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Como jornalistas investigativos podem trabalhar com mais segurança

Como jornalistas investigativos podem trabalhar com mais segurança

Há 20 anos as conferências da Rede Internacional de Jornalismo Investigativo (GIJN na sigla em inglês) ajudam a disseminar no mundo todo as boas práticas de jornalismo investigativo. Nossa última Conferência Global de Jornalismo Investigativo — GIJC21, realizada em novembro — não foi diferente. Estamos divulgando os vídeos da conferência, e nesta semana destacamos tópicos sobre boas práticas relacionadas à segurança de repórteres, segurança digital, estresse e proteção de fontes.

Oficina: segurança física

Jornalistas não podem mais ignorar as ameaças à segurança física das fontes e de si mesmos. Da Sérvia à Rússia e mesmo em democracias maduras, repórteres e suas fontes enfrentam ataques de serviços de segurança, oligarcas, dentre outros.

Por GIJN STAFF no IJNET

Nesta oficina da GIJC21, dois editores investigativos com ampla experiência global falam sobre essas ameaças. Drew Sullivan, do Projeto de Reportagem de Crime Organizado e Corrupção (OCCRP na sigla em inglês) e Stevan Dojčinović, do site investigativo sérvio KRIK, compartilharam estratégias para preservar a segurança e mitigar riscos.

 

Oficina: Ferramenta de Avaliação de Segurança do Jornalista

A necessidade de proteger nossas fontes, matérias e nós mesmos nunca foi tão grande. Porém, estudos mostram que muitas redações e repórteres falham até mesmo na adoção de proteção básica. Para tornar isso mais fácil, a GIJN trabalhou com especialistas da Ford Foundation para desenvolver a Ferramenta de Avaliação de Segurança do Jornalista (JSAT na sigla em inglês), lançada na GIJC21. Em apenas uma hora, a JSAT ajuda a identificar — e melhorar — as condições de segurança digital e física da sua organização jornalística. Três grandes especialistas em segurança que ajudaram a criar a JSAT, Runa Sandvik, Matt Hansen e Matt Mitchell, deram conselhos nesta oficina sobre boas práticas de segurança.

 

Lidando com burnout e estresse

Jornalistas frequentemente trabalham noite e dia em circunstâncias difíceis — nós testemunhamos alguns dos piores acontecimentos no mundo e estamos sob ataque como nunca antes. Como, então, podemos tomar conta de nós mesmos ao mesmo tempo em que fazemos nosso trabalho? Neste painel da GIJC21, Elana Newman e Bruce Shapiro, especialistas do Dart Center for Journalism and Trauma, deram dicas sobre como jornalistas podem cuidar de seu próprio bem-estar mental ao mesmo tempo em que apoiam seus colegas.

 

Investigação de ataques contra jornalistas

No mundo todo, os jornalistas estão lidando com ataques de assédio, vigilância, ameaças legais e abuso físico na medida em que os poderosos tentam silenciar as pautas que a imprensa investiga. A taxa de impunidade pelo assassinato de jornalistas é de quase 90%. Mas a mídia e seus aliados estão revidando, ao investigarem cada vez mais esses ataques e mantendo vivo o trabalho de jornalistas silenciados. A GIJC21 montou um painel extraordinário sobre esse tema, apresentando o trabalho inovador do Forbidden Stories sobre o software de espionagem Pegasus, o projeto Safer World for the Truth, da Free Press Unlimited, além de jornalistas na linha de frente na Índia, Rússia e Zimbábue.

 

 

Oficina: proteção das fontes

Esta oficina da GIJC21, com a participação do especialista em segurança do New York Times, Jason Reich, e da diretora de segurança digital da Freedom of the Press Foundation, Harlo Holmes, é praticamente a equipe dos sonhos de segurança no jornalismo. A segurança de jornalistas, das suas fontes e dos dados que eles comunicam é uma outra vítima dos cortes de orçamento e de funcionários nas redações do mundo todo. Enquanto isso, ameaças de hackers estão explodindo, freelancers vulneráveis estão cada vez mais fazendo pautas perigosas e difamações públicas contra repórteres investigativos e suas fontes, taxadas de “espiões” ou “agentes estrangeiros” são comuns. Soluções inovadoras — de governança de dados segura a protocolos de segurança para editores — foram discutidas por esses grandes especialistas em segurança da mídia.

 

Oficina: blindando a sua matéria

Em meio à praga do assédio jurídico à imprensa, é mais importante do que nunca tornar o seu trabalho “à prova de balas”. Na GIJC21, dois dos melhores especialistas para ajudar nisso — o jornalista veterano Nils Hanson e a advogada Alinda Vermeer, que comanda a Media Defence — deram conselhos sobre como blindar investigações antes da publicação. Hanson é autor do Guia de Verificação de Fatos de Matérias Investigativas da GIJN e Vermeer ajudou a produzir o Guia de Jornalismo para Evitar Processos e Outros Riscos Legais, também da GIJN, traduzido para 11 idiomas.

 

Recursos adicionais

Jornalismo Investigativo: Segurança — Treinamento gratuito da GIJN

Lançamento da Ferramenta de Avaliação de Segurança do Jornalista da GIJN

Guia de Segurança Digital da GIJN


Este artigo foi originalmente publicado pela Rede Internacional de Jornalismo Investigativo e republicado aqui com permissão.

Foto por Gabriel Benois no Unsplash.

 

FONTE

https://ijnet.org/pt-br/story/como-jornalistas-investigativos-podem-trabalhar-com-mais-seguran%C3%A7a