Proposta pode resultar na maior utilização de reservas estratégicas da história para conter a disparada do petróleo e seus efeitos sobre a economia global.
247 – A Agência Internacional de Energia (AIE) apresentou a proposta de liberar mais de 182 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas de seus países membros, numa tentativa de conter a disparada dos preços do crude provocada pela paralisação virtual do Estreito de Ormuz. A informação foi publicada pelo Wall Street Journal na terça-feira (10), segundo fontes ouvidas pelo jornal, e reproduzida pela RT Brasil.
A decisão final deve ser tomada nesta quarta-feira (11), em deliberação que precisa ser aprovada por consenso entre os 32 países membros da agência. Caso seja confirmada, a medida representará a maior liberação coordenada de reservas estratégicas já registrada, superando inclusive os volumes mobilizados em 2022, após o início da operação militar especial da Rússia.
Crise no Estreito de Ormuz pressiona mercado mundial
A proposta da AIE surge em meio a uma grave ruptura no fornecimento global de energia. O Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, tornou-se o epicentro da nova crise geopolítica e energética.
A paralisação da passagem elevou os temores de desabastecimento e provocou forte pressão sobre os preços internacionais do petróleo. O temor dos mercados é que uma interrupção prolongada amplie a inflação global, provoque correções nas bolsas e agrave o custo de vida em diversos países.
A AIE coordena um sistema robusto de proteção energética, que reúne cerca de 1,2 bilhão de barris em reservas públicas e outros 600 milhões de barris em reservas comerciais. O objetivo é blindar as economias dos países membros diante de choques severos de oferta, sobretudo em contextos de guerra ou colapso de rotas estratégicas.
Economistas alertam para inflação e impactos ao consumidor
Segundo o texto fornecido, economistas já alertam que uma escalada sustentada do petróleo pode gerar consequências profundas sobre a economia real. Entre os riscos apontados estão a aceleração inflacionária, a deterioração das condições de consumo e a instabilidade nos mercados financeiros.
O histórico das liberações emergenciais mostra resultados ambíguos. Em 2022, a percepção inicial de que o mercado enfrentava uma crise de grandes proporções acabou impulsionando os preços, antes de a medida contribuir posteriormente para sua redução. Já em 1991, durante a Guerra do Golfo, a mobilização das reservas ajudou a derrubar os preços em mais de 20% já no primeiro dia da operação.
Esse retrospecto reforça o caráter histórico da decisão que agora está sobre a mesa. Mais do que uma intervenção técnica, a eventual liberação recorde de petróleo é vista como resposta de emergência a um abalo geopolítico de grandes proporções, com capacidade de atingir cadeias produtivas, consumidores e governos em todo o planeta.
Ataque ao Irã agravou a instabilidade no Oriente Médio
A nova tensão energética está diretamente ligada à ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. De acordo com o texto fornecido, explosões foram registradas em várias áreas de Teerã, com relatos de impactos de mísseis.
Posteriormente, Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, confirmou o envolvimento norte-americano no ataque e afirmou: “Bombas cairão por toda parte”.
Segundo as informações apresentadas, a ofensiva ocorreu após repetidas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervenção no território iraniano, sob a justificativa de forçar mudanças no programa nuclear do país. O Irã, por sua vez, sempre sustentou que tem o direito de desenvolver esse programa de forma pacífica.
Ainda de acordo com o material fornecido, durante a operação conjunta entre Estados Unidos e Israel, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo do país.
Resposta iraniana ampliou risco de conflito regional
Em resposta à agressão militar, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel e também contra bases americanas instaladas em países do Oriente Médio. A reação elevou o risco de uma guerra regional de maiores proporções e aprofundou o nervosismo nos mercados internacionais.
O texto informa ainda que o número de mortos no Irã em decorrência da ofensiva de Estados Unidos e Israel já ultrapassou 1.300 pessoas. A dimensão do saldo humano amplia a gravidade do episódio e reforça a pressão diplomática sobre os países envolvidos.
A escalada militar também aprofundou a percepção de que o fechamento ou bloqueio prático do Estreito de Ormuz passou a ser um dos principais efeitos colaterais do conflito, criando um elo direto entre a guerra e a emergência energética em discussão na AIE.
Rússia e China condenam ofensiva
Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Entre as reações mais duras, os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, classificaram os ataques como “inaceitáveis”, segundo o texto fornecido.
A crítica ganha peso adicional pelo fato de a ofensiva ter ocorrido em meio a negociações em curso entre Washington e Teerã. Para Moscou e Pequim, o ataque comprometeu qualquer perspectiva de estabilização diplomática no curto prazo e agravou o risco de descontrole militar na região.
Decisão da AIE pode marcar novo capítulo da crise global
A reunião desta quarta-feira (11) é tratada como decisiva para os desdobramentos imediatos da crise. Se aprovada, a liberação de mais de 182 milhões de barris poderá funcionar como instrumento emergencial para reduzir a pressão sobre os preços e evitar um choque ainda mais severo no abastecimento global.
Ainda assim, o próprio histórico citado no texto indica que os efeitos de uma medida dessa magnitude não são automáticos nem lineares. Em momentos de forte instabilidade geopolítica, a percepção do mercado pode produzir reações contraditórias no curto prazo.
O que está em jogo, portanto, não é apenas o preço do barril, mas a capacidade das grandes economias de evitar que a guerra no Oriente Médio se transforme também em uma nova crise econômica internacional.
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FONTE: https://www.brasil247.com/economia/agressao-de-trump-e-netanyahu-ao-ira-provoca-mudanca-radical-no-mercado-de-petroleo