Bloqueio no estreito de Ormuz aumenta temores de inflação global e volatilidade financeira.
247 – O preço internacional do petróleo voltou a subir e se aproximou da marca de US$ 105 por barril em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e ao impacto da guerra sobre o fornecimento global de energia. Nesta segunda-feira (16), o barril do tipo Brent, referência internacional, avançou 1,6% e chegou a US$ 104,73, depois de ter aberto acima de US$ 106 no início do pregão. O movimento reforça a pressão inflacionária sobre a economia mundial e aumenta a incerteza nos mercados financeiros, segundo reportagem do G1.
A valorização do petróleo já ultrapassa 40% desde o início do conflito, refletindo temores de interrupção prolongada na produção e no transporte de energia. O petróleo bruto de referência dos Estados Unidos também registrou alta, avançando 1% e atingindo US$ 99,68 por barril, acumulando valorização próxima de 50% desde o início da guerra.
Impacto do estreito de Ormuz
Um dos fatores centrais para a escalada dos preços é o bloqueio do estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte de petróleo no mundo. O Irã respondeu aos ataques de Israel e dos Estados Unidos interrompendo o fluxo de cargas na região, por onde normalmente passa cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado globalmente.
A paralisação da rota marítima afetou diretamente a produção. De acordo com a empresa de pesquisa independente Rystad Energy, mais de 12 milhões de barris de petróleo equivalente por dia deixaram de ser produzidos em pouco mais de uma semana desde o fechamento do estreito.
Apesar disso, há relatos de que alguns navios-tanque conseguiram atravessar a passagem, o que aumenta a incerteza entre investidores e operadores do mercado.
Stephen Innes, da SPI Asset Management, afirmou que o cenário atual dificulta previsões. “A verdade é que, neste momento, grande parte do mercado está operando às cegas”, disse. Ele acrescentou: “Para contextualizar, o estreito normalmente recebe cerca de 25 navios-tanque de petróleo e GNL todos os dias.”
Inflação e política monetária
Caso a guerra continue afetando a produção e o transporte de petróleo no Golfo Pérsico, analistas avaliam que o resultado poderá ser uma nova onda de inflação global. Para tentar conter o impacto da escassez, países membros da Agência Internacional de Energia anunciaram a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas de emergência. Mesmo assim, a medida não foi suficiente para reduzir a volatilidade do mercado.
A perspectiva de inflação mais alta também complica o trabalho do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, que tenta equilibrar crescimento econômico e estabilidade de preços. Diante do cenário atual, analistas não esperam uma redução das taxas de juros na reunião de política monetária desta semana.
Dados divulgados pelo Departamento de Comércio indicam que a inflação ao consumidor nos Estados Unidos subiu 2,8% em janeiro na comparação anual. Ao excluir os preços de alimentos e energia, considerados mais voláteis, a chamada inflação básica avançou 3,1%, registrando o maior aumento em quase dois anos.
Mercados globais reagem
O aumento do preço do petróleo também afetou o desempenho das bolsas internacionais. Na Ásia, o índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 0,4%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul subiu 0,6%. O Hang Seng, em Hong Kong, avançou 1,1%, ao passo que o índice composto de Xangai recuou 0,7%.
Na Austrália, o índice S&P/ASX 200 caiu 0,4%. Em Taiwan, o Taiex registrou leve alta de 0,1%, enquanto o Sensex da Índia apresentou recuo de 0,1%.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros indicaram recuperação parcial após uma semana negativa. O contrato futuro do S&P 500 avançou 0,5%, enquanto o do Dow Jones Industrial Average subiu 0,4%.
Na sexta-feira anterior, entretanto, as bolsas de Wall Street haviam ampliado perdas com a disparada do petróleo acima de US$ 100 por barril. O S&P 500 caiu 0,6%, acumulando queda de 3,1% no ano. O Dow Jones recuou 0,3%, enquanto o Nasdaq Composite perdeu 0,9%.
Confiança do consumidor e crescimento econômico
O aumento dos preços da energia também começou a afetar o sentimento dos consumidores. Pesquisa da Universidade de Michigan mostrou queda na confiança do consumidor nos Estados Unidos, atingindo o nível mais baixo do ano. O recuo foi atribuído ao aumento do preço da gasolina desde o início da guerra envolvendo o Irã.
Mesmo com esse cenário, os consumidores ampliaram seus gastos em janeiro. O relatório oficial aponta crescimento de 0,4% nas despesas, acompanhado por aumento no mesmo ritmo na renda das famílias.
Outro dado divulgado recentemente mostrou que a economia americana cresceu a uma taxa anual de 0,7% no trimestre de outubro a dezembro, revisão para baixo em relação à estimativa anterior. O desempenho foi impactado pela paralisação do governo federal que durou 43 dias no ano passado.
Movimentação cambial
No mercado de câmbio, o dólar apresentou leve queda frente ao iene japonês, sendo negociado a 159,47 ienes, contra 159,55 anteriormente. Já o euro registrou valorização, alcançando US$ 1,1442, ante US$ 1,1425 no fechamento anterior.
FOTO: The White House
FONTE: https://www.brasil247.com/economia/ataques-de-trump-ao-ira-causam-alta-de-40-no-preco-do-petroleo