Associação Brasileira dos Jornalistas

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Democracia é guerra, autocracia, paz!

A democracia, como sinônimo de liberalismo, virou representação do capitalismo que se expande fazendo ocupações e guerras.

As palavras, disse Freud, servem para esconder o pensamento.

Os liberais europeus, com derrocada europeia, depois de caírem no conto do vigário do neoliberalismo de Washington, pós-guerra fria, levando-os a romper com a Rússia, estão desalentados, como demonstra Martin Wolf, do Financial Time.

Democracia sucumbe-se como palavra mágica, sem conteúdo.

Para ela se dirigem todas as polêmicas argumentativas que a dão como a última palavra no entendimento da melhor forma de chegar à paz.

Freud colocaria essa questão em dúvida à luz da realidade dos fatos, minimizando-a à categoria de papo furado.

Quem mais promove guerras que colocam a paz como algo meramente subjetivo, senão o capitalismo?

Nos cinco continentes, os Estados Unidos, potência imperialista mais poderosa da história humana, dispõem de mais de 180 bases militares, plataformas para invadir interesses alheios e roubá-los em nome da democracia.

Como mostra em “História, Estratégia e Desenvolvimento”, Boitempo, José Luís Fiori identifica a expansão do capitalismo como algo semelhante à expansão do universo, como força da acumulação do poder, remonetização das economias europeus, desde século 12, motivada por guerras intermitentes.

Os Estados, na formação da Europa, avançam além de suas fronteiras para ocupar terras, cobrar impostos, escravizar conquistados e encher o caixa de recursos para promover mais e mais guerras, como alavanca do desenvolvimento interno na construção da industrialização que requer insumos importados etc.

A democracia, como sinônimo de liberalismo, virou representação do capitalismo que se expande fazendo ocupações e guerras.

A paz não é com ela – palavras, palavras, palavras…. vazias.

TRAGÉDIA ATUAL

Os dois exemplos mais claros no momento mundial, que mina o conceito de democracia, em escala acelerada, são a tentativa de os Estados Unidos usarem, por meio da Otan, a Ucrânia como cabeça de ponte para alcançar a Rússia nacionalista anti-imperialista e expandir, interminavelmente, para o leste, e a ocupação da Palestina por Israel, armada até os dentes por Washington.

No primeiro caso, Biden-Otan tenta colocar cunha entre Rússia e China, para inviabilizar ascensão do colosso militar-comercial geopolítico euroasiático, que se fortalece por meio dos BRICs, para construir nova fronteira desenvolvimentista global por meio da Rota da Seda.

O titular da Casa Branca foge de xeque-mate de Putin-Xi Jinping no ocidente anglo-saxão, abalado pela financeirização, que mina dívida pública americana, já na casa dos 34 trilhões de dólares, bomba atômica, por enquanto(não se sabe até quando) adormecida, contra o dólar.

No segundo caso, a tentativa americana de armar e empoderar Israel, visa mesmo objetivo: dominar todo o Oriente Médio, encharcado de petróleo, e a África, agricultura extensiva, para barrar China e Rússia que estão unidas na tarefa de construção do novo espaço geopolítico que implica cooperação, não confrontação, oposto da marca registrada de Tio Sam de agredir para se afirmar.

Rússia e China, autocratas, diz Tio Sam, constroem estratégias defensivas, mesmo que estejam, como é o caso da Rússia, guerreando contra Ucrânia-Otan, e como a China que se arma contra ameaça americana a Taiwan etc.

Nesse cenário, é que o articulista inglês argumenta a fragilidade da democracia, indiscutivelmente, na vanguarda da promoção de guerra e ditadura, para sustentar o liberalismo como proposta para a humanidade frente à autocracia que, segundo ele, domina China e Rússia.

Onde está a agressividade autocrática chinesa e russa, na tarefa de construção dos BRICS, se seu discurso é o da cooperação internacional?

GUERRA MONETÁRIA

O medo do ocidente anglo-saxão é substantivo: suas armas monetárias, ancoradas em Banco Centrais independentes, revelam-se instáveis e inconfiáveis, porque, na tarefa de impulsionar financeirização especulativa, produzem guerras.

Por meio delas, incrementam sua principal fonte de renda, a fabricação de produtos bélicos, espaciais e atômicos em escala crescente, com a consequente lógica destrutiva.

A produção de guerra destina-se à imediata destruição como fator de reprodução capitalista, sem oferecer alternativa pacífica.

Os trabalhadores, no cenário da guerra, viram escravos da economia da exterminação do valor-trabalho.

Israel nunca investiu tanto em guerra para destruir capital, de modo a dar cabo da Palestina, sem apresentar justificativa de que colocará a vida no lugar do que está destruindo, brutalmente.

Esse é o discurso das potências democráticas, que, ideologicamente, se autodestrói por não ter efetiva utilidade.

Já as autocracias, que dependem de políticas monetárias que se sustentam em bancos públicos e não privados (bombeadores de guerras), o panorama é outro.

A utilidade se revela em propostas de cooperação e solidariedade.

O liberalismo, que Martin Wolf vê esvaziar-se em escala global, é matéria prima-política sem alma, incapaz de gerar esperança.

Ele, em princípio, é o oposto do que pregam seus propagandistas, como Wolf, sendo obrigado a reconhecer seu ocaso como ideal grandioso, mas que não passa de palavras, como diria Freud, para esconder o pensamento sinistro.

Afinal qual é a essência do pensamento de Biden, farol da democracia, que bombeia a guerra genocida de Netanyahu contra os palestinos?

FONTE:

https://www.brasil247.com/blog/democracia-e-guerra-autocracia-paz