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Governantes gaúchos e no geral subestimam riscos climáticos

Os governantes do Brasil precisam se adaptar às mudanças climáticas e não tratar as chuvas como fatalidade, disse o colunista do UOL José Roberto de Toledo no Análise da Notícia desta terça-feira (7).

Eles [governantes] não estão dando a importância necessária aos riscos novos que a mudança climática está impondo no mundo inteiro. Aqui, no Brasil, não somos exceção.

A Prefeitura de Porto Alegre não investiu R$ 1 na prevenção de enchentes no ano passado, sendo que eles têm um muro e um dique com mais de dez comportas. Toda vez que você tem uma peça móvel, como uma comporta, ela sofre desgaste. Tem isolamento, fiação e um monte de coisa que você precisa ficar olhando para que aquele negócio funcione.

Você mistura isso com as mudanças climáticas que estão concentrando chuvas em algumas regiões em períodos muito curtos, que tornam essas chuvas catastróficas. E o desastre é esse que estamos vendo. O Rio Grande do Sul é um daqueles estados que mais vai sofrer as consequências das mudanças climáticas. Lá, a geografia não ajuda.

O Brasil teve recorde de avisos de desastres em 2023, segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

No ano passado, o Brasil, segundo o Cemaden, que é o órgão federal responsável por dar os avisos de que ‘vem porcaria pela frente’, avisos meteorológicos, hidrológicos, geológicos, risco de inundação e deslizamento de terra, teve recorde de avisos [de desastres]. Esses avisos, em geral, se concretizam.

No dia 29 de abril, ia ter chuva forte nessa região do Rio Grande do Sul. Já são sete dias de uma chuva muito forte […] Você mistura isso com a Prefeitura de Porto Alegre, que não investiu na prevenção, com uma Defesa Civil que de defesa tem muito pouco porque os caras contam com apito, colete e cone. Barco e coisas mais caras para você salvar gente, não existem. Não há comunicação eficiente.

A crítica se estende aos governadores e prefeitos de todo o Brasil, porque as chuvas e os avisos de desastre não são “fatalidade”, mas, sim, previsíveis.

Não é uma crítica individual que estou fazendo aqui, o que estou fazendo é uma crítica [geral]. O mundo mudou, literalmente, e a gente não se adaptou. Os governantes não se adaptaram a essa realidade. Eles não estão percebendo que o risco que eles tão lidando hoje em dia é muito maior do que era. Não é uma ‘fatalidade’, como a covid, é previsível.

A moral da história é: os governantes, não apenas os gaúchos, não se adaptaram aos novos riscos. Eles estão menosprezando os novos riscos. Tem que agir preventivamente, porque depois que chove, você só vai salvar as pessoas se der.

FONTE:

https://noticias.uol.com.br/colunas/jose-roberto-de-toledo/2024/05/07/governantes-gauchos-e-no-geral-subestimam-riscosclimaticos.htm