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Com vacinação acelerada, EUA podem ser o 2º maior exportador de vacinas

Com vacinação acelerada, EUA podem ser o 2º maior exportador de vacinas

Presidente Joe Biden disse ontem que todos os adultos poderão ser vacinados nos EUA até 19 de abril. Com isso, país poderá exportar até um bilhão de doses de vacinas neste ano.

Os EUA poderão se tornar o segundo maior exportador de vacinas contra a covid-19 até o fim do ano, só atrás da Índia, com potencial para vender mais de um bilhão de doses, estima a Airfinity, consultoria de saúde de Londres. Até agora, os EUA usaram quase todas as doses que produziram para vacinar sua população. O presidente Joe Biden disse ontem que todos os adultos do país poderão ser vacinados até 19 de abril, antes da data anterior, de 1º de maio.

Por Assis Moreira — De Genebra para o Valor Econômico

Assim, para a Airfinity, com base no que se espera que os EUA produzam ao longo do ano e no número de doses que o país precisará para vacinar totalmente sua população, até dezembro os EUA poderão ter um excedente de mais de 1 bilhão de doses. Se os EUA decidirem não manter essas doses e, em vez disso, exportá-las, terão potencial de exportar 1 bilhão de doses, nota a consultoria britânica. Só ficariam atrás do potencial de exportações da Índia, estimado em 1,470 bilhão de doses. A China viria em terceiro lugar com 804 milhões de doses até dezembro. A decisão política do governo Biden é de entrar decisivamente na diplomacia da vacina e não deixar o terreno ser ocupado por China e Rússia. “Temos o dever com outros países de colocar o vírus sob controle aqui nos EUA”, afirmou o secretário de Estado americano, Anthony Blinken, nesta semana. “Mas em breve os EUA precisarão intensificar o trabalho e estar à altura [do que exige] a situação em todo o mundo”. Vários países ricos que encomendaram vacinas demais também poderão querer exportar parte do estoque, dependendo da evolução da pandemia. Pode ser o caso da União Europeia (UE), com potencial de exportar 346 milhões de doses; do Reino Unido, com 183,5 milhões; e do Canadá, com 126,5 milhões, segundo a Airfinity.

Até agora, 160 países receberam vacinas contra a covid-19. Metade deles recebeu ao menos um lote de doses produzidas na Índia. Outros 47 somente receberam vacinas produzidas na Índia. Mas com os atrasos de produção anunciados pelo Serum Institute, da Índia, aumentaram as dúvidas sobre a entrega de até 50 milhões de doses em abril. Isso pode resultar em atraso na vacinação entre uma semana a até três meses. A preocupação com turbulências na produção de vacinas inquieta países como o Brasil, diante do colapso nacional e com número crescente de mortos. Autoridades brasileiras não cessam agora de conclamar a comunidade internacional a fornecer ajuda para combater a pandemia. Até agora, as respostas tem sido evasivas. No sábado, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, lembrou ao ministro da Saúde do Brasil, Marcelo Queiroga, que há problemas de produção em várias fábricas. Com a pandemia muito disseminada, países produtores começam a restringir as exportações de doses. Assim, é difícil aumentar o número de doses para o Brasil no curto prazo. A OMC incentivou, em contrapartida, o Brasil a ampliar a produção interna de vacina e se dispôs a ajudar. Para Tedros, seria muito importante também se o Brasil apoiar a demanda da Índia e da África do Sul para suspender os instrumentos de proteção de propriedade intelectual relacionadas a remédios contra a covid. Segundo o diretor-geral da OMS, sem medidas como flexibilização para produção de vacinas, o prognóstico é que vários países mais pobres só completarão a vacinação em dois a três anos. Tedros insistiu que a vacina é importante, mas não resolve sozinha o problema agudo do Brasil. Lembrou que a Coreia do Sul conseguiu interromper a explosão do vírus antes mesmo de qualquer perspectiva de vacina, só executando medidas como uso de máscara, distanciamento social, rastreando contatos e fazendo testes. Isso, segundo ele, seria essencial para reverter a curva da fase aguda da pandemia no Brasil.

FONTE:

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2021/04/07/com-vacinacao-acelerada-eua-podem-ser-o-2o-maior-exportador-de-vacinas.ghtml