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Embrapa na Linha de Frente da Adaptação Climática no Brasil: Segurança Alimentar em Tempos de Crise

A Crise Climática e a Segurança Alimentar.

A crise climática é uma realidade que impacta diretamente a produção global de alimentos. Fenômenos extremos, como secas, inundações e o aumento da temperatura média global, comprometem a capacidade de desenvolvimento de culturas agrícolas em diversas regiões. Essa situação obriga a migração de culturas para novas áreas e exige o desenvolvimento de cultivares mais resistentes. O recente desastre ambiental no Rio Grande do Sul ilustra de forma dramática esses desafios. As perdas agrícolas no estado somam R$ 2,7 bilhões, de acordo com a Confederação Nacional dos Municípios, com uma projeção de queda de 0,2 a 0,3 ponto percentual no PIB do Brasil em 2024, segundo o Bradesco.

Os Riscos Climáticos para as Principais Commodities.

Um estudo da PwC enfatiza os riscos climáticos enfrentados por três dos grãos mais consumidos no mundo — arroz, milho e trigo — que representam 42% das calorias consumidas pela população global. O relatório “Riscos climáticos para nove commodities principais” destaca que até 90% da produção mundial de arroz poderá enfrentar estresse térmico significativo. Esse panorama é preocupante, especialmente diante da crescente demanda por esses alimentos. Projeções da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sugerem que a demanda global por trigo e arroz aumentará 11% e por milho 12% entre 2023 e 2032.

Embrapa: Pioneira na Adaptação Climática da Agricultura Brasileira

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está na linha de frente dos esforços para adaptar a agricultura brasileira às mudanças climáticas. Com um portfólio robusto de mais de cem projetos focados em mudanças climáticas, a Embrapa desenvolve tecnologias e práticas que não só mitigam as emissões de gases de efeito estufa, mas também adaptam as culturas a eventos climáticos extremos.

Iniciativas Cruciais da Embrapa

1. Plataforma de Métricas de Balanço de Carbono:
– Esta plataforma visa definir padrões para mensurar as emissões e a absorção de carbono de diferentes culturas, adaptados às condições climáticas tropicais do Brasil. Essa iniciativa é crucial para o desenvolvimento de políticas públicas de mitigação e para manter a competitividade no mercado internacional, respondendo à demanda por produtos de baixa emissão com rastreabilidade.

2. Simulação de Cenários Climáticos:
– A Embrapa está conduzindo estudos detalhados para simular cenários futuros para nove culturas diferentes, com base no último relatório do IPCC. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) ajudará a identificar quais culturas serão mais ou menos impactadas pelos diferentes cenários climáticos. Resultados preliminares indicam que culturas tropicais, como mandioca e cana-de-açúcar, poderão expandir suas áreas de produção, enquanto culturas temperadas tropicalizadas, como soja e trigo, tendem a perder áreas.

A Importância da Adaptação Rápida

Patricia Seoane, sócia da PwC Brasil, sublinha a necessidade de aumentar a resiliência dos setores econômicos ao prever os riscos climáticos e incorporá-los no planejamento de produtores e empresas. “Isso precisa entrar na contabilidade dos produtores, no planejamento das empresas”, afirma Seoane. A adaptação rápida é vital para garantir a segurança alimentar e econômica do país.

Conclusão

A Embrapa desempenha um papel fundamental na adaptação da agricultura brasileira às mudanças climáticas. Com suas pesquisas e tecnologias inovadoras, a organização está capacitando o setor agrícola a enfrentar os desafios impostos pelo clima extremo. A continuidade e o apoio a essas iniciativas são cruciais para assegurar que o Brasil mantenha sua segurança alimentar e continue a ser um líder global na produção agrícola, mesmo em face das adversidades climáticas.

FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas

( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )