Documento apresentado à Câmara aponta ausência de registros contábeis ou contratuais sobre o financiamento.
247 – O liquidante da massa falida do Banco Master, Eduardo Bianchini, informou à Câmara dos Deputados que não foram encontrados registros de operações da instituição financeira para financiar ou patrocinar o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. A produção recebeu R$ 62 milhões destinados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas a origem dos recursos ainda não foi esclarecida.
Segundo a coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, afirmou em entrevistas que o dinheiro foi obtido por meio de um patrocínio negociado com Vorcaro em uma transação privada. No entanto, ele nunca apresentou um contrato que oficializasse o acordo.
Em resposta a um pedido de informações do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), Bianchini declarou que, após consultar os acervos das instituições representadas, não encontrou documentos que comprovassem operações relacionadas ao financiamento da produção cinematográfica.
“Após consulta aos acervos das instituições representadas, não foram encontrados documentos, registros contábeis ou contratuais que evidenciem a realização de operações destinadas ao financiamento, patrocínio ou aporte de recursos para a produção cinematográfica mencionada, seja diretamente pelas instituições liquidandas, seja por intermédio de terceiros, nos limites das informações examinadas”, afirmou o liquidante.
Bianchini também informou que não foram localizados documentos sobre possíveis operações das instituições com o Havengate Development Fund LP relacionadas ao filme.
Questionada, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador apenas negociou o patrocínio com Vorcaro. Segundo a versão apresentada, ele não participou da efetivação dos pagamentos nem foi informado sobre como as transferências foram realizadas.
PF rastreia pagamentos feitos ao exterior
A Polícia Federal identificou que os desembolsos relacionados ao filme foram realizados pela Entre Investimentos, empresa comandada por Antonio Carlos Freixo Junior, apontado como doleiro de Vorcaro. A origem do dinheiro repassado à empresa para viabilizar os pagamentos, porém, continua sem esclarecimento.
Em delação, Mineiro afirmou que recebeu de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pela PF como operador financeiro das fraudes do Banco Master, a solicitação para enviar os recursos aos Estados Unidos. Segundo o relato, Zettel explicou que a Entre Investimentos seria utilizada para “atuar como investidora offshore”.
Mineiro disse que a operação foi apresentada como um investimento no setor imobiliário, sem que ele soubesse que os recursos seriam destinados à produção de um filme.
“A operação foi apresentada como uma oportunidade de subscrição em um fundo de private equity voltado ao desenvolvimento de empreendimentos imobiliários (real estate) no mercado norte-americano, em especial nos estados do Texas e Flórida, associado à empresa de Paul Carlos (Paulo Calixto)”, declarou à Polícia Federal.
Ele afirmou ainda que não “foi informado que os recursos se destinavam ao financiamento de um filme ou cinebiografia, ressaltando que jamais aceitaria participar de uma operação com esse viés em razão do elevado risco reputacional para seu portfólio de empresas”.
FOTO: Ton Molina/Agência Senado I Reprodução
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/dark-horse-dinheiro-negociado-por-flavio-bolsonaro-com-vorcaro-nao-veio-de-patrocinio-do-master/