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A eletrificação do transporte é o caminho mais rápido para a autossuficiência energética do Brasil

Um estudo recente do Citi revelou que a adoção de veículos elétricos e híbridos já surte efeitos práticos no país, estimando que 700 milhões de litros de gasolina e etanol deixaram de ser consumidos. Embora o dado atual represente cerca de 1% da demanda nacional, as projeções indicam que esse volume saltará para 5 bilhões de litros até 2030 e 9 bilhões até 2040.

Apesar de o avanço dos carros de passeio leves ser um excelente ponto de partida, o verdadeiro salto estratégico do Brasil está na eletrificação de frotas pesadas, como caminhões e ônibus. Ao acelerar a transição energética nesses segmentos de alto consumo, o país tem a oportunidade real de reduzir drasticamente a dependência de combustíveis fósseis e alcançar a autossuficiência no curto prazo.

O Peso dos Pesados: Por que focar em Caminhões e Ônibus?

Enquanto os carros particulares rodam poucos quilômetros por dia e utilizam uma mistura eficiente de gasolina e etanol, o transporte comercial de cargas e passageiros opera ininterruptamente e é movido a óleo diesel — o combustível mais consumido no Brasil e o que mais pesa na balança comercial do país.

  • Alto consumo concentrado: Um único ônibus urbano ou caminhão de grande porte consome, em média, de 15 a 20 vezes mais combustível por mês do que um automóvel de passeio. Eletrificar um veículo pesado gera o mesmo impacto ambiental e de consumo que retirar dezenas de carros das ruas.
  • Gargalo do Refino e Importação: O Brasil é um grande produtor de petróleo bruto, mas sua capacidade de refino nacional não acompanha o consumo interno de diesel. O país ainda precisa importar bilhões de litros de diesel anualmente para manter a economia rodando.
  • Zerar a dependência externa: Ao focar investimentos na eletrificação do transporte de carga e coletivo urbano, o Brasil corta diretamente o mal pela raiz, reduzindo drasticamente a necessidade de importar diesel estrangeiro.

Os Benefícios de uma Transição Acelerada

Ao usar a base de dados do Citi como trampolim para políticas públicas que incentivem o transporte elétrico pesado, o Brasil colhe três grandes vantagens estruturais:

Dimensão Impacto da Eletrificação de Pesados
Autossuficiência Relâmpago A forte redução na queima de diesel e gasolina equilibra instantaneamente a balança comercial de combustíveis, eliminando o risco de desabastecimento externo.
Segurança Logística O preço do frete e das passagens de ônibus deixa de flutuar ao sabor do preço internacional do barril de petróleo (Brent) ou de crises geopolíticas globais.
Aproveitamento da Matriz Limpa O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo (hidrelétrica, eólica e solar). Abastecer caminhões com eletricidade nacional significa usar energia barata e renovável de fabricação própria.

O Futuro do Etanol e da Gasolina

A redução drástica provocada pelos veículos elétricos e pesados não significa o fim das indústrias tradicionais, mas sim o seu amadurecimento técnico.

A sobra de etanol decorrente da eletrificação nacional pode ser redirecionada para fins mais nobres e de maior valor agregado, como a produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) e hidrogênio verde, mercados globais onde o Brasil desponta como potencial líder de exportação.

Acelerando a eletrificação de ônibus e caminhões, o Brasil não apenas protege sua economia contra a volatilidade do petróleo, mas consolida sua soberania energética, transformando-se em um país totalmente autossuficiente e sustentável em tempo recorde.

FOTO: CITIBANK

FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas

( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )