Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 16 anos lutando pelos jornalistas

Atuação do governo Lula faz combustíveis subirem menos no Brasil do que no resto do mundo, aponta estudo

Levantamento mostra que gasolina e diesel tiveram altas abaixo da média internacional diante da crise provocada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.

247 – Os preços dos combustíveis no Brasil registraram aumentos inferiores à média internacional durante o período de maior impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre o mercado de petróleo. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), divulgado pela Rede PT de Comunicação, o desempenho é resultado das medidas adotadas pelo Governo Lula para reduzir os efeitos da alta internacional sobre consumidores e empresas.

O 37º Boletim de Preços do Ineep aponta que, entre 23 de fevereiro e 8 de junho, a gasolina acumulou alta de 4,9% no Brasil, enquanto o diesel avançou 13,6%. No mesmo intervalo, a média global foi de 17,5% para a gasolina e de 23,3% para o diesel.

Durante o conflito no Oriente Médio, o petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 100 por barril. Em resposta ao cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou, em 25 de maio, o Decreto nº 12.984/2026, que regulamentou a concessão de subvenção econômica extraordinária a produtores e importadores de gasolina e óleo diesel rodoviário. A medida garantiu repasse de R$ 0,44 por litro de gasolina e estabeleceu nova subvenção de R$ 0,35 por litro de diesel.

Dias antes, em 13 de maio, o governo publicou a Medida Provisória nº 1.358/2026, ampliando os mecanismos de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para coibir aumentos considerados abusivos nos preços dos combustíveis.

Mesmo após o anúncio do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, o governo federal decidiu ampliar o pacote emergencial. As novas medidas regulamentaram as subvenções já implementadas, fixaram os valores aplicáveis à gasolina “A” e ao diesel “A” de uso rodoviário, prorrogaram benefícios fiscais para querosene de aviação e biodiesel, estenderam mecanismos de apoio ao GLP e instituíram nova subvenção destinada ao diesel rodoviário.

Intervenções reduziram pressão sobre os preços

Segundo o Ineep, os dados de maio mostram queda nos preços praticados pelas refinarias privadas após reajustes expressivos registrados anteriormente. A Petrobras, por sua vez, manteve trajetória de maior estabilidade, acumulando desde o início do conflito aumento de R$ 0,32 no diesel e de R$ 0,04 na gasolina.

“O efeito das políticas de isenção e subsídio fiscal do Governo Federal, para o caso do diesel, da política de preços da Petrobras, somados ao leve recuo do preço do barril, já podem ser percebidos nas médias mensais dos preços dos combustíveis em maio. A gasolina e o diesel registraram recuos, e o GLP, estabilidade. O etanol hidratado, por sua vez, apresentou queda expressiva, de 7,3%, refletindo o início da safra 2026/2027 e aumento da oferta, em intensidade ainda maior do que a observada em anos anteriores”, afirma o instituto.

O levantamento também mostra que, no fim de maio, o Preço de Paridade de Importação (PPI) do diesel calculado pela ANP acumulava queda de 14,3% em relação ao fim de abril, atingindo R$ 4,92. No mesmo período, a Petrobras manteve o preço em R$ 3,68, valor 25,1% inferior ao praticado no mercado internacional.

Impacto sobre a inflação

O Ineep também avaliou os efeitos da alta dos combustíveis sobre a inflação brasileira. De acordo com o estudo, o IPCA-15 registrou alta de 0,44% em março, acelerou para 0,89% em abril e desacelerou para 0,62% em maio.

“Embora ainda seja necessário acompanhar os próximos meses para avaliar a consolidação dessa tendência, os dados sugerem que as medidas adotadas pelo Governo Federal para conter os preços dos combustíveis e a atuação da Petrobras, ampliando sua produção de derivados e mantendo maior estabilidade nos preços, contribuíram para limitar as pressões inflacionárias”, informa o instituto.

O estudo acrescenta que as ações emergenciais são importantes, mas insuficientes para enfrentar vulnerabilidades estruturais do setor de petróleo. Como alternativas, recomenda fortalecer a Petrobras, ampliar a capacidade nacional de refino e recompor a presença da estatal em áreas estratégicas da cadeia de abastecimento, especialmente na distribuição.

Especialista cita papel do etanol

Em entrevista à Rede PT de Comunicação, o professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Brasília (UnB) Eugênio Libório Feitosa Fortaleza avaliou que o Brasil conseguiu absorver melhor os efeitos da volatilidade internacional sobre os combustíveis.

“O país está de parabéns, resistiu muito bem”, afirmou. Segundo o pesquisador, a produção nacional de etanol garante maior segurança energética e reduz a dependência da gasolina.

“Vale a pena destacar a posição privilegiada do Brasil, que, historicamente, tem a produção do álcool de cana, e vem crescendo, recentemente, a produção de álcool de milho. E isso vem favorecendo uma disponibilidade de álcool e uma independência brasileira em relação ao consumo de gasolina”, declarou.

Sobre o diesel, o professor classificou como positiva a atuação do governo, mas afirmou que ainda há espaço para ampliar a capacidade nacional de produção.

“Nesse sentido, o diesel carece de investimento nas refinarias do país de maneira a ter sistemas de hidrocraqueamento, que são unidades que, a partir do uso do hidrogênio, permitem a transformação de derivados menos valorizados, de cadeias mais longas, tipicamente óleo de caldeira, em óleo diesel”, explicou.

“Ajudaria bastante termos mais oferta de diesel sem ter uma necessidade de aumentar o refino de petróleo e equilibrar melhor nosso balanço energético. Para isso, o governo federal já tem uma iniciativa positiva: tem aberta uma chamada conjunta para o desenvolvimento de eletrolisadores, isso deve ajudar a produção de hidrogênio […] Esse é o caminho para que o diesel alcance um resultado de independência forte como o da gasolina”, concluiu.

Foto: José Cruz/Agência Brasil / Ricardo Stuckert / PR

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/atuacao-do-governo-lula-faz-combustiveis-subirem-menos-no-brasil-do-que-no-resto-do-mundo-aponta-estudo