É hora de o governo brasileiro assumir sua responsabilidade histórica; permanecer em silêncio não é a melhor conduta diante de um fato tão grave.
Por José Reinaldo Carvalho – O envio dos destróieres USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson ao Caribe, em proximidade direta com a Venezuela, não é uma ação de “combate ao narcotráfico”, como alegam os Estados Unidos, tampouco uma medida de “segurança internacional”. É, acima de tudo, um ato de intimidação militar, planejado para pressionar um governo legítimo e semear instabilidade em toda a região latino-americana e caribenha.
Estamos diante da expressão renovada de uma velha prática do imperialismo norte-americano, que insiste em ditar regras à América Latina, mesmo em pleno século XXI. As acusações contra o presidente Nicolás Maduro – frágeis, mal fundamentadas e politicamente interessadas – são apenas pretextos para legitimar uma operação de ingerência. É a repetição do mesmo roteiro usado em outros países, sempre em nome de uma suposta defesa da democracia.
O desrespeito ao direito internacional
Ao movimentar embarcações de guerra para as águas caribenhas, os Estados Unidos atropelam princípios elementares do direito internacional. A proibição do uso da força, a não intervenção em assuntos internos e o respeito à autodeterminação dos povos são bases do convívio entre nações soberanas. Violá-las significa colocar em risco toda a arquitetura que sustenta a paz internacional.
Não é possível aceitar como justificativas o discurso humanitário, a bandeira da democracia ou o combate ao narcotráfico. Esses rótulos, repetidos à exaustão, mascaram o verdadeiro objetivo: subjugar um governo que insiste em preservar sua independência política, seu modelo de desenvolvimento, sua revolução democrática-popular.
Impactos além da Venezuela
Ignorar essa escalada militar como se fosse um problema exclusivo de Caracas seria um erro grave. O que está em jogo é a estabilidade de toda a América Latina. O Brasil, pela vizinhança amazônica, pelos fluxos migratórios e pelas cadeias energéticas e comerciais, será inevitavelmente afetado.
Ao militarizar o entorno venezuelano, Washington não está apenas desafiando Maduro; está tentando redesenhar, à força, a correlação política no continente. A intenção é clara: enfraquecer a integração latino-americana e impor uma agenda que atende unicamente aos interesses norte-americanos.
O líder venezuelano expressou com toda a clareza o sentido dos acontecimentos, durante a 13ª Cúpula Extraordinária da ALBA-TCP (Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América – Tratado de Comércio entre os Povos), no dia 20 de agosto: “A América Latina e o Caribe são um território em disputa entre as forças dos povos, as forças do progresso e da luta, e os projetos obscurantistas do império dos EUA”. .
Solidariedade e resistência
A resposta da Venezuela tem sido firme: defesa da soberania com base na unidade popular, na mobilização cívico-militar e na consolidação institucional do projeto bolivariano. Longe de estar isolado, o país conta com a cooperação internacional e com a consciência de um povo que não se dispõe a negociar sua independência. As Forças Armadas Bolivarianas deram o aviso de que estão mobilizadas e o presidente anunciou a mobilização de cerca de 5 milhões de voluntários das Milícias Nacionais.
Diante da ameaça imperialista, a defesa da Venezuela é, em última instância, a defesa de toda a América Latina contra a lógica da submissão.
A responsabilidade do Brasil
É hora de o governo brasileiro assumir sua responsabilidade histórica. A tradição diplomática do país sempre se guiou pelo respeito à soberania, pela não intervenção e pela busca da paz. Permanecer em silêncio diante dessa escalada seria abdicar desse papel e abdicar de um legado construído ao longo de décadas.
O Brasil deve se pronunciar com clareza: condenar publicamente a movimentação militar norte-americana e defender a retirada imediata dos destróieres do Caribe. Esse gesto não seria apenas uma posição em favor da Venezuela, mas uma afirmação em defesa de toda a região.
Um basta às ameaças
A América Latina e o Caribe têm direito a viver sem bases militares estrangeiras, sem bloqueios econômicos e sem frotas de guerra rondando suas águas. Esse é um princípio que não admite concessões.
O momento requer de todas as forças sinceramente progressistas e patrióticas uma posição inequívoca: solidariedade com a Revolução Bolivariana, respeito ao presidente Nicolás Maduro, paz com soberania para a Venezuela e para todos os povos latino-americanos. É hora de dizer, sem hesitação: basta de ameaças militares.
Foto: US Navy
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/ameaca-a-venezuela-expoe-a-face-do-imperialismo