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POR COERÊNCIA, O JORNAL NACIONAL DEVERIA SER FALADO EM INGLÊS

POR COERÊNCIA, O JORNAL NACIONAL DEVERIA SER FALADO EM INGLÊS

Na edição de ontem (20/2), o Jornal Nacional deu sequência à canalhice contra a Petrobras.

Em longa reportagem, o principal telejornal da TV brasileira deixou claro que o que importa é estar bem com o “mercado”. Por mercado leia-se os grandes especuladores nacionais e sobretudo internacionais, que capturaram a Petrobras desde o golpe de 2016 e a colocaram ao serviço de seus interesses.

Por Angela Carrato

Com a maior desfaçatez, o JN afirma que a empresa perdeu, em termos de valor de mercado, R$ 28 bilhões em 24 horas.

Esse valor se refere à queda do preço das ações na Bolsa de Nova Iorque, fruto do medo dos especuladores de não mais conseguirem mandar na “política da empresa”.

O que o JN esconde do seu “respeitável publico” é que a tal “política da empresa”, implementada pelos golpistas a serviço dos interesses do Tio Sam, fere mortalmente a soberania nacional e impõe um pesadíssimo ônus à população brasileira.

O que o JN deveria ter calculado é o impacto sobre a vida dos brasileiros do litro de gasolina estar custando mais de R$ 5, 00 sem nenhuma razão.

Os preços da gasolina e do diesel só estão nas alturas, porque os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro aceitaram as imposições internacionais e alinharam os preços internos aos externos.

Isso era necessário?

Não.

Como a Petrobras é autossuficiente na produção do petróleo e dos seus derivados, não precisa seguir os preços internacionais.

Foi para garantir essa autossuficiência que a Petrobras foi criada por Getúlio Vargas, em 1953. E o suicídio de Vargas está ligado diretamente à atuação dos interesses estrangeiros contra ela.

Detalhe: já naquela época, a canalhice do patriarca Roberto Marinho contra a criação da estatal brasileira de petróleo ficava patente.

Até 2016, a Petrobras atuava em toda a cadeia produtiva: prospectava, explorava, refinada e comercializava o petróleo e seus derivados.

Some-se a isso a tecnologia que a Petrobras desenvolveu, de forma pioneira no mundo, para explorar petróleo em águas profundas.

Foi essa tecnologia que possibilitou a descoberta do pré-sal, uma riqueza incalculável que despertou a cobiça dos interesses internacionais.

Foi para tomar o pré-sal do Brasil e dos brasileiros que foi dado o golpe parlamentar, jurídico, midiático e militar contra Dilma Rousseff.

Foi para queimar a imagem da Petrobras e facilitar a rapinagem contra ela que a Operação Lava Jato entrou em campo e atuou.

Não é por acaso que o JN ignorou as mensagens trocadas entre Moro, Dallagnol e os serviços de inteligência dos Estados Unidos entregando informações confidenciais sobre a Petrobras. Um crime de lesa pátria sobre o qual no futuro terão que responder.

Antes disso, em 2013, já havia sido denunciada a espionagem da NSA contra Dilma e a Petrobras. Para quem quiser se aprofundar sobre o assunto, é só assistir ao documentário Snowden, de Oliver Stone.

Mas voltando aos dias atuais, o JN tentou, na reportagem de hoje, caracterizar a demissão por Bolsonaro do atual presidente da empresa como “interferência política”, como se colocar a empresa a serviço dos interesses do mercado não fosse também interferência e das piores.

Mesmo do alto de sua estupidez e subserviência aos Estados Unidos, Bolsonaro percebeu que com a direção da Petrobras trabalhando apenas para gerar lucros para os grupos financeiros, não há como pensar em reeleição.

Bolsonaro, como o JN mostrou, tem maioria entre os integrantes do Conselho de Administração da Petrobras. Conselho no qual tem assento, de forma criminosa, até um representante da Shell. Coisa que o JN considerou natural.

Mas o fato de Bolsonaro conseguir substituir o atual presidente por um general, como pretende, está longe de resolver os seus problemas e os envolvendo os preços dos combustíveis.

Ele só chegou ao poder e lá permanece para servir a esses interesses.

Em outras palavras, Bolsonaro está jogando para a plateia. Para alterar efetivamente a situação da Petrobras, teria que parar com o seu desmonte e retornar o papel que a Petrobras tinha no desenvolvimento brasileiro antes do golpe.

Já a família Marinho está onde sempre esteve: contra o Brasil e o povo brasileiro.

Até por uma questão de coerência, seria mais adequado o JN passar a ser falado em inglês e transmitido de Washington ou de Nova Iorque.

Charge por Amarildo

FONTE:

https://www.facebook.com/photo?fbid=10157948788058837&set=a.10156147988853837