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União Musk-Milei reforça aliança internacional da direita jurássica

Em meio ao salseiro produzido por Elon Musk no Brasil, o presidente argentino Javier Milei encontrou-se com o bilionário sul-africano na fábrica de carros elétricos Tesla, no Texas. A pretexto de atrair investimentos para a Argentina, Milei ofereceu ao detrator de Alexandre de Moraes “colaboração neste conflito entre a rede social X no Brasil e o marco do conflito judicial e político no país”.

A vassalagem de Milei chega dias depois de uma postagem marota da chanceler argentina Diana Mondino na rede X. A chefona da chancelaria da Argentina, hoje uma das mais prestigiadas auxiliares de Milei, anotou que suas embaixadas estão abertas à concessão de “refúgio a todos que são perseguidos por compartilhar valores de liberdade”.

Qualquer criança de cinco anos é capaz de ouvir nas entrelinhas do texto de Diana Mondino a oferta de proteção diplomática aos funcionários da empresa X Brasil. Uma gente que, na ficção criada por Musk, estaria ameaçada de prisão por supostamente desatender às requisições “ilegais” do “ditador” Xandão.

A oferta de “colaboração” de Milei para influir na conjuntura jurídica e política do Brasil está situada no mesmo limbo onde repousam as reformas econômicas prometidas pelo anarco-capitalista ao povo argentino desde a campanha eleitoral que produziu a alternância de poder na Casa Rosada. Na prática, o lero-lero de Milei é tão inócuo quanto a bazófia de Musk de descumprir ordens emanadas do Supremo.

A união Musk-Milei deve ser compreendida no contexto da recessão democrática que leva ao surgimento, expansão e diversificação de espécies de dinossauros políticos que empurram o mundo para um novo Período Jurássico. Graças à premonição da maioria do eleitorado, o desastre foi adiado no Brasil.

Entretando, embora Bolsonaro tenha sido declarado inelegível, o bolsonarismo e seu arcaísmo ainda pulsam no Brasil. Os devotos do capitão enxergaram no chilique do dono de uma das plataformas mais tóxicas das redes sociais a oportunidade para prolongar o processo de subversão que corroi a democracia por dentro, substituindo as fardas e os tanques pela industrialização do ódio e da desinformação.

A volta da política à Era Mesozoica já é realidade em países como Hungria, Rússia, Polônia, Geórgia, Filipinas, Nicarágua e Venezuela. A ultradireita acaba de triunfar na Argentina. Aterroriza a Itália e a Alemanha. Avança na França. Por um triz, não prevaleceu em Portugal.

Aos pouquinhos, os dinossauros vão formatando a sua Internacional Jurássica. Numa democracia, como se sabe, o direito de se expressar livremente não inclui o direito de ser levado a sério. Mas é convém não descuidar dos ruídos.

FONTE:

https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2024/04/12/uniao-musk-milei-reforca-alianca-internacional-da-direita-jurassica.htm