O cenário latino-americano apresenta dois blocos frontalmente diferenciados e confrontados.
Em que medida o surgimento de um novo bloco de extrema direita afeta a América Latina?
Nada pode ficar isento da influência de um fenômeno tão brutal como esse, mesmo levando em conta suas fragilidades, já expostas em um artigo anterior, especialmente a manutenção do seu neoliberalismo e sua incapacidade para substituir as questões sociais, em um continente tão desigual, pelo tema da segurança pública e suas propostas suicidas de ainda mais violência.
Como se apresenta a situação latino-americana diante desse novo fenômeno?
O que há de avanços importantes – os governos do Brasil, do México e do Uruguai – segue sem se ver afetado pela nova extrema direita. É um polo sólido, com duas lideranças – a de Claudia e a de Lula – muito consistentes e coerentes.
Os avanços antineoliberais nesses países avançam e constroem um polo alternativo, que consolida um eixo anti-norte-americano sólido no continente, que segue sendo o eixo das alternativas antineoliberais no mundo. Até porque aqui a direita tradicional sofreu grandes derrotas no Brasil, na Argentina e no Uruguai, além de estar muito debilitada em países como a Argentina e o Equador, e se enfraqueceu muito.
Não cabem, então, as previsões de que o surgimento da nova extrema direita coloque o continente numa situação de isolamento. Os governos do México e do Brasil, dois dos três mais importantes da região, são suficientes para demonstrar que o continente segue seu caminho de consolidar uma perspectiva de superação do neoliberalismo nesta primeira metade do século XXI.
Este novo bloco se soma à postura igualmente suicida dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump, que tenta evitar sua provável derrota eleitoral de outubro, o que ameaça torná-lo um “pato manco” em toda a segunda metade do seu mandato. Como efeito, as relações entre o Brasil e os Estados Unidos voltaram a se degradar, com ataques mútuos entre Lula e Trump.
O continente não deixa de ser a única região no mundo com governos antineoliberais, mesmo se esse bloco se enfraquece com as vitórias da extrema direita no Peru e na Colômbia. A isso se somam os governos, mesmo se bastante enfraquecidos, do Equador e da Argentina.
O cenário latino-americano, assim, apresenta dois blocos frontalmente diferenciados e confrontados. Resta saber quanto tempo podem ainda conviver esses dois blocos tão diferenciados entre si. O apoio norte-americano não é suficiente para prolongar o novo bloco de extrema direita, embora lhe dê difusão propagandística.
O marco geral de fortalecimento e expansão dos Brics, ao lado do isolamento e declínio da hegemonia norte-americana, favorece a consolidação e o prolongamento do bloco progressista e coloca novos limites ao novo bloco de extrema direita.
FOTO: RS/Fotos Públicas
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/america-latina-frente-ao-surgimento-de-uma-nova-extrema-direita