Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 12 anos lutando pelos jornalistas

A vez do Brasil? Por que o país está em posição única no cenário global, segundo o BTG

País é um dos favoritos para se beneficiar de “nova ordem mundial”, diz banco.

Em um momento de mudanças e conflitos no cenário geopolítico global, o Brasil mostra repertório e desponta como um dos favoritos para se beneficiar da “nova ordem mundial”, afirma o BTG Pactual em relatório assinado por Carlos Sequeira e equipe. Intitulado “A vez do Brasil finalmente chegou?”, o documento enviado a clientes tem, em sua capa, uma imagem que remete a energias renováveis e discorre, ao longo de 37 páginas, sobre oportunidades e desafios que o país oferece.

“Uma democracia consolidada, geopoliticamente distante dos principais conflitos globais e que mantém a neutralidade num mundo cada vez mais polarizado”, diz o texto, que coloca o baixo nível de educação do país, o desperdício do ‘boom’ demográfico e um possível encolhimento da população chinesa (a maior consumidora de commodities do mundo) como principais desafios.

No entanto, entre os principais predicados do país, na visão do banco, está o protagonismo na agenda de sustentabilidade global. Os analistas destacam que 80% da energia utilizada por aqui é limpa, entre fontes hídrica, eólica e solar, e 21% dos combustíveis utilizados para transportes são biocombustíveis. “Todos produzidos a preços super competitivos”, diz o relatório.

O banco controlado por André Esteves enumera ainda a força do Brasil no comércio exterior: de longe, o maior exportador de alimentos do mundo, em termos líquidos, com um montante três vezes superior ao segundo colocado, dizem os analistas. Eles destacam também o fato de ser o grande país com mais terra disponível. “À medida que cresce a demanda pela produção global de alimentos, o Brasil está soberbamente posicionado para atender a essas necessidades”, afirmam.

Ademais, listam, o país é segundo maior exportador de minério de ferro do globo e o sétimo de petróleo, “por enquanto”. Com o aumento da produção nos próximos anos, projeta o BTG, o país deverá subir no ranking. O relatório lembra que, de acordo com a Agência Internacional de Petróleo, nota o Brasil deverá apresentar o segundo maior crescimento na produção de petróleo em 2022-29, tornando-se o quinto maior produtor até 2030.

No documento, o banco cita ainda a (falta de) infraestrutura de transportes como uma “oportunidade imensa” à frente. “As dimensões continentais do país, a distribuição geográfica dos seus recursos naturais e um terreno relativamente plano favorecem o desenvolvimento de grandes infraestruturas de ligação”, dizem. “Embora o governo sempre tenha estado por trás dos grandes avanços nessas áreas, o Brasil viu um aumento acentuado no investimento privado em infraestrutura (…) e o quadro regulatório continuou a evoluir, construindo um quadro atraente para investidores estrangeiros.”

Em termos de mercado, o BTG vê as ações ainda baratas. Os analistas observam que os papéis negociam a um múltiplo preço/lucro projetado de 10 vezes quando se excluem Vale e Petrobras, um desvio-padrão abaixo da média, e de 8 vezes quando as duas gigantes estão incluídas; o que indica uma bolsa ainda descontada. Já o prêmio para ter ações está um desvio-padrão acima da média histórica, em 4,3%.

O banco diz que os preços e os retornos das ações no país se destacam na comparação com outros mercados internacionais. “O retorno consolidado de 18,8% das ações brasileiras é bom e comparável a outros mercados emergentes e globais”, diz o boletim. Embora retorno sobre patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) seja inferior ao de países como Índia (19,3%) e Estados Unidos (24,8%), os valuations no Brasil são ainda mais baixos: enquanto as ações daqui estão negociadas a 8 vezes preço/lucro projetado, as indianas têm múltiplo de 21,4 vezes e as americanas, de 19,6 vezes.

Quando não se levam em conta Vale e Petrobras, além do múltiplo preço/lucro de 10 vezes, o ROE fica em 14,3%. “Naturalmente, ações do Brasil sem Petrobras e Vale não são tão atrativas quando observamos os dados consolidados, mas elas ainda são razoavelmente interessantes”, afirma o banco.

FONTE: https://valor.globo.com/financas/noticia/2024/02/28/a-vez-do-brasi-por-que-o-pais-esta-em-posicao-unica-no-cenario-global-segundo-o-btg.ghtml