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Ataques entre EUA e Irã expõem fragilidade de acordo sobre Ormuz, afirma analista chinês

Ataques entre EUA e Irã elevam tensão no Estreito de Ormuz e colocam em xeque memorando assinado para reduzir crise militar.

247 – Os ataques entre EUA e Irã elevaram novamente a tensão no Estreito de Ormuz e colocaram em xeque o memorando de entendimento assinado recentemente para reduzir a crise militar entre os dois países, aponta reportagem do Global Times. A nova escalada ocorreu menos de uma semana após Washington e Teerã firmarem o acordo, que previa contenção de ações militares e respeito mútuo à soberania.

O jornal ouviu Li Haidong, professor da Universidade de Relações Exteriores da China. Segundo o especialista, os novos confrontos evidenciam a fragilidade do memorando de entendimento e a falta de confiança entre as partes, além de revelar uma disputa direta pelo controle da navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.

O Comando Central dos Estados Unidos informou, em publicação na rede X na noite de sábado, horário local, que realizou ataques contra dez alvos militares iranianos em diferentes pontos dentro e nas proximidades do Estreito de Ormuz. A operação foi apresentada por Washington como resposta ao suposto ataque com drones iranianos contra o petroleiro Kiku.

Em retaliação, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter lançado mísseis e drones contra instalações americanas no Kuwait e no Bahrein. Segundo a BBC, Teerã advertiu que a violação do cessar-fogo contraria o memorando assinado entre os dois países e “levará à completa paralisação do processo”.

A tensão já havia aumentado após os EUA acusarem o Irã de atacar outro petroleiro depois da assinatura do memorando de entendimento. De acordo com o Comando Central americano, caças da Marinha e da Força Aérea dos EUA realizaram ataques após Teerã “optar por não” cumprir o cessar-fogo, ao lançar um drone contra um navio de bandeira panamenha que transportava mais de 2 milhões de barris de petróleo bruto perto do Estreito de Ormuz.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também elevou o tom em uma publicação nas redes sociais. Ele escreveu que “É muito possível que eles nunca aprendam!”. Em seguida, afirmou que “Pode chegar um momento em que não sejamos mais capazes de ser razoáveis e seremos forçados a concluir militarmente o trabalho que começamos com muito sucesso”. Trump ainda advertiu que, se esse cenário ocorrer, “a República Islâmica do Irã deixará de existir”.

Do lado iraniano, as autoridades afirmam que os Estados Unidos atacaram cinco postos costeiros no país sob o que Teerã classificou como “pretexto da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica confrontando o navio infrator”. Ainda segundo a BBC, o Irã sustenta que, pelo memorando assinado no início do mês, possui mecanismos para controlar a passagem e a navegação no Estreito de Ormuz. A partir de agora, navios que violarem o acordo seriam tratados com mais rigor.

Para Li Haidong, os episódios mais recentes mostram que o memorando de entendimento contém pontos ambíguos e vulneráveis. Na avaliação do especialista, EUA e Irã parecem interpretar de forma diferente algumas disposições do documento, especialmente as relacionadas à navegação no Estreito de Ormuz.

O professor afirmou ao Global Times que a mais recente troca de ataques militares continua centrada na disputa pelos direitos de navegação na região. Segundo ele, o Irã tenta reforçar seu controle sobre a via marítima depois da reabertura do estreito, exigindo que embarcações comerciais utilizem rotas aprovadas por Teerã.

A disputa ganhou novo contorno após Omã anunciar, na quarta-feira, uma rota de trânsito marítimo pelo Estreito de Ormuz. De acordo com a Al Jazeera, Mascate afirmou ter coordenado a rota com a Organização Marítima Internacional, em meio à retomada gradual do tráfego marítimo depois de semanas de interrupções.

Segundo a declaração do Comando Central americano, o primeiro navio atingido, o Ever Lovely, transitava pela costa omanita. Para Li Haidong, os Estados Unidos buscam recuperar a iniciativa no Estreito de Ormuz por meio de ações militares limitadas, ao mesmo tempo em que procuram reforçar sua capacidade de dissuasão na região.

New York Times também apontou que as ambiguidades na linguagem adotada pelos negociadores americanos no acordo provisório de cessar-fogo com o Irã parecem ter se voltado contra Washington. O impasse reforça a dificuldade de transformar o memorando em um mecanismo efetivo de estabilização regional.

Apesar da escalada, Li avalia que a probabilidade de um confronto militar em larga escala permanece baixa. Segundo ele, os Estados Unidos parecem optar por respostas militares limitadas, em vez de ampliar o conflito, já que Washington teria pouco interesse em uma guerra prolongada no Golfo.

A China defendeu a preservação do acordo e a resolução das divergências por meio do diálogo. Em 23 de junho, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, afirmou em Nova Déli que, embora “a lei da selva possa prevalecer temporariamente, ela não é sustentável”. Ele acrescentou que “A resolução de quaisquer questões regionais ou internacionais controversas deve ser baseada no cumprimento das normas internacionais”.

No dia seguinte, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, declarou que Pequim considera o diálogo e a negociação os caminhos adequados para resolver disputas regionais e divergências entre as partes, rejeitando ameaças ou uso da força.

“Os Estados Unidos e o Irã assinaram o memorando, no qual se comprometem a respeitar a soberania e a integridade territorial um do outro, a não iniciar operações militares um contra o outro e a se abster de interferir nos assuntos internos um do outro. O documento enviou um sinal positivo ao mundo e deve ser salvaguardado e implementado conjuntamente”, disse Guo.

A nova troca de ataques, porém, expõe os limites do entendimento firmado entre Washington e Teerã. O Estreito de Ormuz segue no centro da crise, não apenas como ponto de passagem essencial para o comércio global de petróleo, mas também como espaço de disputa estratégica entre duas potências em confronto político e militar.

FOTOS: Pixabay

FONTE: https://www.brasil247.com/globaltimes/ataques-entre-eua-e-ira-expoem-fragilidade-de-acordo-sobre-ormuz-afirma-analista-chines