Presidente defende criação da Universidade Federal Indígena, prevista para 2027, com sede em Brasília e campi em várias localidades espalhadas pelo País.
247 – O presidente Lula defendeu a criação da Universidade Federal Indígena (Unind), em Brasília (DF), nesta quinta-feira (28), e destacou a importância de reconhecer o conhecimento milenar dos povos indígenas na educação superior brasileira. Ele também defendeu a valorização de direitos e criticou a exclusão histórica imposta aos povos indígenas.
“A gente não pode prescindir do conhecimento milenar que os povos indígenas acumularam ao longo do tempo. A gente vai ensinando o mundo a compreender que é possível garantir a todos terem seus direitos”, afirmou. “Não poderíamos continuar vivendo com a segregação dos povos indígenas, maltratados”, acrescentou.
A proposta prevê que a Unind comece a funcionar em 2027, com vínculo ao Ministério da Educação, sede na capital federal e campi distribuídos por diferentes regiões do País. A iniciativa também estabelece que indígenas ocupem obrigatoriamente os cargos de reitor e vice-reitor da instituição.
De acordo com o presidente, além da universidade, o governo precisa garantir condições adequadas aos estudantes indígenas. “Levar a sério a moradia e o refeitório dos estudantes. Custa fazer (universidade), mas quanto custa não fazer? O barato vai sair muito mais caro”, complementou.
Unind terá comando indígena
Conforme a proposta, docentes indígenas ocuparão obrigatoriamente os cargos de reitor e vice-reitor da Unind. A medida busca assegurar protagonismo dos povos originários na gestão acadêmica e administrativa da nova instituição.
A universidade também poderá realizar processos seletivos próprios, com base na Lei de Cotas. O modelo abre caminho para uma política de acesso voltada às realidades sociais, culturais e territoriais dos povos indígenas.
A criação da Unind ocorre em um contexto de crescimento da presença indígena no ensino superior. Segundo o Censo do IBGE, o número de indígenas nas universidades passou de 9 mil em 2011 para 46 mil em 2022, avanço de aproximadamente 36 mil estudantes.
Guimarães fala em reparação histórica
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, classificou o momento como histórico para o país. Ele destacou o caráter de reparação da iniciativa e afirmou que a nova universidade terá papel marcante na educação brasileira.
“É o valor da verdadeira reparação histórica que estamos fazendo. A universidade vai fazer história. Vocês (indígenas) merecem essa conquista”, disse.
Guimarães também associou a criação da Unind ao compromisso do governo federal com os direitos dos povos indígenas. “É o compromisso desse homem que não se cansa de trabalhar e defender os direitos do povo”, acrescentou Guimarães em referência ao presidente Lula.
Sônia Guajajara valoriza saber dos povos originários
Pré-candidata a deputada federal por São Paulo, Sônia Guajajara afirmou que a criação da Universidade Federal Indígena reconhece conhecimentos que sofreram exclusão histórica dentro do sistema educacional brasileiro.
“Durante séculos, o conhecimento dos nossos povos foi negado, tratado como inferior”, disse ela, que também criticou a postura das instituições de ensino superior ao longo da história. “As universidades brasileiras deram as costas para nós. Conhecimento com força da lei e peso do Estado”, continuou.
Em seu discurso, Sônia destacou que os povos indígenas têm contribuições científicas e acadêmicas decisivas para o Brasil e para o mundo, especialmente diante da crise climática. “Reconhecer que os indígenas têm conhecimento científico e acadêmico para oferecer ao mundo. Nossa sabedoria sobre florestas, biodiversidade, ciclos da vida e da natureza é fundamental em um planeta em emergência climática”, complementou.
Avanços na política indígena
Sônia Guajajara deixou o Ministério dos Povos Indígenas em março deste ano para disputar a eleição. O período de sua gestão teve como um dos principais marcos a garantia de direitos territoriais.
Nesse intervalo, o governo homologou 20 territórios indígenas, que somam 2.210.468 hectares. Também assinou 21 portarias declaratórias, com área total de 1.500.800 hectares.
A gestão também avançou na proteção de Terras Indígenas por meio de ações de desintrusão. Ao todo, 12 TIs passaram por esse processo, com proteção de 27,5 milhões de hectares e garantia do usufruto exclusivo aos povos originários.
As ações de desintrusão causaram R$ 745,6 milhões em prejuízos diretos a atividades ilícitas. As medidas também resultaram em R$ 6,2 bilhões em decisões judiciais de apreensões de bens e valores, reforçando a presença do Estado em regiões historicamente vulnerabilizadas.
Na Terra Indígena Ianomâmi, a atuação coordenada pela Casa de Governo provocou queda de 98,77% do garimpo ilegal entre março de 2024 e janeiro de 2026. As ações causaram prejuízos estimados em mais de R$ 642 milhões às atividades criminosas.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
FONTE: https://www.brasil247.com/regionais/brasilia/a-gente-nao-pode-prescindir-do-conhecimento-milenar-dos-indigenas-diz-lula-ao-sancionar-unind