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“Não podemos ficar em casa ad eternum”, diz Bolsonaro após novo recorde de mortes por covid-19

“Não podemos ficar em casa ad eternum”, diz Bolsonaro após novo recorde de mortes por covid-19

Presidente discursou no lançamento do Centro Avançado de Tratamento de Covid em Chapecó.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a discursar contra as medidas de isolamento social após novo recorde diário de mortes por covid-19. Na primeira parada de um roteiro de viagens previsto para esta quarta-feira, em Chapecó (SC), ele disse que a população não pode “ficar em casa ad eternum” porque o vírus “veio para ficar a vida toda” e comparou as vidas perdidas na pandemia a baixas de soldados durante uma guerra. “Lamentamos as mortes, é como num campo de batalha. Mas, se nada fizermos, seremos derrotados.

Por Matheus Schuch, Valor Econômico

Nós temos que unir forças para vencer este inimigo [covid-19], não podemos ficar em casa ad eternum. Nossa liberdade vale mais que nossa própria vida”, afirmou o presidente durante lançamento do Centro Avançado de Tratamento de Covid. “Não vai ter lockdown nacional. Nosso Exército não vai à rua para manter o povo dentro de casa”, bradou Bolsonaro. “Não vamos aceitar o lockdown, este vírus veio para ficar, vai ficar a vida toda. Quem abre mão de um milímetro de sua liberdade em troca de segurança está condenado no futuro a não ter segurança e liberdade”. Na terça-feira, o Brasil ultrapassou a marca de 4 mil registros de mortes por covid-19 em um intervalo de 24 horas. Foram 4.211 óbitos, segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde, o equivalente a 35% das mortes por covid-19 registradas no período de um dia em todo o mundo.

Sem citar o programa de imunização contra a doença no país durante o pronunciamento, Bolsonaro sugeriu que a covid-19 não avançou tanto na África por causa do uso de medicamentos sem eficácia e contraindicados para o tratamento da doença por toda a comunidade científica mundial. Ele defendeu que os médicos “precisam ter liberdade com o paciente” para decidir qual tratamento adotar e citou seu caso pessoal, em que afirma ter se curado da covid-19 pelo uso de hidroxicloroquina. “Na África, só tem ivermectina e cloroquina. Procurem saber o que acontece com aquele povo no tocante à covid. Não vou entrar em detalhes para não me chamarem de terraplanista e negacionista”, disse. Para defender o uso de drogas sem comprovação científica de eficácia no tratamento da covid-19, o presidente citou medicamentos experimentais que, segundo ele, “deram certo” para hanseníase e aids. A ciência “por vezes demora”, afirmou. A visita a Chapecó levou em conta a proximidade de Bolsonaro com o prefeito João Rodrigues (PSD), um dos poucos do país que acompanham o presidente no discurso anticientífico em relação à pandemia. Em sua fala, Bolsonaro disse que os dois aproximaram porque sofriam “injustiças” quando eram deputados federais. Em quase meia hora de discurso, o presidente também falou da disputa eleitoral do ano que vem. Ao argumentar que a postura que adotou diante da pandemia não tem interesses eleitorais, disse que está se “lixando” para 2022: “Vai ter uma pancada de candidatos aí, seria muito mais fácil se acomodar”. “Acho que sou o único líder mundial que apanha isoladamente. O mais fácil é ficar do lado da massa, da grande maioria: se evita problemas e não é acusado de genocida”, completou. Dizendo que seu governo não está envolvido em episódios de corrupção, disse que não tem medo de decidir, “inclusive para trocar algum ministro”. Na semana passada, Bolsonaro fez seis substituições na Esplanada dos Ministérios, em parte para acomodar indicações do Centrão. Além do ministro da Defesa, ele também demitiu os comandantes das Forças Armadas, o que gerou temor de politização dos militares. “Não temos medo de decidir, inclusive para trocar algum ministro. O Ministério de Infraestrutura é sempre cobiçado, vocês sabem por quem; para melhor atender as necessidades de alguns grupos”, afirmou, acrescentando que não basta um bom trabalho técnico, mas visão política para os titulares do primeiro escalão. “Eu sempre falo para os ministros: não basta você fazer excelente trabalho, você tem que ter visão política maior, sabendo o que está em jogo. O que alguns fazem no tocante à pandemia é para desgastar o governo”, ainda disse Bolsonaro. O presidente encerrou o discurso apelando para que o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha a liminar concedida pelo ministro Kássio Nunes Marques, indicado por ele à Corte, que permitiu a reabertura de templos religiosos no período mais crítico da pandemia. “Mais de 90% da população acredita em Deus. Espero que o Supremo mantenha liminar do ministro Kássio Nunes ou que alguém peça vistas para discutirmos abertura de templos religiosos”, afirmou.

FONTE:

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2021/04/07/nao-podemos-ficar-em-casa-ad-eternum-diz-bolsonaro-apos-novo-recorde-de-mortes-por-covid-19.ghtml