Programa oficializado pelo governo Lula busca reduzir custos logísticos, fortalecer a integração sul-americana e ampliar a presença brasileira na Ásia.
247 – O governo federal oficializou nesta quarta-feira (24) a criação do Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, uma iniciativa estratégica para abrir uma nova rota de exportação brasileira em direção à Ásia, por meio de portos no Chile e no Peru.
Segundo informações da Sputnik Brasil, a medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e assinada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. O objetivo é fortalecer a integração logística e comercial entre Brasil e Bolívia, ao mesmo tempo em que reduz a dependência das rotas tradicionais de escoamento, especialmente aquelas concentradas no porto de Santos, em São Paulo.
O programa faz parte de uma estratégia mais ampla de integração sul-americana e de diversificação das rotas comerciais brasileiras. A ideia central é criar um corredor terrestre capaz de conectar áreas produtoras do Centro-Oeste, em especial Mato Grosso, aos portos do Pacífico, encurtando o caminho das exportações brasileiras até mercados asiáticos.
Nova rota mira o mercado asiático
A iniciativa é considerada estratégica para ampliar a presença dos produtos brasileiros na Á Ásia, especialmente na China, principal parceiro comercial do Brasil e maior comprador de commodities brasileiras, como soja, carne e minério de ferro.
Com a nova conexão logística, o governo espera tornar as exportações brasileiras mais competitivas, reduzindo custos de transporte e ampliando a capacidade de inserção do país em cadeias globais de comércio. O corredor também pode diminuir a pressão sobre rotas já saturadas e criar uma alternativa relevante ao modelo atual de escoamento, fortemente dependente do eixo atlântico.
Um dos focos do programa é facilitar o transporte da produção de Mato Grosso, maior produtor nacional de soja. A nova rota atravessará a Bolívia até alcançar portos no Pacífico, de onde as cargas poderão seguir para países asiáticos com maior rapidez.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a conexão poderá reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade das exportações brasileiras e criar novas oportunidades de negócios com países asiáticos. “Essa rota fortalece a competitividade do agro brasileiro e amplia o potencial do nosso setor. O programa reforça ainda mais nosso projeto de integração internacional”, afirmou a pasta.
Integração com a Bolívia ganha novo impulso
Além de ampliar as exportações para a Ásia, o governo aposta na retomada do dinamismo do comércio bilateral com a Bolívia. Em 2013, as trocas comerciais entre os dois países chegaram a US$ 5,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,6 bilhões. Atualmente, esse fluxo gira em torno de US$ 2,5 bilhões, aproximadamente R$ 13 bilhões.
A expectativa é que o novo corredor ajude a reverter essa queda e estimule novas parcerias produtivas, industriais e logísticas entre os dois países. O programa também deve facilitar a importação de insumos e fertilizantes bolivianos destinados ao agronegócio brasileiro, um ponto considerado relevante para a segurança produtiva do setor.
A aproximação com a Bolívia também reforça a visão de que a integração regional pode gerar benefícios concretos para os países sul-americanos. Ao melhorar a infraestrutura de transporte e ampliar o comércio intrarregional, o corredor Brasil-Bolívia-Pacífico pode contribuir para reduzir gargalos históricos que limitam o potencial econômico da região.
MT-199 será eixo central do corredor
A principal obra pública associada ao projeto é a pavimentação da rodovia MT-199, atualmente em execução pelo governo de Mato Grosso. A estrada conectará o município de Vila Bela da Santíssima Trindade, no oeste mato-grossense, à região de Palmarito, na Bolívia.
Esse trecho é considerado fundamental para viabilizar o corredor terrestre. Ao permitir uma ligação mais eficiente entre o Brasil e o território boliviano, a rodovia deverá funcionar como uma porta de saída para cargas agrícolas e minerais em direção ao Pacífico.
A pavimentação da MT-199 também tende a estimular o desenvolvimento econômico de regiões historicamente menos integradas às grandes rotas logísticas nacionais. Municípios próximos ao traçado poderão se beneficiar da instalação de estruturas de apoio, serviços, terminais e novos investimentos privados.
Setor privado deve investir em logística e armazenamento
Embora a infraestrutura pública seja essencial para a abertura da rota, o governo prevê que parte significativa dos investimentos será conduzida pela iniciativa privada. Armazéns, terminais logísticos, centros de distribuição e unidades industriais deverão ser desenvolvidos à medida que o fluxo comercial pelo corredor se intensifique.
A participação privada será decisiva para transformar o corredor em uma rota economicamente viável e operacionalmente eficiente. A ampliação da capacidade de armazenagem e transbordo será necessária para evitar gargalos e garantir que a nova conexão possa atender ao aumento esperado da movimentação de cargas.
O projeto também pode atrair investimentos em serviços ligados ao comércio exterior, transporte rodoviário, tecnologia logística e processamento industrial. Com isso, a rota tende a ter impactos que vão além do escoamento de commodities, criando oportunidades em diferentes segmentos da economia.
Rota pode encurtar transporte em até 15 dias
Embora os estudos econômicos definitivos ainda estejam em elaboração, estimativas preliminares do governo indicam que a nova rota poderá encurtar em até 15 dias o tempo de transporte para determinados destinos na Ásia.
A redução do prazo é um dos principais atrativos do corredor. Para exportadores brasileiros, especialmente do agronegócio, o ganho de tempo pode representar economia, maior previsibilidade e melhores condições de competição em mercados internacionais.
Além disso, a abertura de uma rota pelo Pacífico pode ampliar a capacidade do Brasil de responder a mudanças no comércio global, diversificando alternativas logísticas e reduzindo riscos associados à concentração em poucos portos ou corredores de exportação.
Corredor reforça estratégia de integração sul-americana
O Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico se insere em uma agenda mais ampla de fortalecimento da infraestrutura regional e de aproximação econômica entre países da América do Sul.
Para o Brasil, a conexão com o Pacífico representa uma oportunidade de reposicionar sua logística internacional, aproximando fisicamente o país dos mercados asiáticos. Para a Bolívia, o corredor pode significar maior integração produtiva, aumento do comércio e atração de investimentos.
A aposta do governo é que a nova rota gere ganhos para ambos os lados, ao combinar exportações brasileiras, importação de insumos bolivianos, obras de infraestrutura e novos negócios privados. Se concretizado, o corredor poderá se tornar um dos principais eixos de integração econômica entre o Brasil, a Bolívia e o mercado asiático.
Foto: Brasil 247 / Dall-E
FONTE: https://www.brasil247.com/americalatina/brasil-abre-nova-rota-bioceanica-via-bolivia-para-levar-exportacoes-ao-pacifico