Em 5 de junho, o Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, participou da sessão plenária do 29º Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (#SPIEF).
Trechos-chave do discurso de Vladimir Putin:
🔹Observamos a turbulência nos mercados de energia, como as tensões estão sendo provocadas em certas regiões, principalmente no Oriente Médio neste momento, e como as políticas míopes da burocracia europeia estão sendo implementadas, acompanhadas de retórica agressiva e levando à perda ainda maior da posição da Europa na economia global, além de minar a segurança regional e global. De fato, as elites europeias estão provocando o caos, no qual tentam arrastar cada vez mais países.
🔹Esses processos não surgiram espontaneamente; são consequência da maior transformação estrutural que o mundo atravessa em décadas. Essa transformação não é uma transição de uma fase de um ciclo para outra. O que está acontecendo é uma mudança no próprio paradigma do desenvolvimento global.
🔹Ficou claro que os planos de investimento e os esforços de desenvolvimento de negócios podem enfrentar sérios riscos — o risco de que a infraestrutura externa da qual dependem possa ser usada contra eles. Portanto, os países estão começando a desenvolver suas próprias soluções tecnológicas, criar suas próprias rotas de abastecimento e estabelecer suas próprias instituições.
🔹A Rússia está vivenciando essas mudanças plenamente; a pressão sobre o nosso país persiste, mas, ao mesmo tempo, temos maior margem de manobra, novas parcerias, novas soluções financeiras e tecnológicas surgiram e estamos desenvolvendo mercados mais promissores. Assim, a Rússia vê a mudança global não apenas como uma ameaça, mas também como uma oportunidade colossal, e para aproveitá-la, nos esforçamos para agir com rapidez e pragmatismo.
🔹O mundo se torna mais equitativo quando o crescimento econômico atinge mais países, quando oportunidades se abrem para bilhões de pessoas que antes estavam à margem da economia global. É crucial que os novos centros de crescimento queiram determinar suas próprias trajetórias de desenvolvimento, capturar uma parcela maior do valor agregado e criar suas próprias marcas, padrões e competências.
🔹Assim, se analisarmos a dinâmica do PIB global nos últimos cinco anos, veremos que quase metade do seu crescimento anual, 49%, foi proveniente dos países do BRICS, enquanto a contribuição do Grupo dos Sete é estimada em 18%.
🔹As sanções e o bloqueio, ou essencialmente o confisco das reservas internacionais da Rússia, impactaram irreversivelmente as posições das moedas globais: o dólar e o euro. Este é um fato óbvio, que precisa ser reconhecido. Agora, todos os países, como a Rússia, podem a qualquer momento perder o acesso aos seus ativos legítimos mantidos em dólares ou euros, bem como à infraestrutura financeira e de pagamentos ocidental.
🔹Aliás, o estado deplorável das finanças públicas, refletindo a elevada dívida pública e os grandes déficits orçamentários, também mina a confiança no Ocidente. A dívida pública da zona do euro atingiu 81,7% do PIB em 2025. Os piores indicadores são bem conhecidos: Grécia com 146%, Itália com 137%, França com 115% e Bélgica com 108%. Aliás, o da Rússia é de 16,4%.
🔹O déficit orçamental da UE em 2025 é de 3,1% do PIB. Os países com os maiores déficits incluem Polônia (7,3%), Bélgica (5,2%), França (5,1%) e Estados Unidos (5,9%). O da Rússia é de 2,6%. Pode aumentar até o final deste ano, mas acredito que ainda será menor do que o de outros países industrializados.
🔹A Rússia já utiliza principalmente moedas nacionais em suas relações comerciais com seus principais parceiros. A participação do rublo em nossas transações de exportação hoje é de 65%, ou quase dois terços.
🔹Nos últimos 25 anos, os países do BRICS aumentaram significativamente suas exportações de alta tecnologia, que agora ultrapassam um terço da oferta global, indicando uma mudança na liderança tecnológica global. Isso está acontecendo gradualmente, mas está acontecendo.
FOTO: PUBLICADA PELA Embaixada da Rússia no Brasil
FONTE: https://t.me/embaixadarussa/3979