– O Ocidente (os EUA+UE e os seus vassalos, o que inclui, infelizmente, o outrora orgulhoso e soberano Japão, agora degradado a fantoche passivo dos conquistadores ocidentais);

– A China (+Taiwan) com os seus satélites;

– A Rússia (como integradora de todo o espaço euro-asiático);

– A Índia e a sua zona de influência;

– América Latina (com o núcleo do Brasil+Argentina);

– África (África do Sul+Etiópia, com o Mali, Burkina Faso, Níger, etc., libertados da influência colonial francesa).

– Mundo islâmico (em ambas as versões – Irã xiita, Arábia Saudita sunita e Emirados Árabes Unidos).

Ao mesmo tempo, uma civilização – a ocidental – reivindica a hegemonia, enquanto as outras 6 a negam, aceitando apenas um sistema multipolar e reconhecendo o Ocidente como apenas uma das civilizações, juntamente com outras.

Pode ser ainda a mais forte (relativamente e não por muito tempo), mas não é a única.

Assim, confirma-se na prática a justeza de Samuel Huntington, que via o futuro no regresso das civilizações, e torna-se evidente a falácia da tese de Fukuyama, que acreditava que a hegemonia global do Ocidente liberal (o fim da história) já tinha sido alcançada.

Assim, a Fukuyama resta apenas dar lições aos neonazis ucranianos, a última esperança dos globalistas para travar o início da multipolaridade, pela qual a Rússia luta atualmente na Ucrânia.

Agosto de 2023 pode ser considerado o aniversário do mundo multipolar.

A multipolaridade está estabelecida e, de certa forma, institucionalizada. É hora de olhar mais de perto para a forma como os próprios pólos civilizacionais interpretam a situação em que se encontram.

Aqui devemos ter em mente que praticamente todas as civilizações soberanas têm a sua própria ideia sobre a estrutura da história, a natureza do tempo histórico, a sua direção, o objetivo e o fim.

Ao contrário de Fukuyama, que ambiciosamente proclamou um único fim da história (na sua versão liberal), cada civilização soberana opera com a sua própria compreensão, interpretação e descrição do fim da história.

Excerto: Escatologias do mundo multipolar, de Alexander Dugin
https://www.geopolitika.ru/…/eschatologies-multipolar…

Alexander Dugin | Z, [02/09/2023 10:00]

FONTE:

https://www.facebook.com/photo?fbid=10159690749863837&set=a.10151306301983837