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Sobreviventes de enchente na BA não conseguem deixar moradia em área de risco

Meses após enchente de dezembro de 2021, população de Ilhéus e Itabuna atingiu principalmente o sul e o sudoeste da Bahia. Deixou cidades debaixo d’água, estradas bloqueadas e comunidades rurais isoladas.

As lembranças da enchente histórica ainda assombram a família do aposentado Sinival de Jesus, que mora na Vila Cachoeira, um bairro ribeirinho de Ilhéus: a altura onde a água chegou, a casa derrubada, a reconstrução da vida no mesmo lugar.

“Não me deram lugar pra ir morar e aí eu tinha que morar aqui”, afirma Sinival.

A prefeitura diz que já entregou os documentos pedindo ajuda aos governos federal e estadual. O Governo da Bahia informou que a lista das casas destruídas ainda não veio.

O Ministério da Integração e Desenvolvimento afirmou que o plano de trabalho não atendeu as exigências técnicas e o pedido foi indeferido após o fim do prazo para correções;

A enchente de dezembro de 2021 atingiu principalmente o sul e o sudoeste da Bahia. Deixou cidades debaixo d’água, estradas bloqueadas e comunidades rurais isoladas.

Mais de novecentas mil pessoas foram atingidas; vinte e cinco morreram. A Vila Cachoeira foi devastada pelas águas do Rio Cachoeira.

Depois da cheia histórica de 2021, o Cachoeira voltou a inundar a vila um ano depois, com menos intensidade. De lá pra cá não houve mais enchentes, mas o medo continua fazer parte da rotina de quem mora na beira do rio.

A maioria não conseguiu sair daqui para um lugar seguro e sabe que corre o risco de passar por tudo aquilo de novo.

A pescadora Soélia Freitas dos Santos também ainda não conseguiu se mudar da área de risco.

“Fazer o quê? continuar aqui, não tem outro canto pra ir […] vendo tudo molhando, se acabando porque a gente não tem pra onde carregar nossos ‘trem’ “, diz.

A mãe dela, a aposentada Egídia dos Santos, vai sair da vila para um conjunto habitacional.

“O sofrimento que a gente vive aqui, se a gente ganhar um móvel, uma casa […] a gente tem abraçar com as duas mãos, e é isso que eu vou fazer, só estou esperando só”, afirma a idosa.

O conjunto onde Egídia vai morar está quase pronto. São 220 apartamentos para famílias de ilhéus cadastradas na época da enchente.

O residencial foi construído com recursos do governo do estado. O da cidade vizinha de Itabuna, com oitenta apartamentos, também.

Os dois municípios também construíram 796 unidades com recursos do governo federal, somando cento e cinco milhões de reais, para a construção de mais setecentas e noventa e seis unidades, mas as obras ainda não começaram.

“existe a questão licitatória e existe a questão da desapropriação do terreno./ então, são processos administrativos, burocráticos que ‘requer’ um tempo”, justifica o secretário de Infraestrutura e Defesa Civil de Ilhéus, Átila Dócio.

Além de novas moradias fora da área de risco em Ilhéus e Itabuna, o governo da Bahia fez cinquenta e duas obras de contenção de encostas em treze municípios.

Um investimento de R$ 138 milhões. Mas outras cidades com risco de deslizamento ainda esperam por essas medidas.

“É claro que quanto mais a gente pudesse fazer, seria bom, mas a gente tem um período de chuva que atrapalha as nossas execuções […] agora, em dois mil e vinte e quatro, o objetivo da gente é que alcance mais unidades e conclua pra poder manter as famílias estáveis, em áreas estáveis e com segurança”, pontua Adriana Luz, superintendente de Prevenção e Desastres naturais do governo da Bahia.

Outros dezesseis municípios baianos que sofreram com as chuvas em dois mil e vinte e um vão receber recursos do novo pac – do governo federal – para obras de contenção. Serão quase R$ 310 milhões de reais. Ilhéus é um deles.

Na comunidade da Gamboa, as áreas de encosta deixam os moradores apreensivos.

Municípios como Ilhéus e Itabuna também fazem limpeza de canais e têm projetos futuros de urbanização das margens do Rio Cachoeira.

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2024/05/31/sobreviventes-de-enchente-na-ba-nao-conseguem-deixar-moradia-em-area-de-risco.ghtml