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O Ocidente deve fazer a sua escolha

O Ocidente deve fazer a sua escolha

A operação militar especial russa pode virar uma guerra se assim a OTAN decidir

Chegamos, enfim, àquele momento onde uma simples decisão pode levar à paz ou à guerra total. Passados sete meses desde o início da operação militar especial russa na Ucrânia, a cena principal está se passando bem diante dos nossos olhos. Um passo em falso e tudo vai desabar. Neste instante, todas as regiões libertadas dos nazistas pelos russos na Ucrânia estão solicitando formalmente a entrada na Federação Russa. Kherson, Zaporizhzhia, República Popular de Donetsk e República Popular de Lugansk farão nos próximos dias, ou horas, grandes referendos para a adesão à Rússia. Nas palavras dos principais líderes destas regiões, esta será a única maneira de evitar mais derramamento de sangue de inocentes.

Se por um lado, as regiões separatistas anseiam por proteção de Moscou e libertação do regime nazista de Kiev, este último calcado na opressão, corrupção e violência desmedida contra todos aqueles que não rezem da cartilha dos golpistas do Maidan de 2014, a Federação Russa comunicou que irá acatar as decisões da RPD, RPL e Kherson. Em outras palavras, isto significa que a Rússia passará a ter novos territórios para defender e um ataque à eles será um ataque direto à Federação. Quem ousará?

Com a palavra, o Ocidente

Caso a adesão destas regiões à Rússia transcorra sem maiores problemas, com o regime de Kiev aceitando aquilo que é inevitável, a operação militar especial russa se dará por encerrada. As Forças Armadas da Rússia pararão o avanço sobre o território ucraniano, bem como cessarão os bombardeios aos pontos críticos do país. Os próprios soldados ucranianos poderão voltar para suas famílias e o moedor de carne russo deixará de operar. Muitos na própria Rússia dirão que a operação terá sido incompleta, já que os nazistas de Kiev continuarão no poder. Outros tantos falarão que faltou libertar Odessa, símbolo do que houve de mais hediondo no golpe de oito anos atrás. Até mesmo a mídia ocidental poderá dizer que a OTAN ‘venceu’ o ímpeto militar russo ao ter parado a operação militar por meio do fornecimento desenfreado de armas para as Forças Armadas da Ucrânia. De qualquer forma, Vladimir Putin terá cumprido com sua palavra ao libertar os povos do Donbass do jugo nazifascista de Kiev, ganhando de bônus Kherson e Zaporizhzhia. Neste caso, a vitória será de acordo com o ponto de vista ou de propaganda de cada lado.

República Popular de Donetsk agendou o referendo para o dia 26 deste mês.

Mas este seria um cenário ideal para as pessoas que ainda pensam e mantém a razão como norte comum. Infelizmente, vivemos uma época de pouca inteligência por parte do Ocidente. Seus líderes parecem viver um mundo de ilusões e a competência para a ocupação dos altos cargos deixou de ser critério de avaliação. Se compreendemos que os países ocidentais vivem às voltas com a torpeza, crises intermináveis do neoliberalismo e miséria crescente, achar que os EUA e Inglaterra irão aceitar o fim da operação militar com a anexação de partes da Ucrânia seria pouco prudente, quiça até inocente. Eles vão à guerra.

Nos dê logo essa guerra!’

O chefe da região de Zaporizhzhia disse hoje que “a região está junto com a Rússia”. Segundo ele, “esta terrível palavra ‘guerra’ nunca soou tão doce antes… Não há como sem ela agora. Precisamos desta guerra. Uma guerra de libertação, vingança, uma guerra por nossas vidas. A guerra agora é o nosso ar. Então nos dê logo!”

Denis Pushilin, líder da RPD, recorreu a Putin com um pedido para considerar a questão da adesão da República à Federação Russa no caso de uma decisão positiva dos habitantes no referendo:

“Caro Vladimir Vladimirovich! No caso de uma decisão positiva após o referendo, sobre a qual não temos dúvidas, peço-lhe que considere a questão da adesão da República Popular de Donetsk à Federação Russa o mais rápido possível. Donbass merecia fazer parte do Grande País, que eles sempre consideraram sua Pátria. Este evento será a restauração da justiça histórica, pelo qual milhões de russos anseiam.”

Se alguém tinha alguma dúvida sobre o que virá a seguir, basta dizer que os chefes ocidentais entraram no modo ‘fúria’. Macron, o chefe francês, disse que “estes referendos são um cinismo e provocação da Rússia”. Já Joe Biden fez comunicar que convocará a comunidade mundial (que comunidade?) para que, na ONU, “resistam à operação militar especial russa”. Ao mesmo tempo, a Casa Branca soltou nota afirmando que “referendos organizados pela Rússia são um insulto aos princípios de soberania e integridade territorial”. Já a OTAN considerará ilegítimos próximos referendos sobre a adesão à Rússia, segundo o secretário-geral da aliança. O chanceler alemão Scholz foi pelo mesmo caminho, como se repetisse um texto escrito em Washington: “a Alemanha não reconhece nenhum referendo sobre adesão do Donbass à Rússia”.

Decreto sobre a realização de um referendo na parte libertada da região de Zaporozhye. A questão da secessão da Ucrânia, a criação de um estado e sua entrada na Federação Russa será colocada em votação.

Vemos que não se pode esperar bom senso e razão do Ocidente. Desta forma, de acordo com as primeiras declarações ocidentais, o que antes era uma operação militar especial, no sentido de libertar determinadas populações do terrorismo de Kiev, vai se transformar numa guerra total, de fato e de direito.

Mobilização na Rússia

Há poucas horas, a Duma Estatal da Rússia aprovou um decreto que introduziu os conceitos de “mobilização”, “lei marcial” e “tempo de guerra” no Código Penal. Os EUA leram isto como uma preparação para a mobilização geral na Rússia, pelo menos foi o que afirmou o conselheiro de segurança nacional Sullivan.

Com a palavra, Putin

O discurso de Putin na Rússia é esperado por volta das 20h (hora de Moscou), segundo jornalistas da mídia federal. Shoigu, ministro da Defesa, provavelmente seguirá logo atrás dele.

Vem guerra aí.

FONTE

https://dsrnews.com/2022/09/20/o-ocidente-deve-fazer-a-sua-escolha/