Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 12 anos lutando pelos jornalistas

Desastre no RS por chuva já é um dos 10 com mais mortes no país; leia lista

O desastre no Rio Grande do Sul, causado pelas fortes chuvas que atingem o estado desde o final de abril, já é uma das dez tragédias ambientais com o maior número de mortes do país. Segundo o boletim divulgado pela Defesa Civil na noite de sexta-feira (10), 126 mortes foram confirmadas.

Região serrana do RJ

Chuvas de janeiro de 2011 na região serrana do Rio de Janeiro são responsáveis pela maior tragédia climática do Brasil, com mais de 900 mortes.

Ministério Público fala em 99 pessoas desaparecidas. Porém, os três municípios mais afetados (Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis) falam em 307.

Caraguatatuba

Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, foi palco de uma tragédia quando uma tromba-d’água atingiu a cidade e matou mais de 400 pessoas em março de 1967.

Desastre climático aconteceu após meses de chuvas fortes. Quando houve a tromba-d’água, a cidade havia acumulado 420 mm de chuva.

Rio de Janeiro

Em 20 de janeiro de 1967, o estado do Rio de Janeiro sofreu com um temporal que deixou 300 pessoas mortas e 25 mil feridos.

Somente no bairro de Laranjeiras, 200 mortes foram registradas pelas autoridades após um deslizamento soterrar casas e prédios.

Petrópolis

Cidade viu história se repetir quando 235 morreram em fevereiro de 2022, 11 anos depois do desastre na região serrana.

Chuvas alagaram ruas, destruíram casas e bairros inteiros.

Recife

Ainda a maior tragédia ambiental da história de Pernambuco, as chuvas de maio de 1966 deixaram 175 mortos em Recife.

Enchentes deixaram várias regiões da capital pernambucana submersas.

Região metropolitana do Rio

Rio de Janeiro volta a presenciar mais um desastre ambiental quando, em abril de 2010, 138 pessoas morrem após fortes chuvas na região metropolitana.

Niterói foi a cidade que registrou o maior número de mortes, 72. São Gonçalo, Nilópolis, Engenheiro Paulo de Frontin, Petrópolis e Magé também sofreram as consequências das chuvas.

Dezenas de cidades decretaram situação de emergência, enquanto outras decretaram estado de calamidade pública.

Santa Catarina

Fortes chuvas em dezembro de 2008 deixaram 135 mortos após atingirem 16 cidades do Vale do Itajaí. Essa é considerada a maior tragédia de Santa Catarina.

Pernambuco

Temporal registrado nas regiões entre Recife e Jaboatão dos Guararapes, em junho de 2022, deixou 129 pessoas mortas.

Milhares de famílias ficaram desabrigadas ou desalojadas.

Rio Grande do Sul

Chuvas que atingem o Rio Grande do Sul desde o final de abril já deixaram 126 mortos. Quase dois milhões de pessoas foram afetadas pelas fortes chuvas.

Do total de municípios gaúchos, mais de 88% já sofrem consequências dos temporais. São 141 desaparecidos e 756 feridos, segundo o boletim da Defesa Civil divulgado na sexta.

Há 151.700 clientes da concessionária RGE Sul sem energia elétrica. São 315.234 de clientes sem água, de um total de 6 milhões de clientes da Corsan no RS. Há ainda dezenas de municípios sem serviços de telefonia e internet das companhias Tim e Vivo, segundo a Defesa Civil — o serviço da Claro foi normalizado.

São Sebastião

Chuvas no litoral norte de São Paulo, em fevereiro do ano passado, deixaram 65 pessoas mortas na regiãoDesse total, 64 óbitos foram registrados em São Sebastião. A outra morte aconteceu em Ubatuba.

Ação do Estado foi ‘reativa’

Na avaliação do professor Gean Paulo Michel, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), a reação dos governos – federal, estadual e municipal – no desastre no RS foi “reativa”. O pesquisador, que é presidente da Comissão Técnica de Desastres da ABRHidro (Associação Brasileira de Recursos Hídricos), diz que não foi aplicada a GRD (Gestão de Risco de Desastres).

Michel também diz que não há “vontade política”. “Isso faz com que a ação do poder público seja a de ‘apagar o fogo’ quando o desastre ocorre”. O professor acredita que, como Porto Alegre conta com o Sistema de Proteção contra Inundações, a cidade não desenvolveu habilidades de enfrentamento para desastres como o que ocorre no momento, já que não imaginava que pudesse ser atingida por uma inundação.

Medidas de prevenção. “Daí vem a importância de uma abordagem preventiva, onde as pessoas entendem o contexto de risco do local onde habitam e previnem-se e prepararam-se para estas situações adversas. Então faltaram sistemas de alerta, mapeamentos de áreas propensas a inundação, planos de contingência, etc”.

Gean Paulo Michel ressalta que a reconstrução das cidades é uma oportunidade para adotar as práticas de prevenção para evitar um novo desastre. “Pensando em como prevenir os desastres que sabemos que podem ocorrer em nosso território. Estas etapas do ciclo de gestão devem ser conduzidas de maneira contínua e eventualmente elas se sobrepõem, como em uma ação de recuperação que já visa a prevenção de futuros desastres”.

O governador do RS, Eduardo Leite (PSDB), alterou cerca de 480 normas do Código Ambiental em seu primeiro ano de mandato, em 2019, segundo o jornal Folha de S.Paulo. A medida, sancionada em 2020, acompanhou o afrouxamento da política ambiental brasileira incentivada, à época, pelo então ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente.

Ambientalistas associam o afrouxamento da política ambiental com o desastre que assola o RS desde o fim de abril. Em nota, o governo diz que a mudança do código teve, como base, discussões que envolveram sociedade e instituições, como a Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental). O Executivo afirma ainda que as catástrofes climáticas são uma tendência mundial, com ocorrências mais frequentes e intensas, sendo assim, não atribuíveis à atualização da lei.

FONTE:

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/05/11/desastres-lista-rs.htm