Associação Brasileira dos Jornalistas

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A Mudança Climática no Brasil e a Face Cruel da Desigualdade Social

No Brasil, a desigualdade social se manifesta em diversas formas, e a crise climática, com suas enchentes devastadoras e secas implacáveis, tem se tornado um cruel amplificador dessa disparidade. A triste realidade é que os mais pobres, que já vivem à margem da sociedade, são os que mais sofrem com os impactos dos eventos climáticos extremos, tornando-se vítimas de uma desigualdade climática que aprofunda ainda mais o abismo social. Enquanto a população de maior renda, muitas vezes localizada em áreas mais seguras e com acesso a recursos, pode se proteger dos impactos das mudanças climáticas, a população em situação de vulnerabilidade, residente em áreas periféricas e com moradias precárias, é a que mais sente na pele o peso das inundações e secas. Nas enchentes, as casas rústicas e construções improvisadas desabam sob a força das águas, levando consigo o pouco que seus moradores conseguiram reunir. O sofrimento se multiplica, com a perda de bens materiais, de documentos, de esperança. A lama que invade suas casas carrega consigo a dignidade e o futuro dessas famílias. A seca, por sua vez, impacta fortemente as comunidades rurais e ribeirinhas, que dependem da agricultura familiar e do transporte fluvial. Sem água potável, a fome e a desnutrição se instalam. A falta de acesso a remédios e serviços de saúde agrava a situação, colocando em risco a vida de crianças, idosos e pessoas doentes. É preciso lembrar que a Amazônia, um dos biomas mais importantes do mundo, está sendo devastada pela seca, com graves consequências para a vida de milhares de pessoas. A falta de água afeta diretamente os rios e lagos, impactando a pesca, a agricultura e a saúde da floresta. Essa desigualdade climática não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma ameaça à segurança nacional. As crises hídricas e as perdas econômicas decorrentes dos eventos climáticos extremos podem gerar instabilidade social e migração em massa, sobre carregando ainda mais as cidades e aumentando a pressão sobre os serviços públicos. É fundamental que o Brasil adote medidas urgentes para enfrentar essa realidade. Políticas públicas eficazes de proteção social e investimentos em infraestrutura resiliente são cruciais para mitigar os impactos das mudanças climáticas e garantir que todos os brasileiros tenham acesso a condições dignas de vida. A inclusão social e a justiça climática precisam estar no centro das políticas públicas, para que o Brasil possa construir um futuro mais justo e sustentável para todos. É preciso mudar a narrativa. A crise climática não é um problema futuro, ela já é uma realidade, e suas consequências mais graves recaem sobre os mais vulneráveis. É hora de agirmos com responsabilidade e compaixão, para que ninguém seja deixado para trás nesta corrida contra o tempo.

FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas 

( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )