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A ARMADILHA DE ORMUZ: QUANDO WASHINGTON PONDERA ENVIAR TROPAS PARA UM LOCAL DE ONDE PODEM NUNCA MAIS VOLTAR…

“Em Washington, alguns parecem ainda acreditar que um mapa do Estado-Maior é suficiente para vencer uma guerra. Basta desenhar uma seta em direção ao Estreito de Ormuz, escrever “assegurar a costa” e concluir que o problema está resolvido. No papel, é elegante. No terreno, a história é bem diferente.

(Por BPartisans)

Há vários dias que o relativo silêncio entre Washington e Teerão parece menos uma paz restaurada do que uma pausa em que cada lado observa o passo em falso seguinte do outro. A ideia de uma operação terrestre dos EUA no sul do Irão está a ressurgir. Uma noção atraente para os estrategas de sofá, bem menos para os soldados que teriam de a executar.

Porque, ao contrário do Iraque em 2003, o Irão não está hoje a descobrir a possibilidade de uma invasão dos EUA. Durante mais de quarenta anos, a República Islâmica construiu a sua doutrina em torno deste cenário. Redes de mísseis, drones, guerra assimétrica, unidades da Guarda Revolucionária, defesas costeiras, bunkers, stocks logísticos e preparação do terreno: toda uma arquitetura militar concebida para transformar cada quilómetro conquistado numa armadilha custosa.

Tomar uma cabeça de ponte é uma coisa. Mantê-la é outra. Um exército moderno não luta apenas com espingardas; avança graças a um fluxo constante de combustível, munições, peças de substituição, material alimentar e evacuações médicas. No entanto, no Golfo, cada navio de abastecimento, cada porto improvisado e cada comboio tornar-se-iam potenciais alvos. A logística sob pressão constante acaba sempre por ditar o ritmo das operações.

E enquanto Washington contabilizava os seus comboios, Teerão provavelmente contaria com o tempo. Pois o Irão não tem necessariamente de repelir uma força superior imediatamente; apenas necessitaria de aumentar gradualmente o custo humano, material e político. É precisamente este o tipo de guerra que os Estados Unidos têm tentado evitar desde o Iraque e o Afeganistão.

A parte mais irónica continua a ser o objectivo declarado: garantir o controlo do Estreito de Ormuz para tranquilizar os mercados. Mesmo com tropas americanas em parte da costa, nada garante que as seguradoras e os armadores recuperem a tranquilidade. Um estreito cruzado por mísseis, drones e uma ameaça constante não se torna seguro só porque ali se hasteia uma bandeira.

A história recente deveria servir de lição. Os Estados Unidos são excelentes em demonstrações de força. Mas têm muito menos sucesso quando se trata de manter território hostil a longo prazo contra um adversário preparado durante décadas.

Ao tentar transformar Ormuz numa montra de poder, Washington pode, em vez disso, transformar o Golfo num monumento à arrogância estratégica. E, mais uma vez, descobrir que as guerras mais fáceis são aquelas que se travam… nas apresentações PowerPoint.”

FONTE: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1577158064451308&set=a.469011581932634