Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ.Há 9 anos lutando pelos jornalistasUnidos somos mais fortesÚnica entidade nacional de jornalistas que aceita associados com ou sem diploma.
Iconografia da posse de Biden revela símbolos do Deep State X simulacros midiáticos

Iconografia da posse de Biden revela símbolos do Deep State X simulacros midiáticos

Eram visíveis os rostos aliviados de apresentadores e analistas do jornalismo corporativo ao cobrir a cerimônia de posse de Joe Biden e Kamala Harris. Eles tinham um script pronto para a cobertura: narrar o retorno da “maior democracia do mundo” à normalidade, os EUA como reserva moral e exemplo para o planeta com a “agenda progressista” do novo governo que enxotou Trump: uma administração que supostamente preza pela inclusão, diversidade, atenta às mudanças climáticas e sustentabilidade. Tudo muito bonito! Porém, uma análise iconográfica e semiótica revela contradições entre esse script e as imagens e símbolos de um evento criado exclusivamente para a TV – já que Washington DC estava sitiada com mais militares do que Iraque e Afeganistão juntos. Enquanto o discurso era “progressista”, as imagens mostravam a onipresença de símbolos fálicos, patriarcais, marciais e imperiais confirmando aquilo que sempre foi: o abismo entre o “Deep State” e o simulacro da Democracia nas telas de TV.

Em linhas gerais, o script da cobertura do jornalismo corporativo brasileiro da cerimônia de posse do 46o presidente dos EUA, Joe Biden, e a vice Kamala Harris, orientou-se por dois plots:

(a) A “maior democracia do mundo” voltou à sua normalidade e previsibilidade. “A Democracia prevaleceu”, foi o mote do discurso de Biden e dos analistas tupiniquins da grande mídia. A presença de três ex-presidentes (Bush, Republicano; e Bill Clinton e Obama, democratas) foi festejada como a continuidade democrática, depois do hiato representado por Trump;

(b) Festa do ativismo climático-étnico-identitário. Kamala Harris fez história ao ser a primeira mulher, negra e asiático-americana a ocupar o cargo. A poetisa afro-americana, Amanda Gorman, 22, tornou-se a mais jovem escritora a participar da solenidade, com seus versos clamando pela “unidade dos EUA”. Enquanto os vestidos, sobretudos, ternos e calças usados representaram o apoio ao ativismo pelo fim do desperdício e da inclusão de estilistas negros e imigrantes.

“Diversidade e Unidade”. Essa foi a síntese desses dois plots que correram paralelos em toda cobertura. Slogan proferido por Biden e repetido ad infinitum por apresentadores e analistas “passadores de pano” de plantão.

Este humilde blogueiro nem vai entrar no mérito de que Biden apenas deslocará a exortação de Trump “Make America Great Again” do consumo interno para o campo geopolítico: tornar o Império estadunidense Great Again – defendeu a intervenção dos EUA e OTAN na Guerra da Bósnia (1994-5), votou a favor da resolução que autorizou a Guerra do Iraque em 2002 e nomeou para seu governo Michele Flournoy e Tony Bliken (Secretário de Estado), quadros da Direita Democrata e do Deep State norte-americano, ideólogos da guerra permanente e arquitetos das guerra híbridas – e, claro, tudo sob a superfície politicamente correta: em artigo na Foreign Affairs fala em “reduzir perdas civis” e “promover mulheres e meninas em todo o mundo” – leia “Why America Must Lead Again” – clique aqui.

Uma versão sapatênis do “America First” de Trump.

 

CONTINUE LENDO AQUI :

https://cinegnose.blogspot.com/2021/01/iconografia-da-posse-de-biden-revela.html