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Desemprego cai a 4,7% no Brasil, menor da história

O desemprego brasileiro caiu para 4,7 por cento em dezembro, ante 5,2 por cento em novembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Com isso, a taxa fechou 2011 com a média de 6,0 por cento, sendo que em 2010 ela havia ficado em 6,7 por cento.

Os resultados de dezembro e do ano são os menores desde o início da série do IBGE, em 2002. Economistas consultados pela Reuters projetavam leitura de 4,9 por cento em dezembro.

Na avaliação do IBGE, os números mostram que houve uma melhora qualitativa no mercado de trabalho em 2011 “Em 2009, a crise arrastou o mercado de trabalho e 2010 foi um ano de recuperação de perdas”, disse o coordenador da pesquisa Cimar Azeredo. Já em 2011, a crise não abalou o mercado de trabalho. “Foi um ano de ganho, e não de recuperação”, acrescentou Cimar.

No setor privado, o emprego com carteira assinada avançou em 2011 para um contingente de 10,8 milhões de pessoas nas 6 regiões metropolitanas pesquisadas, ante 10,2 milhões em 2010 -crescimento de 6,8 por cento.

PROBLEMAS ESTRUTURAIS

O total de desocupados atingiu na média de 2011 o menor patamar da série, 1,426 milhão de pessoas, contra 1,591 milhão em 2010 -queda de 10,4 por cento. Na ponta da série, esse contingente de desempregados nas 6 regiões é ainda mais baixo -1,133 milhão, de acordo com o IBGE.

“O ano de 2011 foi de um manancial de resultados favoráveis, mas você ainda tem mazelas no mercado e ainda há muito a ser feito”, ressaltou Cimar Azeredo.

Entre os problemas estruturais que permeiam o mercado de trabalho estão, de acordo com o coordenador da pesquisa do IBGE, o contingente elevado de desempregados, o fato de haver 29 por cento das pessoas em idade ativa na informalidade, as diferenças regionais marcantes -embora elas estejam diminuindo- e as diferenças salariais de gênero e raça.

Em 2011, as mulheres ganhavam 72,3 por cento do rendimento médio dos homens. No início da pesquisa, em 2003, esse percentual era de 70,8 por cento. Em média, os profissionais pretos ou pardos ganhavam pouco mais da metade do rendimento recebido pelos brancos. Além disso, a taxa de desemprego entre as mulheres ficou em 7,5 por cento em 2011, ao passo que entre os homens foi de 4,7 por cento.

CRESCIMENTO LIMITADO

Embora tenham sido atingidas mínimas recordes, os dados do desemprego em 2011 não chegaram a representar uma surpresa, na opinião do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves. “Obviamente, é por causa das contratações temporárias de novembro e dezembro”, acrescentou.

Segundo Gonçalves, o nível de emprego já dá sinais de fadiga, apesar de continuar sendo a parte mais robusta da atividade econômica.

Para o economista da Tendências Rafael Bacciotti, a taxa anual deve diminuir ainda mais, para 5,8 por cento em 2012, incentivada também pela política monetária, com mais reduções da Selic -hoje a 10,50 por cento ao ano. Apesar disso, ele ressalta que o crescimento do emprego será limitado neste ano, uma vez que o nível de ociosidade da mão de obra está bastante reduzido.

No mês passado, a população ocupada caiu 0,4 por cento em comparação a novembro, totalizando 22,734 milhões. Sobre dezembro de 2010, houve um crescimento de 1,3 por cento. Na média de 2011, a população ocupada avançou 2,1 por cento ante 2010, chegando a 22,5 milhões.

O salário médio do trabalhador brasileiro, em dezembro, ficou em 1.650 reais, um ganho de 1,1 por cento sobre novembro e de 2,6 por cento em relação a um ano antes.

Na média do ano passado, o salário médio ficou em 1.625,46 reais, o maior patamar da série do IBGE, com crescimento de 2,7 por cento sobre a média de 2010. De 2009 para 2010, o ganho foi maior e atingiu 3,8 por cento, segundo o Instituto. “Tem aí o efeito da inflação alta e também da formalização com salários mais baixos, além do fato de o salário mínimo ter tido uma alta menor”, afirmou o coordenador do IBGE.

Por Rodrigo Viga Gaier

FONTE:

https://veja.abril.com.br/economia/desemprego-cai-a-47-no-brasil-menor-da-historia