Vice-presidente participou da entrega de 162 quilômetros da extensão da Malha Norte, em Mato Grosso, obra privada integrada ao Novo PAC.
247 – O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou neste sábado (20), em Dom Aquino, Mato Grosso, que o Brasil precisará ampliar fortemente sua malha ferroviária para sustentar o crescimento econômico, reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade da produção nacional. Ao participar da entrega da primeira fase da extensão da Malha Norte e do novo terminal ferroviário da BR-070, ele destacou que o país ainda depende excessivamente do transporte rodoviário.
As informações são da Agência Gov. Ao lado do ministro dos Transportes, George Santoro, Alckmin participou da inauguração de um trecho de 162 quilômetros de ferrovia em traçado novo, integrado ao Novo PAC. O empreendimento conecta regiões produtoras de Mato Grosso à malha ferroviária nacional e ao Porto de Santos, principal saída para parte relevante das exportações brasileiras.
“Vamos precisar de muita ferrovia para transportar o desenvolvimento do Brasil. A ferrovia é só 20% da matriz de transporte do Brasil. A nossa meta é chegar a 35%”, afirmou o vice-presidente durante a solenidade.
A obra integra a Ferrovia Estadual de Mato Grosso, projeto que prevê mais de 743 quilômetros de trilhos entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, além de um ramal para Cuiabá. Ao todo, o traçado passa por 16 municípios e tem como objetivo aproximar os trilhos das áreas de maior produção agrícola do estado.
“Esta é a maior obra ferroviária privada do país”, ressaltou Alckmin.
Novo corredor para o agronegócio
A etapa entregue foi desenvolvida pela Rumo, empresa responsável pelo projeto. O vice-presidente e as demais autoridades chegaram ao novo terminal a bordo de uma locomotiva da companhia, em um gesto simbólico para marcar o início da operação ferroviária no trecho.
O novo terminal ferroviário da BR-070 terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho. As operações começam em fase de comissionamento, com testes operacionais e operações assistidas previstas para os próximos meses.
A ampliação da Malha Norte é considerada estratégica para Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos e estado cuja competitividade depende diretamente da capacidade de escoamento da safra. A ferrovia deve reduzir a distância entre as áreas produtoras e os grandes corredores de exportação, diminuindo custos e ampliando a eficiência logística.
Alckmin destacou que o avanço ferroviário é indispensável para que o Brasil mantenha sua posição entre os grandes produtores e exportadores de alimentos do mundo.
“O Brasil, que era importador de alimentos há 70 anos, hoje está entre os três maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. Nós precisamos chegar aos portos. E, para chegar aos portos, precisamos de ferrovia”, disse.
Logística, exportações e competitividade
O vice-presidente também relacionou a expansão da infraestrutura ferroviária ao desempenho das exportações brasileiras. Segundo ele, o país bateu recorde em 2025, com US$ 349 bilhões exportados, dos quais US$ 162 bilhões vieram do agronegócio.
“Com melhor logística, vai melhorar a nossa competitividade”, afirmou.
A avaliação do governo é que a ampliação da participação das ferrovias na matriz de transportes pode reduzir o chamado Custo Brasil, diminuir a dependência de longas rotas rodoviárias, baratear o frete e tornar os produtos nacionais mais competitivos no mercado internacional.
No caso de Mato Grosso, a infraestrutura ferroviária é ainda mais decisiva porque boa parte da produção agrícola percorre longas distâncias até portos e centros consumidores. A nova etapa da Malha Norte reforça o papel do estado como um dos principais polos logísticos do agronegócio brasileiro.
Investimento privado e apoio público
A primeira fase da extensão da Malha Norte contou com mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados. Os recursos foram viabilizados por meio de financiamento da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste, a Sudeco, e de debêntures pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES.
Durante a cerimônia, Alckmin afirmou que o Governo do Brasil trabalha para ampliar os instrumentos de apoio ao setor ferroviário. Segundo ele, locomotivas já podem ser financiadas com recursos do Fundo Clima, enquanto a inclusão dos trilhos nos mecanismos de financiamento está em estudo para estimular novos investimentos na malha nacional.
“Não há nada mais ambientalmente correto do que ferrovia. Reduz emissão de carbono, diminui acidentes, reduz Custo Brasil, melhora a competitividade e o país cresce mais, gera mais emprego e mais renda”, declarou.
A fala reforça a tentativa do governo de associar a expansão ferroviária não apenas à agenda econômica, mas também à transição ambiental. O transporte sobre trilhos emite menos carbono por tonelada transportada do que o modal rodoviário, reduz a pressão sobre estradas e pode contribuir para a diminuição de acidentes.
Ferrovias no Novo PAC
A entrega da primeira fase da extensão da Malha Norte ocorre em um momento de retomada dos investimentos ferroviários no país. Entre 2023 e 2025, os aportes em infraestrutura ferroviária chegaram a R$ 30,54 bilhões, impulsionando projetos de ampliação, modernização e aumento da capacidade logística.
No âmbito do Novo PAC, o Governo do Brasil retomou investimentos considerados estratégicos para a recuperação e a expansão da infraestrutura sobre trilhos. A diretriz é fortalecer os corredores de transporte, integrar regiões produtoras e ampliar a eficiência da economia brasileira.
Ao mesmo tempo, concessionárias ampliaram seus investimentos em um ambiente descrito pelo governo como de maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica. A expectativa é que esse cenário crie condições para novos projetos ferroviários em diferentes regiões do país.
Etanol, milho e modernização agrícola
Além da agenda ferroviária, Alckmin abordou medidas voltadas ao fortalecimento da agroindústria, da produção de biocombustíveis e da modernização do setor produtivo. Ao mencionar a importância da cadeia do milho para Mato Grosso, ele afirmou que o Conselho Nacional de Política Energética deve elevar, na próxima quarta-feira, a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%.
“Com isso, ajuda a gasolina a ficar mais barata, emite menos, polui menos o meio ambiente e estimula a agricultura e a agroindústria, que vai fazer etanol combustível e vai fazer DDG para ração animal”, disse.
O vice-presidente também mencionou a linha de crédito de R$ 14 bilhões do Move Brasil para máquinas e implementos agrícolas, voltada à modernização do agronegócio. O programa prevê financiamento para tratores, implementos e colheitadeiras por meio da Finep, do Banco do Brasil, da Caixa e de bancos privados.
Como os grãos ainda chegam aos terminais ferroviários majoritariamente por caminhão, Alckmin ressaltou também o Move Brasil – Caminhões e Ônibus, programa de até R$ 21,2 bilhões para renovação da frota, com crédito destinado à aquisição de veículos novos e seminovos.
Infraestrutura como eixo do desenvolvimento
A entrega da nova etapa da Malha Norte reforça a centralidade da logística na estratégia de desenvolvimento do país. Para o governo, a expansão ferroviária é uma condição para que o Brasil consiga transformar seu potencial produtivo em ganhos concretos de competitividade, renda e emprego.
Ao defender a ampliação da participação das ferrovias na matriz de transporte, Alckmin apresentou a obra em Mato Grosso como parte de um movimento mais amplo de integração nacional, modernização da infraestrutura e fortalecimento do agronegócio brasileiro.
Com a nova ferrovia, Mato Grosso passa a contar com uma conexão mais robusta entre suas áreas produtoras e os principais corredores de exportação, em uma operação que pode reduzir gargalos históricos e ampliar a capacidade do país de levar sua produção aos mercados interno e externo.
Foto: Júlio César Silva/MDIC
FONTE: https://www.brasil247.com/economia/alckmin-defende-expansao-ferroviaria-para-reduzir-custos-e-impulsionar-desenvolvimento-do-brasil