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Endividamento dos EUA ‘é bomba atômica’, diz Jakurski, da JGP

A dívida pública americana, que era de US$ 22 trilhões antes da pandemia, agora está em US$ 34 trilhões, aumentou mais de 50% num intervalo curto e o governo continua gastando dinheiro.

A rápida desinflação nos Estados Unidos nos últimos meses foi a grande surpresa, está praticamente na meta perseguida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), mas à frente a sucessão presidencial coloca uma dúvida nessa trajetória, segundo André Jakurski, sócio-fundador da JGP. A última pernada da redução dos preços na economia pode ser mais difícil.

Ao participar de evento do BTG Pactual, ele comentou que o “establishment pensante” é todo contra o ex-presidente americano e pré-candidato republicano Donald Trump, que pode desestabilizar a geopolítica “dramaticamente e até a democracia americana, segundo alguns”.

Para o gestor, existe um esforço que vai ser feito de maneira intensa para tentar derrubar a viabilidade do ex-presidente nas eleições e que o Fed “estaria mais propenso a baixar os juros do que normalmente e o governo Biden a gastar mais dinheiro do que se imaginaria como possível”.

No Congresso há pacotes que incluem desde incentivos para retenção de empregos para empresas até mudanças na contabilização de despesas com pesquisa e desenvolvimento que subtraem potencialmente centenas de bilhões de dólares dos cofres públicos. “Então você tem aí o tradicional gasto público em véspera de reeleição. Eu diria que essas coisas vão mais ou menos balizar o que vai acontecer com a inflação”, disse Jakurski.

O gestor citou que os índices de preços caíram dramaticamente pela queda de bens, com a China como um importante “partícipe” desse movimento pela deflação no país e excesso de capacidade instalada, “exportando o diabo a qualquer preço”. Foi o que segurou a economia e evitou uma desaceleração em serviços. Agora com o setor de bens retomando, redução de estoques e as economias europeias também se reequilibrando, ele considera que o “’last mile’ vai ser mais difícil, mas eu acho que os políticos não estão muito preocupados com isso. Trocar 0,2%, 0,3% a mais de inflação pela reeleição do Biden, acho que estão todos de acordo.”

O que preocupa muito Jakurski num horizonte de tempo indeterminado é a explosão do endividamento nos Estados Unidos. A dívida pública, que era de US$ 22 trilhões antes da pandemia, agora está em US$ 34 trilhões, aumentou mais de 50% num intervalo curto e o governo continua gastando dinheiro. “Você [o país] está com com déficit fiscal em 67% do PIB a pleno emprego. Isso nunca aconteceu.”

“Eu acho que tem uma bomba atômica aí com o pavio curto, que pode explodir daqui a seis meses, pode explodir daqui a quatro anos. Mas a trajetória é muito ruim, muito ruim.”

FONTE: https://valor.globo.com/financas/noticia/2024/02/06/endividamento-dos-eua-e-bomba-atomica-diz-jakurski-da-jgp.ghtml