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SINTOMAS DA CAUSA PRINCIPAL

Recentemente, uma empresa de consultoria online de Singapura divulgou dados curiosíssimos sobre o consumo de conteúdos nas redes sociais. De acordo com a Kepios, “o Brasil aparece como terceiro país onde mais usuários dizem que o principal motivo para usarem redes sociais é o acesso a notícias”. Mais da metade da população busca no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube (dentre outras) as suas fontes de informação. Para se ter uma ideia, nos EUA este percentual é de menos de 30%.
Por Daniel Spirin Reynaldo no seu FaceBook
Longe de ser um fenômeno complexo – cuja principal consequência seria a difusão de fake news de maneira mais rápida e perigosa -, é fácil entender o motivo (ou motivos) para essa busca por notícias para além dos veículos tradicionais de comunicação no país.
Estamos falando do esgotamento da concentração de mídia no Brasil e de tudo o que este monopólio da informação pode trazer de negativo para o cidadão comum. Estamos falando de perda de credibilidade da imprensa corporativa, inclusive da imprensa progressista dita independente, esta última também por demais presa à linguagem pouco adepta da isenção e liberdade.
Se de um lado temos uma mídia tradicional que investe no discurso do Estado mínimo, na manutenção das políticas neoliberais e no discurso de manutenção dos privilégios das camadas mais ricas, do outro observa-se as limitações jornalísticas e partidárias da imprensa de esquerda. Sobre limitações de apuração, checagem e qualidade das fontes, ambos os lados padecem dos males da incompetência e falta de recursos, respectivamente.
Diante da falência da cadeia de informação brasileira, a população fica órfã de veículos capazes de flutuar sobre os interesses específicos e navegar sobre fatos em si, sem medo de desagradar ou lado ou outro.
Mas este ‘fenômeno’ também se explica através da retroalimentação. Grandes conglomerados de imprensa e pequenos portais progressistas fomentam abertamente a chamada colaboração dos ‘internautas’, seja pelo envio de vídeos, áudios e relatos para as redações, seja veladamente, quando jornalistas buscam suas fontes nas próprias redes sociais, claro, sem dar os devidos créditos a quem produziu estes conteúdos.
Se verdadeiros, estes números divulgados pela agência de Singapura são a prova cabal de que a busca por notícias ao largo da imprensa tradicional é um sintoma de uma doença que feriu de morte o jornalismo ocidental.
De alguma maneira, hoje temos realizado o antigo sonho da pluralidade das informações, via segmento das redes sociais, e de tudo o que elas podem trazer de bom ou de ruim.
FONTE
https://www.facebook.com/daniel.omettalspirin