Associação Brasileira dos Jornalistas

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Jornalismo de games: a cobertura de um mercado em expansão

Com certeza você conhece alguém que joga videogame, ou você mesmo pode gostar de jogar, afinal, a partir de seus variados estilos e narrativas os jogos entram cada vez mais no nosso cotidiano. Além disso, essa é uma das indústrias que mais faturam e a expectativa é que continue crescendo. Mas você conhece também o trabalho de cobertura da imprensa especializada em games no Brasil?

Segundo Giovanni Piovesan, que está finalizando o mestrado (Pucrs) sobre a temática, o jornalismo de games começa a se popularizar no País com revistas impressas ainda na década de 1980 e principalmente 1990. “Elas continham notícias sobre futuros lançamentos, guias para que o leitor pudesse completar certos jogos e, em alguns casos, análises ou “reviews” dos jogos”, diz. Atualmente, a maior parte dessa cobertura está espalhada em sites, podcasts, e em streamings como a plataforma Twitch, ou mesmo no Youtube, além das redes sociais.

Versatilidade na cobertura

Versatilidade é uma palavra que a jornalista especializada em games Vivi Werneck gosta de utilizar quando fala sobre as características necessárias para esse tipo de cobertura. Ela trabalha nesse segmento há mais de quinze anos, e participou de diversos veículos, como o TechTudo e o Tecnoblog. “A cobertura de games pode focar mais no lado do entretenimento em si. Também pode ter uma abordagem mais técnica, por exemplo, falar sobre os bastidores do desenvolvimento de jogos, os novos motores gráficos”, analisa Werneck.”Há o viés de negócios, onde é possível analisar as aquisições entre as empresas e o que isso pode dizer sobre o futuro da indústria. E outro nicho que cresceu muito é o de esportes, torneios”.

A coordenadora de comunicação da plataforma Nuuvem, que também é doutora em Comunicação e Game Studies, Mariana Amaro, lembra que é importante para esse profissional entender as mudanças e as evoluções dos videogames. “É preciso procurar a história de como se formou o mercado, a indústria e os jogos”, alerta Amaro. “Muitas vezes as pessoas acham que é só jogar para ser jornalista de games. Não é bem assim. Para preparar uma boa pauta jornalística, é preciso saber fazer também uma análise contextual”, explica.

O professor de jornalismo da Pucrs e phd em Videogames, André Pase, resume que esse profissional precisa ter a capacidade de traduzir questões técnicas em como isso impacta na hora de jogar. “É ser jornalista, mas não ter medo de aprender o jargão técnico. E eu gostaria de ver mais jornalistas cobrindo jogos, é um processo que muda muito a compreensão da pessoa sobre a indústria”, reflete.

O comportamento da indústria de jogos 

Entre alguns dos desafios para o jornalista brasileiro que cobre videogames está o comportamento da indústria de jogos. Isto é, as empresas publicadoras e desenvolvedoras de jogos podem facilitar ou dificultar o acesso dos jornalistas aos seus produtos. “É comum que as empresas enviem cópias dos jogos que serão lançados para que os portais possam jogá-los e analisá-los com antecedência, publicando materiais sobre eles no dia de seu lançamento”, explica Piovesan. “Existem diversos casos em que jornalistas relatam terem deixado de receber essas cópias após publicarem conteúdos que não são bem vistos pelas empresas”.

O valor alto dos preços dos videogames no Brasil é também um fator que afasta e dificulta a cobertura. “Para ter um maior conhecimento, é necessário ter acesso aos jogos, e com os preços isso pode ser bem limitante”, destaca Amaro. “Mesmo tendo a possibilidade de se comprar digitalmente e com  promoções, a gente sabe que a realidade do Brasil é que boa parte da população ainda está no Play 3 ou iniciando o Play 4, quando a gente sabe que globalmente se fala hoje do Play 5”.

Talvez uma opção para driblar essas dificuldades citadas seja apostar em reportagem e na cobertura do que acontece no Brasil na área. “Dá para fazer reportagens muito legais falando de jogos de forma aprofundada com uma apuração e com entrevistas”, diz Werneck.

Dicas para trabalhar na área 

– É preciso experimentar diferentes estilos e tipos de jogos para criar uma bagagem e poder fazer comparações de diferentes games dentro do mesmo gênero. “Assim você aumenta o seu leque de conhecimento e de repente se especializa em um tipo de jogo”, diz Werneck.

– Para Amaro, é essencial estudar e conhecer a história da área. “Há muito material bom disponível em anais de congressos, como Intercom, a SBGames. Gosto também do podcast Primeiro Contato, do jornalista Rique Sampaio, que fala sobre a história da tecnologia no Brasil, mas também aborda games”.

– Pase diz que é preciso focar em uma forma de distribuição e contar com outras de apoio. “Newsletters hoje permitem trabalhar com uma outra rentabilidade do negócio e que não demandam algo produzido e publicado todo dia, fora ações com redes e canais de transmissão”.

– Sobre vagas de trabalho, há algumas compartilhadas nas redes do The Gamer Inside Brasil focadas na indústria de games, mas volta e meia há para a área da Comunicação também.

FONTE:

https://ijnet.org/pt-br/story/jornalismo-de-games-cobertura-de-um-mercado-em-expans%C3%A3o