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Bolsonaro se filia ao PL e afirma que está se sentindo ‘em casa’ no Centrão

Bolsonaro se filia ao PL e afirma que está se sentindo ‘em casa’ no Centrão

Flavio Bolsonaro caracterizou Sergio Moro como traidor.

O presidente Jair Bolsonaro assinou ontem sua ficha de filiação ao PL, encerrando um período de mais de dois anos em que ficou sem partido. Eleito em 2018 sob a bandeira da antipolítica, Bolsonaro disse estar se sentindo “em casa” e apontou “grandes semelhanças” entre ele e o Centrão – grupo do Congresso que teve cargos em todos os governos desde a redemocratização do país. A pedido do presidente, o evento ocorreu em um espaço pequeno, com capacidade para cerca de 200 pessoas.

Por Fabio Murakawa e Matheus Schuch no VALOR ECONÔMICO

Mesmo assim, foi muito concorrido, o que gerou aglomerações tanto no auditório quanto na antessala, onde imprensa, assessores e apoiadores de Bolsonaro foram instalados. Em seu discurso, Bolsonaro tentou justificar o fato de ingressar em uma das principais legendas do Centrão. “A nossa filiação é uma passagem para que a gente possa pleitear algo ali na frente”, disse o presidente, diante de ministros, governadores e dezenas de parlamentares na plateia. “Eu vim do meio de vocês, fiquei 28 anos na Câmara dos Deputados. Há uma semelhança muito grande entre nós e ninguém faz nada sozinho.” Junto com o presidente, firmaram sua adesão à legenda o senador Flávio Bolsonaro (RJ) e o ministro Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, que pretende concorrer ao Senado pelo Rio Grande do Norte.

Bolsonaro dirigiu-se também aos presidentes de duas legendas que disputaram sua filiação com o PL: o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, do PP; e o deputado Marcos Pereira (SP), do Republicanos. Ele lembrou ter passado pelo PP. E disse, sobre os partidos que espera ter ao seu lado em 2022, que juntos formam uma família. “Uma filiação é como um casamento”, afirmou Bolsonaro, que já esteve em oito partidos antes do PL. “Agora, não seremos marido e mulher, seremos uma família. Mas vocês todos fazem parte dessa nossa família.” Olhando para outro líder do Centrão, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), Bolsonaro prometeu que “nenhum partido será esquecido por nós”. “Estou me sentindo aqui, Arthur Lira, em casa”, afirmou. “Presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto conseguiu costurar acordos nos Estados para atrair o presidente. Bolsonaro exige escolher candidatos ao governo e ao Senado em Estados chave, como São Paulo. E veta alianças regionais com partidos de esquerda. “Senhor presidente, temos a noção exata da nossa responsabilidade ao empunhar as bandeiras de sua obra à frente de um governo que nunca se intimidou”, afirmou Costa Neto, que foi preso e condenado no mensalão do PT.

Bolsonaro deu também um recado para o diretório paulista do PL, que resistiu à sua filiação por conta de um acordo com o governador João Doria e o vice, Rodrigo Garcia, ambos do PSDB. Ele pretende lançar o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, ao governo do Estado. E, com isso, ter um palanque fiel no Estado. “É uma esperança para o nosso querido Estado de São Paulo”, disse Bolsonaro no discurso. “Quero deixar bem claro que eu e Valdemar não seremos as pessoas que vão decidir tudo sozinho. Em grande parte, vai passar por vocês. Queremos compor.” Antes de entrar no evento, Flávio falou com jornalistas e também fez referência a Tarcísio. “Ele está numa função chave do projeto de resgatar o país junto com o Bolsonaro”, disse. O ministro tinha como plano candidatar-se ao Senado em Goiás. Mas, segundo fontes do governo, está disposto a aceitar a “missão” em São Paulo. Questionado por jornalistas sobre se pretendia se filiar ao PL, Tarcísio desconversou: “Hoje, não”. Com Bolsonaro relativamente discreto, coube ao senador fazer um discurso com ataques mais ácidos aos dois principais rivais do pai na corrida eleitoral de 2022: o ex-presidente Lula e o ex-ministro Sergio Moro. “Juntos, vamos vencer o vírus, qualquer traidor e qualquer ladrão de nove dedos, pelo bem do Brasil”, disse. “Esse humilhado que está sendo exaltado por Deus está aqui na minha frente, Jair Messias Bolsonaro. E ainda nos querem fazer ver que um ex-presidiário [Lula] está à frente de Bolsonaro nas pesquisas, mesmo com o trabalho excepcional que vem fazendo à frente da Presidência da República. O golpe está aí, cai quem quer.” Além de apontar Lula com grande vantagem, as pesquisas vêm mostrando Moro em terceiro lugar, retirando votos de Bolsonaro e de outros candidatos como Doria e Ciro Gomes (PDT). “A política pode até perdoar a traição, mas não perdoa o traidor”, disse Flávio, sobre o ex-ministro da Justiça. “Traidor é aquele que, por ação ou omissão, interfere na Polícia Federal. Traidor é aquele que tenta colocar no governo pessoas que defendam o aborto. Traidor é aquele que não tomou as devidas providências para descobrir quem mandou matar Bolsonaro.” O presidente, que ascendeu após quatro mandatos do PT, disse ter tirado o Brasil da esquerda. E que, com isso, fez “brotar no coração do brasileiro o sentimento de patriotismo”, que passou “a falar em Deus, pátria e família”. Além do presidente, Flávio e Marinho, o PL deve atrair mais de 20 deputados eleitos pelo PSL na onda bolsonarista de 2018, como Eduardo Bolsonaro (SP). Ligado à ala ideológica dos apoiadores do pai, que questionam a aliança com o Centrão, Eduardo disse que o presidente não escolhe os parlamentares. “O presidente tem que governar com o Congresso que tá aí. […] Ele não é um ditador. O Congresso, quem escolhe não é o presidente, é a população”, disse. “Mas eu estou feliz, sim, de estar no PL, que é um partido grande, tem um tempo de televisão, tem uma estrutura, e está nos recebendo de braços abertos. Tem tudo para dar certo, sim.”

FONTE

https://valor.globo.com/politica/noticia/2021/12/01/bolsonaro-se-filia-ao-pl-e-afirma-que-esta-se-sentindo-em-casa-no-centrao.ghtml