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A Bomba Da Dívida Do Japão Está Prestes A Explodir E Atingir Os Estados Unidos

A ideia de que a “bomba da dívida do Japão” vai explodir e atingir os EUA se baseia no fato de que o país tem a maior relação dívida/PIB do mundo, seus juros estão subindo e o Japão é um dos maiores credores do Tesouro americano; isso pode gerar choques em juros, câmbio e mercados globais, mas é mais um risco de turbulência e contágio do que um colapso automático garantido.

Situação da dívida e dos juros no Japão

– A dívida pública bruta japonesa é projetada em torno de 200%–230% do PIB, muito acima da média das economias avançadas, após décadas de déficits e políticas de estímulo.
– O Banco do Japão manteve por muito tempo juros próximos de zero e controle da curva de rendimentos (yield curve control), mas desde 2024 vem permitindo que os juros dos títulos de longo prazo subam, o que encarece o serviço da dívida.
– Em 2025–2026, os yields de títulos japoneses de 20–40 anos atingiram máximas de décadas, e a venda de títulos (JGBs) aumentou, sinalizando preocupação do mercado com a sustentabilidade fiscal e a mudança de política monetária.

Como isso pode “bater” nos EUA

– O Japão é (ou foi até pouco tempo) um dos maiores detentores de Treasuries, com algo próximo de 1 trilhão de dólares em títulos; se investidores japoneses venderem Treasuries para cobrir perdas domésticas ou aproveitar juros mais altos no Japão, a demanda pelos títulos americanos cai.
– Menor demanda por Treasuries tende a pressionar *para cima* os juros nos EUA, elevando custo da dívida pública americana, financiamentos, hipotecas e, em geral, o custo de crédito na economia.
– Um grande movimento de venda de ativos e redução de “carry trades” em iene também pode aumentar a volatilidade global, com quedas em bolsas e reprecificação de risco em vários países – incluindo os EUA.

Por que é um risco sério, mas não um apocalipse certo

– A maior parte da dívida japonesa é detida por residentes (bancos, seguradoras, fundos do próprio Japão), o que reduz o risco de fuga externa descontrolada em comparação com países muito dependentes de credores estrangeiros.
– Tanto o Banco do Japão quanto o Federal Reserve e outros bancos centrais têm instrumentos para amortecer choques (compra de títulos, liquidez em dólar, coordenação), o que torna mais provável uma sequência de episódios de tensão e ajustes do que uma “explosão súbita” única.
– Analistas vêm tratando o episódio como um *sinal de alerta* para países muito endividados (inclusive os próprios EUA), mais do que como o gatilho inevitável de um colapso financeiro global imediato.

Em resumo, a “bomba” japonesa é o acúmulo de dívida num ambiente de juros em alta; se a confiança nos títulos japoneses balançar, pode haver venda de ativos, alta de juros e turbulência que se espalha para os EUA via Treasuries e mercados globais, mas o cenário realista é de risco de *turbulência prolongada e contágio* – não uma explosão automática sem resposta das autoridades.

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