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Bolsa brasileira recebe R$ 42,5 bi de investimentos estrangeiros, mais que em todo o ano de 2025

Valor já é cerca de 1,58 vez maior que todo o fluxo registrado em 2025, quando a bolsa brasileira recebeu R$ 26,87 bilhões em investimentos estrangeiros.

247 – A bolsa brasileira registrou forte entrada de capital estrangeiro nos primeiros meses de 2026. Somente em fevereiro, investidores internacionais realizaram R$ 401,6 bilhões em compras e R$ 385,5 bilhões em vendas na B3, resultando em saldo líquido positivo de R$ 16,09 bilhões.

Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, divulgado pela CNN Brasil, esse resultado se soma ao fluxo líquido de R$ 26,47 bilhões observado em janeiro. Com isso, o total de recursos estrangeiros direcionados ao mercado acionário brasileiro alcançou R$ 42,56 bilhões até fevereiro.

Fluxo estrangeiro cresce no início de 2026

Para o CEO da Elos Ayta, Einar Rivero, o número chama atenção por diversos fatores. O montante já é cerca de 1,58 vez maior que todo o fluxo registrado em 2025, quando a bolsa brasileira recebeu R$ 26,87 bilhões em investimentos estrangeiros.

Além disso, o desempenho alcançado até fevereiro se aproxima do resultado anual de períodos considerados positivos para o mercado acionário brasileiro.

Mudança na atuação do investidor internacional

Na avaliação de Rivero, os dados indicam uma alteração relevante na intensidade das operações feitas por investidores estrangeiros no país. Segundo ele, ocorreu uma “mudança de escala operacional do investidor estrangeiro na B3”.

Ao colocar os números em perspectiva histórica, janeiro de 2026 aparece como o maior fluxo mensal desde janeiro de 2022, considerando operações como ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) e follow-ons. Fevereiro, por sua vez, figura como o oitavo melhor resultado do período analisado.

Rivero também observa que o movimento teve impacto direto sobre o principal indicador do mercado acionário brasileiro. “O impacto foi direto na pontuação do Ibovespa”, afirmou.

Mesmo desconsiderando operações estruturadas, o executivo destaca que o fluxo observado se concentra principalmente no mercado secundário. “O fluxo é essencialmente de mercado secundário, compra líquida de ações já listadas”, pontuou.

Recuperação após queda do Ibovespa em 2024

O cenário atual representa uma reversão em relação ao desempenho observado anteriormente. Em 2024, o Ibovespa registrou queda de 10%, marcando um período desfavorável para o mercado acionário brasileiro.

Para Rivero, o aspecto mais relevante é a rapidez dessa recuperação. “O dado mais relevante é a velocidade da reversão: após um 2024 negativo, o fluxo volta em 2025 e acelera significativamente em 2026. Esse padrão sugere não apenas ajuste tático, mas possível reprecificação estrutural de risco Brasil”, disse.

Fatores que explicam o aumento do capital estrangeiro

O CEO da Elos Ayta aponta quatro hipóteses principais para explicar o crescimento do fluxo internacional para o mercado brasileiro.

A primeira está associada ao diferencial de juros entre países. Economias com taxas mais elevadas tendem a atrair capital externo em busca de maior rentabilidade, estratégia conhecida como carry trade.

Outro fator é a reprecificação relativa de ativos. Após períodos de desempenho mais fraco, mercados emergentes costumam apresentar valuations mais baixos em comparação com economias desenvolvidas, tornando-se mais atraentes para investidores globais.

Rivero também menciona o chamado efeito portfólio global, em que gestores internacionais buscam diversificar investimentos entre diferentes mercados. Nesse contexto, o Brasil volta a ganhar espaço nas carteiras quando apresenta liquidez e preços considerados competitivos.

Por fim, entram em cena os ciclos de liquidez global. Segundo o executivo, quando o dólar perde força ou as condições financeiras internacionais se tornam mais favoráveis, parte dos recursos tende a migrar para ativos de maior risco, como ações de mercados emergentes.

Na avaliação de Rivero, o cenário atual reúne esses diferentes fatores. “O comportamento atual parece combinar os quatro vetores: prêmio real elevado, múltiplos comprimidos nos anos anteriores, melhora de percepção relativa e maior apetite a risco”, concluiu.

Foto: Julia Prado/MS | ABR

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/bolsa-brasileira-recebe-r-42-5-bi-de-estrangeiros-mais-que-em-todo-o-ano-de-2025-px4yxfoj