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Xi Jinping e Putin se Reúnem em Pequim: “Sem Limites” em Tempos de Guerra e Tensão

A reunião entre o presidente chinês Xi Jinping e presidente russo Vladimir Putin em Pequim, marcada para 17 de maio de 2024, chega em um momento de grande fragilidade nas relações internacionais.

A guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, aprofundou a divisão entre o Ocidente e a Rússia, e a China, embora não se posicionando diretamente como aliada da Rússia, tem se mantido próxima a Moscou, o que tem causado preocupações no Ocidente.

O encontro, que marca os 75 anos de relações diplomáticas entre a China e a Rússia, é visto como uma oportunidade para consolidar a parceria estratégica entre os dois países, apelidada de “sem limites“, uma expressão que ainda ecoa fortemente na política internacional.

Essa declaração, feita em fevereiro de 2022, foi interpretada como um sinal de que a China está disposta a fortalecer os laços com a Rússia, mesmo em meio às sanções ocidentais impostas à Rússia por conta da guerra na Ucrânia.

Para Putin, a reunião em Pequim é uma oportunidade de fortalecer os laços com um parceiro estratégico fundamental, buscando um contraponto ao poderio ocidental e apoio para seus interesses geopolíticos.

A Rússia, cada vez mais isolada do Ocidente, busca apoio e investimentos da China, e o encontro com Xi Jinping pode ser visto como um passo crucial nessa busca por aliados. A China, por sua vez, se encontra em uma posição delicada. Embora tenha se apresentado como um promotor da paz, não condenou a invasão russa da Ucrânia e tem se recusado a impor sanções à Rússia.

Essa postura, interpretada como um sinal de apoio tácito à Rússia, tem gerado preocupações nos países ocidentais, que temem que a China possa estar disposta a ajudar a Rússia a contornar as sanções ocidentais. Além da guerra na Ucrânia, a reunião em Pequim também acontece em um momento de crescente tensão entre a China e os Estados Unidos.

A disputa comercial entre os dois países se intensificou, e a questão de Taiwan, que a China considera parte de seu território, tem se tornado um ponto de atrito. A aproximação entre a China e a Rússia pode ser interpretada como uma resposta à pressão norte-americana, demonstrando uma estratégia de “front única” para enfrentar o Ocidente.

O encontro entre Xi Jinping e Putin é, portanto, uma ocasião carregada de simbolismo e consequências. As discussões sobre os laços “sem limites” e sobre o futuro da parceria estratégica China-Rússia serão observadas de perto por todo o mundo, e poderão influenciar o curso da ordem mundial nas próximas décadas.

A questão central, ainda sem respostas claras, é se a China e a Rússia estão dispostas a ir mais longe em sua parceria, assumindo riscos e abrindo mão de interesses próprios para dar um passo mais audacioso em direção a um novo mundo com polarização geopolítica ainda mais profunda

 

FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas

( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )