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O Movimento Multipolar: Reflexões sobre a Morte do Presidente Iraniano Ebrahim Raisi

A trágica morte do presidente iraniano Ebrahim Raisi abalou não apenas o Irã, mas também a comunidade internacional. Em meio ao choque e à incerteza, o analista geopolítico Pepe Escobar destacou que este evento, embora significativo, não interromperá o movimento em direção a um mundo multipolar, liderado por Rússia, China e Irã.

Contexto Geopolítico Atual

Nos últimos anos, temos observado uma crescente dinâmica multipolar na política global. Este movimento visa reduzir a hegemonia unipolar tradicionalmente exercida pelos Estados Unidos, permitindo a ascensão de outras potências que promovem uma ordem internacional mais equilibrada. Rússia e China têm sido os principais arquitetos deste novo arranjo geopolítico, buscando fortalecer suas posições através de alianças estratégicas e cooperação econômica.

O Papel do Irã no Mundo Multipolar

O Irã, sob a liderança de Ebrahim Raisi, vinha consolidando sua posição como um ator-chave neste cenário. A política externa iraniana tem sido marcada por uma busca ativa de parcerias estratégicas, especialmente com Rússia e China. A colaboração trilateral em áreas como energia, infraestrutura e defesa tem sido fundamental para desafiar a influência ocidental e promover um sistema internacional mais diversificado.

Impacto da Morte de Raisi

A morte de Raisi representa uma perda significativa para o Irã, dada sua influência política e seu papel na orientação das políticas internas e externas do país. No entanto, conforme Pepe Escobar argumenta, este evento não deverá interromper o movimento em direção a um mundo multipolar. Há várias razões para essa continuidade:

  1. Instituições e Continuidade de Políticas: O Irã possui instituições políticas e militares robustas que garantem a continuidade das políticas estratégicas, independentemente de mudanças na liderança. As diretrizes de cooperação com Rússia e China estão profundamente enraizadas nas políticas de longo prazo do país.
  2. Interesses Comuns e Alianças Estratégicas: As alianças entre Irã, Rússia e China são baseadas em interesses comuns que transcendem lideranças individuais. A necessidade de contrabalançar a influência ocidental, garantir a segurança regional e desenvolver economias independentes são pilares que sustentam essa cooperação.
  3. Legado de Raisi e Liderança Coletiva: Raisi, durante seu mandato, estabeleceu um legado de políticas que fortalecem a integração do Irã na dinâmica multipolar. A liderança iraniana, composta por uma coalizão de figuras políticas e militares influentes, está comprometida em manter essa trajetória.

O Futuro da Dinâmica Multipolar

A morte de Raisi, embora um evento trágico, pode ser vista como um teste à resiliência do movimento multipolar. A resposta do Irã e de seus parceiros, Rússia e China, será crucial para determinar a força desta tendência geopolítica. A continuação das iniciativas conjuntas, como o desenvolvimento de corredores de transporte e energia, além da colaboração em questões de segurança, será um indicador claro de que o movimento multipolar permanece robusto.

Conclusão

A trágica morte de Ebrahim Raisi é um golpe doloroso para o Irã, mas não deverá desviar o curso do movimento em direção a um mundo multipolar. A continuidade das políticas e alianças estratégicas, fundamentadas em interesses comuns e na resiliência institucional, garantirá que a visão de um sistema internacional mais equilibrado siga adiante. A liderança coletiva no Irã e a determinação de seus aliados, Rússia e China, são elementos-chave para a permanência e fortalecimento deste movimento.

FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas 

( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )