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Amplamente rejeitado na Argentina, Milei discursa na convenção do PL em apoio a Flávio Bolsonaro

Em meio ao colapso socioeconômico e denúncias de corrupção em seu país, líder ultraliberal tenta interferir no pleito brasileiro.

247 – Em uma clara e ostensiva tentativa de ingerência na política interna do Brasil, o presidente da Argentina, Javier Milei, participou neste sábado (25) da convenção nacional do PL, realizada para oficializar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante seu pronunciamento no evento partidário, o mandatário argentino desferiu severos ataques ao que denominou de “socialismo”, reclamou publicamente do impedimento imposto pelas autoridades judiciais brasileiras para visitar Jair Bolsonaro (PL) – condenado e preso por tentativa de golpe de Estado – e chancelou o apoio da extrema-direita internacional à chapa encabeçada pela família Bolsonaro.

A presença do governante argentino em um ato de pré-campanha eleitoral no Brasil faz parte de uma engrenagem de articulação transnacional do extremismo de direita na América Latina. Contudo, a tentativa de Milei de projetar influência e atuar como padrinho político no cenário eleitoral brasileiro ocorre justamente no momento em que seu próprio governo enfrenta uma grave deterioração política. O líder ultraliberal amarga altos índices de desaprovação popular na Argentina – que superam 60% – diante da crise econômica e do avanço do empobrecimento de seu povo, além de ser alvo de incômodas suspeitas e acusações de corrupção que rondam o núcleo central de sua gestão.

Retórica antissocialista e ofensiva ideológica

No palco da convenção do PL, Javier Milei valeu-se do microfone para inflamar a militância conservadora com um discurso marcadamente ideológico. O presidente argentino classificou as políticas sociais e a atuação de governos progressistas no continente como os principais obstáculos ao crescimento econômico da região, defendendo a adoção radical do livre mercado e a liquidação das estruturas públicas de proteção social. “Esse é o método que tem operado em toda a região: causar um desequilíbrio econômico com o objetivo de ‘comprar’ votos para não perder o poder nas eleições seguintes”.

Mesmo diante do quadro de precarização social que atinge a Argentina sob suas diretrizes econômicas, Milei insistiu na narrativa de confronto com o campo progressista latino-americano para defender a aliança entre as correntes de extrema-direita. “Hoje, o Brasil pode se somar à transformação regional que, nos últimos anos, levou a América Latina a deixar de ser uma região associada à miséria romantizada, retratada por certas obras de realismo mágico, para se tornar um sinônimo de progresso. Creio firmemente que não há outro caminho capaz de afastar o risco que paira sobre o Brasil como uma espada de Dâmocles”.

Queixa contra o Judiciário brasileiro e aliança com Flávio Bolsonaro

Além das investidas ideológicas, o presidente argentino usou o palanque no Brasil para manifestar insatisfação direta contra as decisões do Poder Judiciário brasileiro. Milei criticou o fato de ter sido impedido de realizar uma visita presencial a Jair Bolsonaro durante sua agenda no país, demonstrando desconforto com as restrições legais aplicadas ao líder da extrema-direita brasileira.

Aproveitando o momento, Milei dirigiu-se ao senador Flávio Bolsonaro para formalizar a chancela internacional à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto: “confio plenamente em meu amigo Flávio”. A cúpula do PL enxerga na figura do argentino um trunfo para mobilizar a base radical de eleitores, ainda que a imagem do aliado internacional esteja profundamente desgastada em seu país de origem por escândalos éticos e pelo fracasso social de sua política econômica.

Foto: Beto Barata/PL

FONTE: https://www.brasil247.com/america-latina/amplamente-rejeitado-na-argentina-milei-discursa-na-convencao-do-pl-em-apoio-a-flavio-bolsonaro/