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TV Globo Dramatiza a Cobertura da Tragédia Gaúcha e Esconde as Causas e os Responsáveis pelo Agravamento do Desastre Ambiental

A enchente que devastou o Rio Grande do Sul em 2024 já é considerada por alguns especialistas o maior desastre climático da história do Brasil, tanto em termos de extensão territorial quanto no número de pessoas afetadas. Praticamente todo o território gaúcho sofreu as consequências das inundações, e a tragédia se desdobra como um mar de destruição e desolação. No entanto, enquanto a TV Globo dramatiza a cobertura da catástrofe, existe uma omissão notável: as causas subjacentes e os responsáveis pelo agravamento do desastre ambiental.

#### A Tormenta Perfeita

A devastação no Rio Grande do Sul é o resultado de uma “tormenta perfeita” de fatores implacáveis:
1. **Extremos Climáticos em Ascensão**: O aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos é uma consequência direta das mudanças climáticas globais. As tempestades mais intensas e as chuvas torrenciais tornaram-se mais comuns, expondo a vulnerabilidade das infraestruturas e comunidades locais.

2. **Monoculturas Extensas**: A prática de monoculturas agrícolas em grande escala, como a soja e o milho, tem contribuído significativamente para a degradação do solo e a redução da capacidade de absorção de água. A falta de diversificação agrícola e a destruição das matas ciliares exacerbam o escoamento superficial e a ocorrência de inundações.

3. **Especulação Imobiliária Desenfreada**: A expansão urbana desordenada e a especulação imobiliária têm levado à ocupação de áreas de risco, como várzeas e encostas, sem a devida consideração pelos impactos ambientais. A impermeabilização do solo urbano impede a infiltração da água da chuva, aumentando a intensidade e a frequência das enchentes.

4. **Destruição da Legislação Ambiental**: A flexibilização e o desmonte da legislação ambiental nos últimos anos têm facilitado o desmatamento e a degradação de ecossistemas vitais para a regulação hídrica. Políticas públicas insuficientes e a falta de fiscalização agravam a situação.

5. **Neoliberalismo e Desatenção aos Clamores da Natureza**: A política econômica neoliberal, focada no crescimento econômico a qualquer custo, tem negligenciado as necessidades ambientais e os clamores da natureza. A priorização de interesses econômicos sobre a sustentabilidade ambiental tem levado a uma gestão inadequada dos recursos naturais e a um aumento da vulnerabilidade às catástrofes naturais.

#### A Cobertura da TV Globo

A cobertura da TV Globo sobre a tragédia no Rio Grande do Sul tem sido criticada por sua abordagem dramática que foca nas imagens de destruição e sofrimento humano, enquanto minimiza ou omite completamente as causas estruturais e os responsáveis pelo agravamento da situação. A narrativa predominante apresenta o desastre como uma calamidade natural inevitável, sem explorar os fatores antropogênicos (Alterações ambientais que resultam de atividades humanas) que contribuíram para sua magnitude.

#### A Importância da Transparência e Responsabilização

Para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e prevenir futuros desastres, é fundamental que a cobertura midiática seja transparente e completa, revelando não apenas os efeitos imediatos, mas também as causas subjacentes e os atores responsáveis. A conscientização pública e a responsabilização são passos essenciais para promover políticas ambientais mais rigorosas e eficazes.

#### Conclusão

A tragédia no Rio Grande do Sul é um lembrete doloroso das consequências de políticas insustentáveis e da negligência ambiental. É imperativo que a mídia, os governantes e a sociedade como um todo abordem as causas profundas dessas catástrofes e trabalhem juntos para construir um futuro mais resiliente e sustentável. Ignorar essas questões apenas garante que desastres similares continuarão a ocorrer, com consequências cada vez mais devastadoras para a população e o meio ambiente.

FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas 

( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )