Quando o Ocidente anunciou as sanções à Rússia, a lógica era simples.
Cortar o país do sistema financeiro global e forçar uma capitulação econômica.
O que ninguém calculou direito foi o que a Rússia tinha embaixo do solo.
O Banco Mundial estima o valor total dos recursos naturais da Rússia em US$ 75 trilhões de dólares. O país detém abundância de petróleo, gás natural com as maiores reservas do mundo, e metais preciosos.
Isso representa mais de 30% de todos os recursos naturais do planeta.
E não é só energia.
A exportação de recursos naturais representou 60% do PIB russo em 2019.
A Rússia é também o maior exportador mundial de fertilizantes.
Isso significa que tentar isolá-la não é apenas uma decisão política.
É uma decisão sobre o preço da comida no prato de cada pessoa no mundo.
Num caso clássico de sanções que saíram pela culatra, a Alemanha interrompeu o gás russo apenas para depois importar enormes quantidades de fertilizantes produzidos a partir desse mesmo gás. As importações de fertilizantes russos mais baratos aumentaram 334%.
A dependência vai além dos fertilizantes.
A Rússia controla cerca de 40% da capacidade global de conversão e enriquecimento de urânio.
Os EUA dependem totalmente do fornecimento de urânio russo para a segurança energética desde que a última instalação de enriquecimento de urânio americana foi encerrada em 2013.
Sem o processamento russo, as usinas nucleares dos EUA e da Europa enfrentariam grave crise de abastecimento.
A Rússia também domina fatias críticas dos mercados de níquel para baterias, paládio para catalisadores e titânio para a aviação.
Os mesmos países que impuseram sanções e anunciaram política de redução da dependência passaram a ligar pedindo metal: “Vocês nos venderiam um pouco?”
Gás, grãos e fertilizantes que representam parcela significativa do mercado global de exportações russas sofreram aumentos de preços. A Europa e a Ásia passaram a competir pelo gás natural liquefeito, beneficiando os fornecedores.
A economia russa opera num sistema que poucos governos conseguem replicar.
Enquanto o mundo precisar de energia, comida e insumos estratégicos, o isolamento total é um mito matemático.
Em 2026, o comércio não parou.
Apenas mudou de rota, fluindo com força total para o Oriente.
A geologia não conhece fronteiras diplomáticas.
E os recursos não esperam pela política para continuar existindo.
FONTE: https://www.facebook.com/photo/?fbid=981434107591341&set=a.417527513982006