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Mudança climática é o maior risco para o mundo, aponta Relatório de Riscos Globais 2022

Mudança climática é o maior risco para o mundo, aponta Relatório de Riscos Globais 2022

Consciência sobre os desafios ambientais tem levado a mudanças significativas no mercado de crédito e de subscrição de riscos.

Um tema deve dominar o Fórum Econômico Mundial neste ano: o risco do fracasso em lidar com as mudanças climáticas. A conclusão faz parte do Global Risk Report 2022, o novo relatório de riscos globais que norteia as discussões realizadas na cidade suíça de Davos, onde acontecerá o encontro entre 17 e 21 de janeiro. A pesquisa é feita com mais de mil líderes mundiais que representam empresas, governos e organizações globais, em uma parceria entre Zurich Insurance Group, Marsh McLennan, Universidade de Oxford, Universidade de Singapura e Universidade da Pensilvânia.

Por Sérgio Tauhata, Valor Econômico   

As questões climáticas lideram o ranking de maiores preocupações nos três horizontes de tempo do levantamento. No curto prazo, em um horizonte entre zero e dois anos, os entrevistados colocaram no topo dos temores o clima extremo. E tanto para o médio prazo, em um intervalo entre dois a cinco anos, e no longo, de cinco a dez anos, os líderes globais apontaram o fracasso nas ações para evitar as mudanças climáticas como maior risco a ser enfrentado pela humanidade. “Apesar de o risco de curto prazo que se materializou ter sido o da pandemia, o risco que os entrevistados consideram como principal ameaça de médio e longo prazos é o climático”, afirma o CEO da Zurich no Brasil, Edson Franco. “E para isso não tem vacina.” Na visão do executivo, “a questão colocada claramente no relatório é que, se demorarmos a agir, podemos ultrapassar o ponto de não retorno e não haverá mobilização suficiente para desfazer o dano que já foi feito”. Conforme o CEO da Marsh Brasil e Chairman da Marsh & McLennan Companies Brasil, Eugenio Paschoal, “há uma preocupação clara dos líderes globais com o risco de uma transição climática desordenada”. Essa consciência sobre os desafios ambientais têm levado a mudanças significativas no mercado de crédito e de subscrição de riscos. Segundo Franco, da Zurich, “as seguradoras globais, por exemplo, começam a colocar critérios como responsabilidade das empresas ao lidar com sua própria matriz de ações ambientais e sociais” para subscrever um risco. “A matriz de sustentabilidade denota a qualidade do risco que nós estamos subscrevendo”, complementa. Para o CEO da Zurich, “a gente pode começar a ver países e empresas que demoraram muito a agir sofrer determinado riscos de sanções, pressões ou até dificuldade de acesso a crédito”.

O risco climático aparece em quarto lugar entre as preocupações dos 287 líderes empresariais brasileiros entrevistados para o relatório. De acordo com Paschoal, da Marsh, o grupo de líderes nacionais indicou como principal preocupação o risco de prolongamento da estagnação econômica do país. Em segundo lugar, surge o desemprego e crises de sustento da própria população. Em terceiro está a desigualdade digital. Na quinta posição entre os principais riscos vistos pelos empresários brasileiro na pesquisa global aparece a geopolítica dos recursos estratégicos, ou seja, o uso de acesso a recursos como ferramenta de negociação entre os países do mundo. Além dos riscos climáticos, os entrevistados do Global Risk Report 2022 apontam riscos sociais impulsionados pela pandemia entre os principais problemas a serem enfrentados. Em uma visão de curto prazo, a “erosão da coesão social”, as “crises de subsistência” e a “deterioração da saúde mental” estão entre os tópicos que pioraram mais desde o início da crise sanitária.

Conforme o relatório, 60% das lideranças entrevistadas também acreditam que em questões relacionadas à “migração e refugiados” esforços de colaboração internacional têm falhado. “As barreiras à migração ordenada podem ter graves consequências globais, como desencadear ou agravar crises humanitárias, aumentar a polarização da sociedade e ampliar as lacunas no mercado de trabalho”, aponta o documento. Os riscos cibernéticos também surgem entre os principais temores atuais. As “falhas de segurança cibernética” estão entre os dez principais riscos que mais se agravaram desde o início da pandemia. Desde o início da pandemia, ataques de malware aumentaram 358%, enquanto os ataques de ransomware aumentaram 435%. O risco de uma recuperação global desigual em consequência da pandemia é citado entre os maiores desafios. De acordo com o levantamento, a pandemia e suas consequências econômicas e sociais vão continuar a representar ameaça crítica para o mundo e para as empresas.

A desigualdade no avanço da vacinação também terá graves consequências, pois pode agravar a recuperação econômica de muitos países. O documento aponta que países mais pobres, onde vivem um décimo da população mundial, receberam até dezembro de 2021, apenas 6% de toda oferta global de vacinas, segundo dados da Airfinity. Um novo risco que entra na lista neste ano é o da corrida espacial. Na nova edição do relatório, os entrevistados indicam a expansão dessa atividade, que pode levar ao aumento das tensões geopolíticas, além de impactos ambientais desconhecidos. “A grande lição do relatório é que todos os riscos estão conectados”, afirma o CEO da Zurich. “Riscos pandêmico, ambiental e de recuperação econômica e social todos estão interligados e, da mesma forma, temos de ter uma abordagem cooperativa unindo países e sociedade civil para enfrentá-los”, conclui Franco.

FONTE

https://valor.globo.com/financas/noticia/2022/01/11/mudanca-climatica-e-o-maior-risco-para-o-mundo-aponta-relatorio-de-riscos-globais-2022.ghtml