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A Extrema Direita e as Redes Sociais: O Papel dos Algoritmos das Big Techs no Crescimento do Radicalismo

Nos últimos anos, o crescimento da extrema direita em diversos países tem sido notavelmente ligado ao uso intensivo das redes sociais. Plataformas como Facebook, Twitter, YouTube e outras tornaram-se terreno fértil para a disseminação de ideologias extremistas. Esse fenômeno não é apenas uma coincidência, mas está profundamente enraizado nos algoritmos das big techs que priorizam conteúdo sensacionalista e polarizador para maximizar o engajamento dos usuários.

A Mecânica dos Algoritmos

Os algoritmos das redes sociais são projetados para aumentar o tempo que os usuários passam nas plataformas, e uma maneira eficaz de fazer isso é mostrando conteúdo que provoca emoções fortes. Estudos indicam que o conteúdo polarizador, incluindo mensagens de extrema direita, tende a gerar mais reações, compartilhamentos e comentários do que o conteúdo moderado.

Propagação de Fake News e Teorias da Conspiração

As redes sociais também desempenham um papel crucial na propagação de fake news e teorias da conspiração, que são frequentemente usadas pela extrema direita para manipular a opinião pública. Segundo um relatório da Universidade de Oxford, as campanhas de desinformação são deliberadamente amplificadas pelos algoritmos das plataformas, que favorecem conteúdo que provoca indignação e medo.

O Efeito da Bolha de Filtros

Os algoritmos criam “bolhas de filtros”, onde os usuários são expostos predominantemente a informações que reforçam suas crenças existentes. Isso pode levar à radicalização, pois os indivíduos recebem um fluxo constante de conteúdo que valida suas visões extremistas, enquanto são isolados de perspectivas contrárias. A pesquisa mostra que essa segmentação algorítmica pode aumentar a polarização política e a intolerância.

Casos Notórios

Diversos casos ao redor do mundo ilustram o impacto das redes sociais no crescimento da extrema direita. Nos Estados Unidos, a ascensão de grupos como QAnon e os Proud Boys foi amplamente facilitada pelas redes sociais. Na Europa, partidos de extrema direita como o AfD na Alemanha e a Liga na Itália têm utilizado as plataformas digitais para mobilizar apoio e espalhar suas mensagens nacionalistas e xenófobas.

Respostas das Big Techs

Em resposta às críticas, algumas plataformas começaram a implementar medidas para combater a disseminação de conteúdo extremista. O Facebook, por exemplo, anunciou a remoção de grupos e páginas associadas a movimentos de extrema direita e teorias da conspiração. No entanto, críticos argumentam que essas ações são frequentemente insuficientes e tardias, uma vez que a lógica do engajamento algorítmico ainda privilegia o conteúdo polarizador.

Conclusão

O crescimento da extrema direita está indiscutivelmente ligado às redes sociais e, em grande parte, aos algoritmos das big techs que promovem conteúdo polarizador e sensacionalista. Para mitigar esse impacto, é crucial uma maior regulamentação e responsabilidade das plataformas digitais, além de uma conscientização pública sobre os perigos da desinformação e da radicalização online.

FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas

( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )