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Com eleição de Ortega, Nicarágua retorna às Novas Rotas da Seda (Belt and Road Initiative)

Com eleição de Ortega, Nicarágua retorna às Novas Rotas da Seda (Belt and Road Initiative)

Os governos de esquerda recém-eleitos voltam a se aproximar da China.

Nessa segunda-feira em Manágua, ocorreu a cerimônia de posse do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. Na presença de convidados da Rússia e China, Ortega reafirmou seu compromisso no aprofundamento da cooperação entre os países.

Na reunião ocorrida antes da cerimônia, o enviado especial chinês, Cao Jianming e Ortega assinaram acordos de cooperação no âmbito das Novas Rotas da Seda (BRI), a Cooperação Marítima do Séc. XXI, a isenção de vistos para portadores de passaportes diplomáticos, assuntos públicos e oficiais mútuos.

Ainda na segunda, antes da posse, os EUA impuseram sanções a autoridades da Nicarágua sob pretexto de “atos violentos do Estado”.  Aderindo aos EUA, a União Europeia anunciou novas sanções a indivíduos nicaraguenses por “minar a democracia e abusos dos direitos humanos”.

Em 2017, a China estava financiando a construção do Canal da Nicarágua, que ligará o Atlântico ao Pacífico, similar ao Canal do Panamá, permitindo uma rota comercial entre os países asiáticos e o ocidente, livre do controle estadunidense. (o que beneficiará em muito as exportações brasileiras).

Em abril de 2018, durante a gestão de Ortega, começaram protestos contra reformas previdenciárias propostas pelo governo. Mesmo o governo suspendendo as reformas e abrindo diálogo com a população, os protestos se intensificaram. Os protestos se tornaram mais violentos, e as reivindicações mudaram, exigindo a renúncia de Ortega.

Mais tarde se soube haver jovens infiltrados, os quais foram capacitados pelo IEEPP (Instituto de Estudos Estratégicos e Políticas Públicas), financiado pelo NED (Fundo Nacional para a Democracia) e pela USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Think tanks sabidamente usadas pelos EUA para dar golpes em toda a América Latina.

A NED é uma das financiadoras da Global Americans, que recentemente apareceu nas investigações realizadas pela imprensa do PCO, como apoiadora de um instituto brasileiro, IREE (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresas).

No ano passado, os EUA acusaram fraude nas eleições da Nicarágua, na tentativa de impedir que Daniel Ortega retornasse à presidência. Vários dos partidos da esquerda brasileira somaram-se ao coro estadunidense contra Ortega.

Lula, perguntado sobre a reeleição de Ortega, em entrevista ao El País, disse que a soberania da Nicarágua deveria ser respeitada. E foi prontamente atacado por toda a imprensa brasileira, imputando-o estar minimizando a ditadura de Ortega.

Sobre o retorno da Nicarágua às Novas Rotas da Seda (BRI), os analistas chineses acreditam que os EUA estão determinados a garantir sua influência absoluta na região e dispostos a recorrer a sanções, ameaças e até invasões militares para isso. Porém, pelas necessidades da região e as vantagens oferecidas pela China; construção de infraestrutura, parcerias comerciais, transferência de tecnologia e desenvolvimento econômico; os governos de esquerda recém-eleitos voltam a se aproximar da China.

AUTOR

Marcus Atalla

Graduação em Imagem e Som – UFSCAR, graduação em Direito – USF. Especialização em Jornalismo – FDA, especialização em Jornalismo Investigativo – FMU

FONTE

https://www.brasil247.com/blog/com-eleicao-de-ortega-nicaragua-retorna-as-novas-rotas-da-seda-belt-and-road-initiative