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O que os cursos de jornalismo deveriam ensinar sobre ser freelancer

O que os cursos de jornalismo deveriam ensinar sobre ser freelancer

O jornalismo está mudando rapidamente. O status quo de ontem pode não ser o status quo de amanhã, e o currículo dos cursos de jornalismo sofre para acompanhar o ritmo. Muitas faculdades falham em preparar plenamente os estudantes para as realidades do mercado de mídia atual, como o jornalismo freelance, que cresce diariamente.

Jornalistas freelancers já estão fazendo a maior parte do trabalho pesado. Se a modalidade seguir a linha de tendência da gig economy nos Estados Unidos, vai simplesmente se tornar mais prevalente nos próximos anos. Projeta-se que, até 2027, mais da metade da força de trabalho nos Estados Unidos será composta por freelancers.

Por ANDY HIRSCHFELD no IJNET

Faculdades e universidades têm dificuldade de transitar nesse cenário, que desanima tanto freelancers de carreira quanto repórteres contratados. O que os cursos podem fazer para assegurar que os estudantes sejam mais bem preparados para essa fronteira crescente?

Noções básicas de sugestão de pauta

Sendo eu um freelancer de carreira, frequentemente me surpreendo como muitos colegas repórteres pouco se preparam quando têm que sugerir uma pauta para um editor. Muitas vezes eles não têm certeza sobre o quanto compartilhar de antemão e como lidar com isso.

Os editores podem ter preferências muito diferentes sobre como gostariam de receber essas sugestões. Alguns gostam de ideias curtas e grossas, enquanto outros preferem algo mais elaborado. Mas muito raramente os editores gostam de receber um rascunho completo e não solicitado de uma pauta que eles não encomendaram.

 

Uma colega, que preferiu não ter o nome citado, disse que por ser nova no mercado freelance, ela não tinha ideia sobre como sugerir uma pauta adequadamente. Formada em jornalismo, ela perguntou se uma sugestão de pauta deveria incluir um rascunho completo. A faculdade não a preparou para este aspecto da reportagem.

A repórter freelancer Meira Gebel faz coro a esse sentimento. “Você está basicamente sozinha e não vai melhorar suas sugestões enquanto não receber uma tonelada de rejeições e ver o que você está fazendo errado. O currículo deveria incluir como ganhar dinheiro, e isso inclui oficinas de criação de pauta.”

Gabel tem sido bastante atuante na demanda para que os cursos de jornalismo ensinem melhor seus estudantes sobre as nuances e práticas prevalentes no mercado freelance. Ela descreveu a falta de conexão em uma matéria para o Business Insider.

Trabalho freelance enquanto um negócio

Como definir o quanto você cobra pelo seu trabalho é um componente integral da condição de freelancer, mesmo assim é uma habilidade que muitos repórteres não têm. O trabalho freelance é um negócio e o sucesso de uma pessoa depende amplamente de quanto conhecimento ela tem.

“Precisam incorporar ‘negócios para jornalistas freelancers’ no currículo”, diz Gebel. “[Os cursos precisam ensinar] como entender o que inclui o contrato de um projeto freelance ou de um contratado independente e como definir uma precificação. Muitos estudantes não conseguem entender o quanto vale o trabalho deles e não sabem como colocar um preço naquilo que eles sabem fazer.”

Cursos de jornalismo em escolas menores também têm dificuldade em equipar os estudantes com as habilidades que os freelancers precisam para terem sucesso. Essa foi a experiência de Karah Wilson, editora em um pequeno jornal local em Indiana e que já foi freelancer.

“A faculdade onde me formei muito, muito raramente, senão nunca, falava sobre o trabalho freelance. O objetivo principal era nos ensinar a ética e a base do jornalismo, e como escrever segundo o manual da AP”, ela conta. “Uma coisa que eu queria ter aprendido é como sugerir uma pauta. Teria sido algo bastante benéfico de se aprender na universidade”, acrescenta.

Branding pessoal

Jornalistas freelancers precisam saber promover a si mesmos e seus trabalhos de uma forma que se destaque. Isso inclui desenvolver sua identidade, potencializar as redes sociais para fazer uma publicidade eficaz e no contexto necessário. As redes sociais são um ótimo espaço para acrescentar observações sobre matérias de hard news ou discutir bons pontos que você tinha, mas que talvez não foram incluídos na versão final de uma matéria.

“Vimos o quanto essa área, especialmente para freelancers, depende apenas da presença nas redes sociais”, afirma Jack Crosbie, freelancer de carreira que já escreveu para a The Atlantic e Rolling Stone. Ele acrescenta que manter uma presença nas redes sociais pode ajudar freelancers a se destacarem.

“Eu acho que seria muito bom se os estudantes tivessem algumas [aulas que ensinassem] alternativas à visão tradicional; no mínimo apresentar isso aos estudantes de modo que eles entendam que há mais maneiras de se exercer o jornalismo.”

Os cursos de jornalismo deveriam oferecer um foco maior em como usar as redes sociais como uma ferramenta de reportagem e distribuição, e não apenas para apuração. De modo crescente, as redes sociais são uma maneira de engajar com sua audiência e adicionar à sua matéria mais contexto que talvez você não tenha conseguido encaixar no limite de palavras ou de tempo da matéria.


Foto por RF._.studio no Pexels.

 

FONTE

https://ijnet.org/pt-br/story/o-que-os-cursos-de-jornalismo-deveriam-ensinar-sobre-ser-freelancer