Plataformas ilegais utilizam domínios estrangeiros e divulgação por influenciadores para alcançar apostadores brasileiros; governo já retirou do ar quase 25 mil endereços, perfis e grupos.
247 – Plataformas de apostas online continuam acessíveis a usuários brasileiros mesmo após a entrada em vigor da proibição determinada pelo governo federal. Para escapar da fiscalização, operadores ilegais passaram a utilizar domínios internacionais, sem a extensão “.br”, e a recorrer à divulgação de links por influenciadores nas redes sociais.
Segundo reportagem do jornalista Eli Jonas Maia, da CNN Brasil, publicada nesta sexta-feira (16), a estratégia permite que sites de apostas continuem alcançando o público brasileiro, apesar das medidas adotadas pelas autoridades. Dez dias após o prazo estabelecido para a retirada das plataformas do ar, ainda são encontrados endereços eletrônicos em funcionamento e perfis que promovem essas atividades.
A proibição foi anunciada em 25 de setembro, com prazo até 6 de outubro para que as empresas interrompessem suas operações. As plataformas com registro brasileiro deixaram de funcionar na data estabelecida, mas operadores ilegais passaram a explorar endereços internacionais para manter o acesso de apostadores no país.
O uso de domínios estrangeiros representa um desafio adicional para a fiscalização, uma vez que as plataformas continuam sendo divulgadas e acessadas por brasileiros, embora não estejam regulamentadas pelo governo federal.
Governo já retirou do ar quase 25 mil páginas, sites e grupos
O Ministério da Justiça intensificou o monitoramento das redes sociais e dos endereços eletrônicos utilizados para promover apostas ilegais. De acordo com o balanço mais recente da pasta, 24.783 sites, páginas, perfis e grupos foram retirados do ar desde o início das ações de fiscalização.
O alcance das estruturas identificadas pelas autoridades chega a 19,5 milhões de usuários, membros ou seguidores, número que evidencia a dimensão da divulgação das plataformas de apostas no ambiente digital.
Somente na quinta-feira (15), a Secretaria de Direitos Digitais do Ministério da Justiça identificou dez perfis no Instagram utilizados para divulgar bets. Todos foram derrubados após a identificação pelas equipes responsáveis pelo monitoramento.
Desde o fim de setembro, 570 páginas do Instagram foram bloqueadas por envolvimento na promoção de apostas consideradas ilegais.
A fiscalização também alcançou aplicativos de mensagens. No Telegram, 22 grupos que reuniam 21.452 usuários foram retirados do ar. Além disso, a força-tarefa conseguiu derrubar 1.576 sites relacionados às atividades investigadas.
As medidas integram uma ofensiva do governo federal para reduzir a circulação de links e impedir que operadores sem autorização continuem oferecendo apostas aos consumidores brasileiros.
Influenciadores e redes sociais ajudam a manter apostas ilegais
A divulgação realizada por influenciadores digitais tornou-se um dos principais mecanismos utilizados pelas plataformas para continuar alcançando apostadores no Brasil.
Mesmo com o bloqueio de endereços eletrônicos, links para sites internacionais seguem sendo compartilhados nas redes sociais, permitindo que usuários encontrem alternativas para acessar serviços proibidos.
O monitoramento realizado pelo Ministério da Justiça identificou que empresas sem registro brasileiro continuam atuando no mercado nacional por meio desses compartilhamentos.
A utilização de endereços sem a extensão “.br” também dificulta a identificação imediata das plataformas pelo público, já que os sites podem continuar oferecendo seus serviços em português e direcionando suas atividades aos consumidores brasileiros.
A estratégia permite que operadores ilegais mantenham canais de acesso mesmo depois da retirada do ar de páginas anteriormente utilizadas para divulgar apostas.
Medida provisória já está em vigor e depende de aprovação do Congresso
A proibição das bets foi estabelecida por uma medida provisória assinada pelo presidente da República. Embora seus efeitos já estejam em vigor, o texto ainda precisa passar pela análise do Congresso Nacional dentro do prazo constitucional para continuar produzindo efeitos.
Enquanto a medida aguarda a tramitação legislativa, as autoridades federais mantêm as ações de fiscalização e bloqueio de plataformas consideradas ilegais.
O principal desafio identificado pelo governo é impedir que operadores utilizem estruturas digitais sediadas no exterior e a divulgação descentralizada nas redes sociais para contornar as restrições brasileiras.
FOTO: Joédson Alves/Agência Brasil
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/bets-driblam-proibicao-do-governo-e-seguem-operando-no-brasil-com-sites-internacionais/