Projeções mostram que o país ultrapassará o Canadá em 2026 e pode assumir a 8ª posição global até o fim da década.
247 – Mesmo diante de uma desaceleração no segundo trimestre, a economia brasileira deverá retornar ao posto de décima maior do mundo até o encerramento deste ano, superando o Canadá. A estimativa consta nos dados e projeções mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI). No ano passado, o país havia ficado de fora da lista das dez maiores economias globais, ocupando o 11º lugar tanto em 2024 quanto em 2025.
De acordo com o FMI, a melhora no desempenho do Brasil ocorre em um cenário no qual a economia global enfrenta perda de ritmo. O organismo multilateral revisou ligeiramente para baixo suas estimativas para o crescimento mundial este ano, reduzindo a projeção de 3,1% para 3%. Em contrapartida, o avanço brasileiro ganha sustentação não apenas na atividade interna, mas também na dinâmica cambial.
A comparação das projeções do PIB (Produto Interno Bruto) em valores correntes feita pela instituição utiliza o dólar americano como referência. Por essa razão, a dimensão da economia de qualquer nação varia de acordo com a expansão da produção e com a cotação do câmbio entre a moeda local e a divisa dos Estados Unidos. Quando o dólar recua perante a moeda nacional, o valor do PIB convertido em dólares aumenta, mesmo que a velocidade do crescimento econômico não se altere.
Em 2025, um movimento de desvalorização do dólar frente ao rublo ajudou a impulsionar o PIB da Rússia. No caso do Brasil, a apreciação do real em relação à moeda norte-americana intensificou-se na reta final do ano passado e manteve trajetória favorável desde o início deste ano, fator decisivo para reposicionar o país no top 10 global.
Para 2027, o FMI projeta uma expansão de 2,2% no PIB brasileiro. O ritmo deve permitir que o país continue escalando posições no ranking internacional. A expectativa é que o Brasil ultrapasse a Rússia em 2027, alcançando a nona colocação global, ficando logo atrás da Itália. As projeções estendem-se até 2031 e indicam que, em 2028, a economia brasileira deverá superar a italiana, assumindo o oitavo lugar do mundo — posição na qual deve se consolidar até a virada da década, permanecendo atrás da França.
No cenário internacional de longo prazo, a principal tendência apontada pelo FMI é o crescimento contínuo da Índia, país mais populoso do globo. As estimativas projetam que, até 2031, a economia indiana ultrapasse a Alemanha e assuma o posto de terceira maior do mundo, posicionando-se atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
PIB per capita e desigualdade de riqueza
Apesar da colocação de destaque do Brasil na medição do PIB anual — valor total de todos os bens e serviços finais produzidos no país —, analistas ressaltam que o volume agregado não reflete diretamente o nível de riqueza ou de bem-estar da população. Países populosos como Estados Unidos, China, Índia e Brasil (sétimo mais populoso do mundo) tendem a apresentar PIBs elevados por contarem com grandes contingentes populacionais em idade de trabalhar.
Para aferir a riqueza média de uma sociedade, utiliza-se a métrica do PIB per capita, que divide o valor total gerado na economia pelo número de habitantes. Sob este critério, a liderança do ranking de 2025 ficou com o Principado de Liechtenstein, na Europa, que registra apenas 40 mil habitantes e alcançou um PIB per capita de US$ 217.927,88. O segundo lugar coube ao Grão-Ducado de Luxemburgo, com população de 700 mil pessoas e marca de US$ 148.246,98 por habitante.
Os Estados Unidos aparecem como o único país com representatividade concomitante no topo de ambas as listas: é a maior economia do planeta em valor total e ocupa a oitava posição mundial em termos de PIB per capita.
No caso brasileiro, o FMI registrou em 2025 um PIB per capita de US$ 10.685,69. O patamar coloca o país ligeiramente abaixo da Albânia, que registrou US$ 11.234,55, e um pouco acima de São Vicente e Granadinas, que apurou US$ 10.572,65 no mesmo período.
FOTO: José Cruz/Agência Brasil
FONTE: https://www.brasil247.com/economia/brasil-deve-retornar-ao-grupo-das-10-maiores-economias-do-mundo-ate-o-fim-do-ano-aponta-fmi/