Quando o jornalismo se afasta da verdade e se aproxima da propaganda imperialista, ele deixa de informar e passa a preparar o terreno para guerras.
Hoje, 7 de Abril, é o Dia do Jornalista. No mundo ideal, a efeméride suscitaria uma celebração da verdade. Mas, na prática, a data escancara uma tensão permanente: entre o compromisso ético com a informação e o papel histórico de parte substancial da mídia empresarial na construção de narrativas que servem a interesses políticos e ideológicos do sionismo e do imperialismo. Quando o jornalismo se afasta da apuração rigorosa e se aproxima da propaganda de impérios, ele deixa de informar e passa a preparar o terreno para golpes e guerras.
A história recente oferece exemplos contundentes.
O caso mais emblemático talvez seja o do Iraque. Em 2003, os Estados Unidos e seus aliados, com apoio decisivo de grandes veículos de comunicação, difundiram a ideia de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. Essa narrativa foi repetida à exaustão por jornais e emissoras influentes, moldando a opinião pública global. Mais tarde, descobriu-se que tais armas nunca existiram. Ainda assim, a guerra aconteceu e suas consequências foram devastadoras.
Esse episódio revela um padrão: a repetição sistemática de alegações sem comprovação pode consolidar crenças coletivas difíceis de desfazer, mesmo após sua refutação.
Na Líbia, em 2011, a intervenção liderada pela OTAN foi apresentada como uma ação humanitária para proteger civis. A cobertura dominante caricaturou as ações do governo de Muammar Gaddafi, mas pouco espaço foi dado à complexidade interna do país ou aos interesses estratégicos envolvidos. O resultado foi a destruição do Estado líbio e uma crise prolongada que ainda permanece.
Na antiga Iugoslávia, nos anos 1990, as guerras foram frequentemente narradas em termos simplificados, com a construção de vilões e vítimas de forma maniqueísta. A redução de um conflito complexo a slogans mentirosos facilitou a aceitação dos bombardeios da OTAN como solução legítima. E ainda levou à morte na prisão o presidente Milosevic, vilanizado pela propaganda imperialista.
Em Cuba, há décadas, a cobertura predominante em grandes meios ocidentais mente sobre o caráter da Revolução e do Governo. Na Venezuela, a mídia demonizou o presidente Maduro.
No Oriente Médio, o padrão se repete. Em Gaza, a narrativa dominante enquadra o genocídio contra o povo palestino como uma resposta militar legítima contra o suposto terrorismo das forças da Resistência. No Líbano e no Irã, discursos sobre ameaças nucleares ou “regimes perigosos” e “forças terroristas aliadas” são bordões para justificar a guerra deflagrada pelo imperialismo estadunidense e seu cúmplice, o estado sionista de Israel.
Na guerra entre Rússia e Ucrânia, a disputa midiática tornou-se parte central do conflito. Redes sociais, veículos tradicionais e governos operam para legitimar o presidente fantoche Vladimir Zelensky e condenar a Rússia e seu líder.
Como se vê, a desinformação é um fenômeno global e multifacetado. O uso de expressões como “intervenção humanitária”, “defesa da democracia” ou “combate ao autoritarismo” frequentemente aparece como discurso partidarizado em benefício de interesses estratégicos, econômicos e geopolíticos do imperialismo e seus aliados.
Vale destacar também que a mentira não é exclusividade dos grandes conglomerados; setores oportunistas, mesmo dentro do espectro que se reivindica de esquerda, muitas vezes reproduzem essas mesmas falácias. Ao dissociar o antifascismo do anti-imperialismo, certos grupos que se apresentam como internacionalistas e antiautoritários enfraquecem a luta popular e acabam servindo, ainda que indiretamente, à manutenção do poder hegemônico. O antifascismo consequente deve ser, necessariamente, anti-imperialista.
Divulgar a verdade da luta dos povos é, portanto, o maior ato de homenagem que se pode prestar aos jornalistas que, sendo verdadeiros, são objetivamente progressistas. Contra as distorções, a comunicação deve atuar como porta-voz das soberanias nacionais e dos direitos dos povos. É tempo de reafirmar que a ética jornalística não é neutra quando a liberdade, a independência e a vida das populações estão em jogo sob bombardeios midiáticos e militares.
Foto: Divulgação /Redes sociais
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/7-de-abril-dia-do-jornalista-a-permanente-disputa-entre-a-verdade-e-a-propaganda-imperialista