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A Falsa Narrativa do Excesso de Capacidade Produtiva da China

Recentemente, uma narrativa ganhou força nos círculos econômicos e midiáticos ocidentais: a acusação de que a China está enfrentando um “excesso de capacidade produtiva” em setores como carros elétricos e painéis solares. Esse discurso, promovido principalmente por críticos na Europa e nos Estados Unidos, sugere que a China estaria inundando o mercado global com produtos baratos, prejudicando as indústrias ocidentais. No entanto, uma análise mais detalhada revela que essa acusação é não apenas infundada, mas também parte de uma estratégia mais ampla de guerra midiática e competição econômica.

A Questão do Excesso de Capacidade

O conceito de “excesso de capacidade produtiva” se refere a uma situação em que a produção excede a demanda, levando a uma redução nos preços e, potencialmente, a perdas financeiras para os produtores. No caso da China, críticos argumentam que setores como o de veículos elétricos e energia solar estão produzindo muito mais do que o mercado pode absorver, forçando a China a exportar esses produtos a preços baixos.

A Realidade dos Fatos

Essa narrativa, no entanto, falha em considerar vários pontos essenciais:

1. Alta Demanda Global: A demanda por veículos elétricos e energia renovável está crescendo globalmente. A transição para uma economia mais verde e sustentável impulsiona a necessidade de carros elétricos e painéis solares, setores nos quais a China tem se destacado.

2. Subsídios e Políticas Industriais: A crítica ao uso de subsídios pela China ignora o fato de que subsídios são uma prática comum em políticas industriais ao redor do mundo. Os Estados Unidos, por exemplo, introduziram recentemente a Lei de Redução da Inflação e a Lei de Chips e Ciências, que destinam centenas de bilhões de dólares para subsidiar suas próprias indústrias tecnológicas.

3. Competitividade e Inovação: A capacidade da China de produzir bens de alta tecnologia a preços competitivos não é resultado de um excesso de capacidade, mas sim de avanços significativos em produtividade, inovação e economias de escala. A empresa chinesa BYD, por exemplo, superou a Tesla como a maior vendedora de veículos elétricos no mundo, demonstrando a competitividade dos produtos chineses.

O Papel dos Algoritmos das Redes Sociais

A disseminação dessa narrativa também está intimamente ligada ao papel das redes sociais e dos algoritmos das big techs. Plataformas como Facebook, Twitter e YouTube amplificam conteúdos polarizadores e sensacionalistas, que muitas vezes incluem críticas infundadas ou exageradas à China. Os algoritmos dessas plataformas são projetados para maximizar o engajamento, frequentemente promovendo conteúdo que provoca indignação e medo, o que pode incluir alegações de práticas comerciais desleais pela China.

O Impacto da Guerra Midiática

A guerra midiática contra a China é uma estratégia de longo prazo utilizada por países ocidentais para manter a hegemonia econômica e política. Ao rotular a China como um jogador desleal no mercado global, esses países buscam justificar medidas protecionistas e sanções econômicas. Esse discurso é amplamente disseminado por meio de redes sociais, onde as fake news e as teorias da conspiração encontram um terreno fértil para crescer.

Conclusão

A narrativa do “excesso de capacidade produtiva” da China é, em grande parte, uma construção midiática destinada a desviar a atenção das próprias práticas protecionistas e dos subsídios de países ocidentais. Em vez de reconhecer o avanço tecnológico e a competitividade da China, essa narrativa busca minar a confiança nos produtos chineses e justificar medidas de contenção econômica. É essencial uma análise crítica e informada para entender as verdadeiras dinâmicas em jogo e evitar ser manipulado por discursos polarizadores e infundados.

Este artigo foi elaborado com base em entrevistas e análises de especialistas, incluindo uma entrevista recente com Marco Fernandes no Global Times, que destacou a guerra midiática contra a China e as estratégias de desqualificação empregadas por seus concorrentes ocidentais.

ASSISTA AQUI A ENTREVISTA COM MARCO FERNANDES:

FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas

( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )