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A Estratégia de Usar a Dissonância Cognitiva como Instrumento de Manipulação

A dissonância cognitiva é um fenômeno psicológico que ocorre quando uma pessoa experimenta um conflito entre suas crenças, valores ou atitudes e suas ações. Esse desconforto mental leva os indivíduos a tentar resolver a inconsistência, seja ajustando suas crenças ou mudando seu comportamento. No entanto, na arena da manipulação, a dissonância cognitiva pode ser habilmente explorada como uma ferramenta para influenciar e controlar percepções e comportamentos.

Manipulação pela Dissonância Cognitiva

A dissonância cognitiva é frequentemente utilizada de forma consciente e deliberada como uma estratégia de manipulação em diversos contextos, como na política, nas relações internacionais, no ambiente corporativo e nas relações pessoais. A tática envolve a criação de uma discrepância entre o que é dito publicamente e o que é feito nos bastidores, levando as pessoas a acreditar em uma narrativa que, na prática, é contrária à realidade.

Exemplos Comuns de Manipulação
  1. Política e Governança:
    • Promessas de Campanha: Políticos frequentemente fazem promessas grandiosas durante as campanhas eleitorais, afirmando que irão implementar políticas públicas em benefício da população. No entanto, uma vez eleitos, muitas dessas promessas são ignoradas ou revertidas em favor de interesses particulares ou lobbies poderosos.
    • Diplomacia e Acordos Internacionais: Governos podem declarar publicamente seu compromisso com a paz e a cooperação internacional, enquanto secretamente fomentam conflitos, financiam grupos paramilitares ou sabotam negociações.
  2. Ambiente Corporativo:
    • Responsabilidade Social Corporativa (RSC): Empresas frequentemente promovem sua imagem como socialmente responsáveis e comprometidas com a sustentabilidade. No entanto, internamente, podem continuar práticas prejudiciais ao meio ambiente ou explorar mão-de-obra em condições análogas à escravidão.
    • Promessas de Inclusão e Diversidade: Muitas corporações divulgam políticas de inclusão e diversidade, mas falham em implementar mudanças significativas, mantendo práticas discriminatórias ou um ambiente de trabalho hostil.
  3. Relações Pessoais:
    • Falsas Promessas: Em relacionamentos, uma pessoa pode prometer fidelidade, apoio ou mudança de comportamento, enquanto suas ações reais demonstram o oposto, perpetuando um ciclo de manipulação emocional.

Consequências da Manipulação pela Dissonância Cognitiva

O uso estratégico da dissonância cognitiva para manipulação tem consequências profundas e frequentemente negativas para indivíduos e sociedades. Entre as principais consequências, destacam-se:

  1. Desconfiança e Cinismo:
    • Perda de Credibilidade: Quando a discrepância entre palavras e ações é descoberta, a confiança na figura ou instituição responsável é severamente abalada. Isso pode levar a um cinismo generalizado, onde os indivíduos deixam de acreditar em declarações públicas ou promessas.
  2. Polarização e Conflito:
    • Divisão Social: A manipulação pela dissonância cognitiva pode exacerbar divisões sociais e políticas, criando grupos polarizados que se baseiam em narrativas conflitantes, dificultando a coesão social e a colaboração.
  3. Desmotivação e Apatia:
    • Desengajamento: A percepção de manipulação e a incongruência entre discurso e prática podem levar ao desengajamento cívico e social. Indivíduos podem sentir que suas ações ou vozes não têm impacto, resultando em apatia e falta de participação.
  4. Erosão de Valores Éticos:
    • Relativismo Moral: A constante exposição à manipulação e à dissonância cognitiva pode levar à erosão dos valores éticos e morais, criando uma sociedade onde o pragmatismo e o interesse próprio se sobrepõem à integridade e à verdade.

Conclusão

A manipulação pela dissonância cognitiva é uma estratégia poderosa e insidiosa que explora a vulnerabilidade humana ao desconforto psicológico. Embora possa proporcionar vantagens de curto prazo para os manipuladores, suas consequências a longo prazo são geralmente prejudiciais, minando a confiança, aumentando a polarização e corroendo os valores éticos. Para mitigar esses efeitos, é essencial promover a transparência, a responsabilidade e a educação crítica, capacitando indivíduos e sociedades a reconhecer e resistir a tais táticas manipuladoras.

 

FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas 

( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )