Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 16 anos lutando pelos jornalistas

Alta de querosene e bandeira amarela na energia elétrica devem manter inflação pressionada

Pressões externas e fatores domésticos reforçam risco de inflação persistente e limitam espaço para queda dos juros no Brasil.

A semana que se inicia será marcada por uma agenda intensa de divulgação de indicadores econômicos relevantes, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No cenário internacional, os destaques ficam por conta da divulgação do índice de preços de consumo pessoal (PCE), principal medida de inflação acompanhada pelo Federal Reserve, além dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre. Esses indicadores serão fundamentais para avaliar o ritmo da atividade econômica e a persistência das pressões inflacionárias na economia americana.

No Brasil, o calendário também é robusto. Entre os principais dados, destaca-se o IPCA-15, prévia da inflação oficial que cobre o período de meados de março a meados de abril. Além disso, serão divulgados índices gerais de preços (IGP), dados do mercado de trabalho — incluindo informações do CAGED e da PNAD Contínua — e números de arrecadação federal. Em conjunto, esses indicadores oferecem um panorama abrangente sobre a evolução dos preços, da atividade econômica e das condições do mercado de trabalho no país.

O mais recente Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, reforça a deterioração das expectativas inflacionárias. A projeção para o IPCA de 2026 subiu para 4,86%, enquanto a estimativa para 2027 já se aproxima de 4%, ambos acima da meta oficial de 3%. No campo monetário, a expectativa para a taxa Selic ao final deste ano gira em torno de 13%, embora haja dúvidas quanto à viabilidade desse patamar diante do atual cenário inflacionário.

Um dos principais fatores de pressão inflacionária segue sendo o preço do petróleo, que permanece acima de US$ 100 por barril, em um contexto de incertezas geopolíticas, especialmente nas relações entre Estados Unidos e Irã. Esse ambiente tem contribuído para a elevação de custos em diversos setores, incluindo o de combustíveis. No Brasil, por exemplo, o preço do querosene de aviação acumula alta próxima de 100%, ampliando as pressões sobre a inflação. A energia elétrica também deverá subir com a definição da bandeira amarela para o próximo mês.

No campo da política monetária, a chamada “Super Quarta” reunirá decisões simultâneas do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil. Nos Estados Unidos, a expectativa predominante é de manutenção da taxa de juros, atualmente na faixa de 3,75%, possivelmente marcando uma das últimas reuniões sob a atual liderança. O posicionamento deverá refletir cautela diante de sinais recentes de inflação mais persistente.

No Brasil, por sua vez, o Banco Central enfrenta um dilema mais complexo. Embora haja espaço técnico para redução da taxa Selic, o avanço das expectativas de inflação limita o ritmo de flexibilização monetária. A expectativa do mercado aponta para um novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para aproximadamente 14,50%. Ainda assim, o ciclo de cortes deve seguir de forma gradual e cautelosa, podendo, inclusive, ser interrompido caso o cenário inflacionário continue se deteriorando.

Em síntese, a semana será decisiva para a formação de expectativas econômicas nos próximos meses, com dados relevantes e decisões de política monetária que devem influenciar os rumos da inflação, dos juros e da atividade econômica, tanto no Brasil quanto no cenário internacional.

Foto: Pedro França/Agência Senado

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/alta-de-querosene-e-bandeira-amarela-na-energia-eletrica-devem-manter-inflacao-pressionada